Arte sobre foto de Alissa Eckert, MS; Dan Higgins, MAM/CDC/via REUTERS
Arte sobre foto de Alissa Eckert, MS; Dan Higgins, MAM/CDC/via REUTERS

Brasil volta a registrar mais de mil mortes por covid-19 nas últimas 24 horas

Média semanal de vítimas do coronavírus fica em 823, maior valor desde 17 de agosto

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2022 | 20h01

O Brasil registrou 1.174 novas mortes pela covid-19 nesta terça-feira, 8, a pior marca desde 10 de agosto. A média semanal de vítimas, que elimina distorções entre dias úteis e fim de semana, ficou em 823, sendo o maior registro na média desde 17 de agosto do ano passado. Os dois números mostram um crescimento nos óbitos. No início de janeiro, o Brasil estava com a média móvel de mortes abaixo de 100. Agora, ela saltou para mais de 800, número que não ocorria desde agosto. Para piorar, em números absolutos foi a segunda vez em cinco dias que o País superou o registro de mil mortes em 24 horas. Na sexta-feira, o Brasil tinha marcado 1.074 mortes.

"O que está acontecendo é um aumento muito grande dos casos, por causa da Ômicron. É uma linhagem que tem capacidade de infectar pessoas já vacinadas e capacidade bem grande de transmissão. Então com esse aumento bem rápido no número de casos, a quantidade de mortes também aumentou", explicou o médico sanitarista André Ricardo Ribas Freitas, professor de epidemiologia da Universidade São Leopoldo Mandic e doutor pela Unicamp.

Desde a chegada da variante Ômicron no Brasil, o número de contaminações bateu recorde no início deste ano com números superiores aos dos piores momentos da pandemia no País. E depois dessa quantidade enorme de infectados, mesmo com muitas pessoas tendo dificuldade para se testar, o número de internações e mortes começou a subir também.

"A Ômicron causa quadros mais brandos, principalmente em quem está vacinado, e o Brasil tem uma cobertura vacinal razoável. Então era esperado que a o número de óbitos aumentasse também após uma alta nas contaminações, mas acredito que possa começar a cair nas próximas semanas", avalia o professor.

Ele reforça que o carnaval é um motivo de preocupação, por causa do contato mais próximo entre as pessoas. "Temos de cuidar, a doença não está totalmente controlada, mas é diferente daquele surto que ocorreu com a Gama, que é mais letal, e as pessoas não estavam vacinadas na época, só uma parte dos idosos. A gente sabe que o risco para as pessoas não vacinadas é maior, para qualquer linhagem. E, no caso da Ômicron, a terceira dose ajuda a proteger mais", diz.

Nesta terça, o número de novas infecções notificadas foi de 170.282. No total, o Brasil tem 633.894 mortos e 26.775.419 casos da doença. Os dados diários do Brasil são do consórcio de veículos de imprensa formado por Estadão, G1, O Globo, Extra, Folha e UOL em parceria com 27 secretarias estaduais de Saúde, em balanço divulgado às 20h. Segundo os números do governo, 23.101.660 pessoas estão recuperadas.

O Estado de São Paulo registrou 445 mortes por coronavírus nesta terça. Outros oito Estados superaram a barreira de 30 óbitos: Rio Grande do Sul (105), Rio de Janeiro (89), Paraná (79), Bahia (64), Minas Gerais (56), Santa Catarina (48), Goiás (46) e Ceará (38). No lado oposto, Roraima registrou apenas uma morte.

O balanço de óbitos e casos é resultado da parceria entre os seis meios de comunicação que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 Estados e no Distrito Federal. A iniciativa inédita é uma resposta à decisão do governo Bolsonaro de restringir o acesso a dados sobre a pandemia, mas foi mantida após os registros governamentais continuarem a ser divulgados.

Nesta terça, o Ministério da Saúde informou que foram registrados 177.027 novos casos e mais 1.189 mortes pela covid-19 nas últimas 24 horas. No total, segundo a pasta, são 26.776.620 pessoas infectadas e 633.810 óbitos. Os números são diferentes do compilado pelo consórcio de veículos de imprensa principalmente por causa do horário de coleta dos dados.

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