Brasil testará novo exame para detectar tuberculose em apenas 2 horas

Projeto é possível por acordo com a Fundação Bill & Melinda Gates, que vai repassar US$ 3 milhões

Efe

25 de agosto de 2010 | 17h29

RIO DE JANEIRO - O Brasil vai experimentar um método de diagnóstico de tuberculose que fornece o resultado em 2 horas, além de um novo tratamento contra a doença que, dependendo da eficácia, pode ser adotado em outros países, informaram fontes oficiais nesta quarta-feira, 25.

O programa será possível por meio de um acordo assinado nesta quarta com a Fundação Bill & Melinda Gates, que vai repassar ao governo brasileiro US$ 3 milhões doados para o uso de tecnologias inovadoras na prevenção e no tratamento da tuberculose no País, segundo o Ministério da Saúde.

"A associação com a Fundação Gates vai nos ajudar a avaliar e introduzir com maior rapidez as últimas tecnologias no controle e na prevenção da tuberculose e nos dará a oportunidade de compartilhar a experiência com outros países", afirmou o ministro da Saúde, José Gomes Temporão.

Além de experimentar um método que reduz de até 2 meses para 2 horas o tempo para diagnosticar a doença, o Brasil poderá produzir e testar medicamentos que combinam vários princípios ativos das drogas mais utilizadas e, em consequência, reduzir o número de comprimidos que o paciente precisa ingerir.

A associação propõe que o Brasil sirva de exemplo para outros países em desenvolvimento, principalmente da África Subsaaariana, para implementar "abordagens inovadoras contra a tuberculose", segundo comunicado do ministério.

A iniciativa transformará o Brasil em um dos primeiros países do mundo a utilizar em larga escala o GeneXpert, exame molecular de última geração que permite diagnosticar a tuberculose em pouco tempo.

O teste, que detecta se o paciente é resistente aos remédios mais utilizados contra a tuberculose, foi desenvolvido pela empresa americana Cepheid e provado em diferentes partes do mundo pela organização internacional Find.

O método diagnostica a presença do bacilo de Koch, que transmite a tuberculose, em mostras de secreções do nariz mediante exame genético. Segundo o Ministério da Saúde, o diagnóstico precoce da doença é fundamental para garantir o êxito do tratamento e evitar a propagação.

Os recursos da Fundação Gates serão utilizados para apoiar a produção no País de um remédio atualmente importado da Índia e que vai combinar os quatro fármacos que compõem o tratamento contra a tuberculose.

O medicamento, que será produzido a partir de 2012 pelo laboratório Farmanguinhos, do ministério, reduz de 9 para 4 o número de comprimidos que um paciente com tuberculose deve consumir por dia.

Apesar de a incidência de tuberculose no País ter caído 17% entre 2002 e 2009, o Brasil ainda está na lista dos 22 países que concentram 80% dos casos da doença no mundo.

No País, em 2008, foram registradas 4.735 mortes por tuberculose e 70.989 novos casos da doença, que causa 1,8 milhão de mortes por ano em todo o mundo.

"A liderança do Brasil nesse combate é exatamente o tipo de compromisso que necessitávamos para garantir que os pacientes tenham acesso a inovações que podem salvar vidas e evitar novas infecções", disse Tachi Yamada, presidente do Programa de Saúde Global da Fundação Gates.

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