DIDA SAMPAIO/ESTADAO
Ministro da Saúde concedeu informações à imprensa nesta quarta DIDA SAMPAIO/ESTADAO

Brasileiro com coronavírus se reuniu com 30 familiares; média de infecção é de mais três pessoas

Todos os familiares estão sob monitoramento da vigilância sanitária. Empresário de 61 anos viajou para a Europa sozinho e a negócios. Ele desembarcou em Cumbica na sexta-feira, 21

Mateus Vargas, Daniel Weterman e Isabela Palhares, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2020 | 17h03

BRASÍLIA E SÃO PAULO - O brasileiro de 61 anos infectado pelo novo coronavírus, primeiro caso confirmado da doença no Brasil, reuniu-se em uma confraternização com cerca de 30 parentes no domingo de carnaval, dia 23, um dia antes de procurar um hospital apresentando sintomas da doença. Todos os familiares estão sob monitoramento da vigilância sanitária. Segundo o Ministério da Saúde, apesar destes contatos, cada infectado, em média, transmite a doença para outras duas ou três pessoas. 

"Não vamos imaginar que teremos 80 novos portadores do vírus porque alguém teve contato com 80 pessoas", disse nesta quarta-feira, 25, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo. "Significa que o contato precisa ser um mais próximo para que haja infecção", reforçou o secretário. De acordo com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), serão contatados também 16 passageiros que estavam nas duas fileiras da frente ou ao lado do brasileiro infectado. 

O governo informou que o paciente brasileiro de novo coronavírus não usou transporte público enquanto esteve no Brasil, o que poderia ampliar as possibilidades de infecção. Apesar de ser considerado um caso que exige "alta vigilância", a esposa deste homem não apresenta sintomas da doença, disse Mandetta. "É um caso que a gente monitora (o da esposa). Só passa a ser suspeita se tem quadro febril", afirmou o ministro.

O paciente brasileiro está em isolamento domiciliar junto com a família. Ele deve voltar para a "vida normal" assim que deixar de apresentar os sintomas, disse o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson Oliveira.

Os cerca de 30 familiares que tiveram contato com o empresário de 61 anos diagnosticado com o coronavirus ainda não apresentaram nenhum sintoma da doença, segundo a Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo. "É uma situação muito dinâmica e esse quadro pode mudar. Mas o que podemos afirmar é que, até esse momento, nenhum deles apresentou sintomas" , disse Alberto Kanamura, secretário-executivo da pasta. 

O empresário está em isolamento na própria casa, que fica na zona sul da capital (o bairro não foi informado), acompanhado apenas da esposa. Eles estão em ambientes separados. Segundo Kanamura, a mulher do paciente não apresentou sintomas até o momento.  "O quadro dele está evoluindo muito bem", disse Kanamura. O empresário terá que ficar em isolamento enquanto apresentar os sintomas da doença, o que pode variar.

Além dos familiares do paciente, outras oito pessoas são monitoradas por terem tido contato com ele durante o vôo de Paris a São Paulo. Quatro delas são da cidade de São Paulo, uma de Campinas, uma de Jundiaí e quatro de Porto Alegre. Elas estavam nas poltronas mais próximas ao empresário. 

Paris, Turim, Verona e São Paulo: o caminho do 1º brasileiro com coronavírus

Empresário, de 61 anos, o primeiro brasileiro a contrair o novo coronavírus viajou para a Europa sozinho e a negócios, em voos de ida e volta pela Air France. Ele saiu de São Paulo em 9 de fevereiro, com conexão em Paris, com destino a Turim, no norte da Itália. Da cidade italiana, também viajou para Verona, antes de repetir o trajeto de volta. Em Turim, chegou a ter a temperatura escaneada no aeroporto. 

Assintomático e sem utilizar máscara durante toda a viagem, embarcou no Aeroporto Charles Charles de Gaulle, em Paris, no dia 20 de fevereiro, e desembarcou no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, na sexta-feira, 21 de fevereiro. 

Na data em que retornou ao Brasil, chegou a passar no escritório de trabalho e foi para casa, na região sul da capital paulista. Ele ficou em casa no sábado. No domingo, almoçou com cerca de 30 pessoas, majoritariamente familiares, na casa de um dos filhos. Entre os parentes, dois adultos e uma criança são moradores de Vinhedo e estão em monitoramento e permanecem em isolamento domiciliar, segundo a prefeitura da cidade. Após o almoço, apenas uma neta do paciente apresentou algum possível sintoma de virose, uma tosse, a qual também está em acompanhamento. 

Na noite de domingo, 23, o idoso teve febre, tosse, dor de garganta e hiperemia (aumento do volume sangüíneo localizado num órgão ou parte dele, com conseqüente dilatação vascular, por alteração no sistema pressão arterial). Ele procurou atendimento médico na unidade do Hospital Albert Einstein do Morumbi, na zona sul, na segunda-feira, 24, em que foi fez exames e foi recomendado a permanecer em quarentena domiciliar de 14 dias.

Atualmente, o paciente não apresenta mais sintomas da virose e está bem, mas continua utilizando máscara. Ele passa a maior parte do tempo no quarto e para não tem contato com a esposa (que está assintomática). Ele não chegou a ter contato com o filho de 16 anos, que retornou do litoral nesta semana.

A orientação é que empresário não compartilhe talheres com os demais moradores, além de ter as roupas lavadas e o lixo descartado separadamente. 

As demais pessoas que tiveram contato com o empresário não precisam permanecer em quarentena e podem sair de casa. Relatos da equipe de saúde que mantém contato com o paciente apontam que toda a família é bastante colaborativa e costuma tirar diversas dúvidas sobre procedimentos do dia a dia por meio de mensagens de celular. /COLABOROU ​PRISCILA MENGUE

Encontrou algum erro? Entre em contato

Brasil cobra da OMS classificação do novo coronavírus como 'pandemia'

Medida seria um reconhecimento de que a doença não está restrita a uma região e permitiria ampliar lista de alerta de países para a doença

Mateus Vargas e Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2020 | 15h55

BRASÍLIA - O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), cobrou nesta quarta-feira, 26, que o avanço do novo coronavírus (Covid-2019) seja considerado uma pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS).  Esta medida seria um reconhecimento de que a doença infecta, simultaneamente, pessoas ao redor do mundo, ou seja, não está restrita a uma região, e permitiria ampliar a lista de alerta de países para a doença.

Hoje, a OMS considera a doença uma emergência global, colocando em alerta apenas países em que há transmissão interna "consistente" da doença, com mais de 5 infecções dentro do mesmo território. Ou seja, que não foram "importadas" de outras nações. 

Na segunda-feira, o Ministério da Saúde adicionou mais oito países na lista de alerta do novo coronavírus, incluindo os primeiros três da Europa: Itália, Alemanha, França. Além desses, entram no rol do governo federal Austrália, Filipinas, Malásia, Irã e Emirados Árabes.

Isso significa que serão considerados suspeitos da doença passageiros que estiveram nesses locais e que apresentem sintomas da doença, como febre e tosse. O novo enquadramento, antecipado pelo Estado, é resultado da confirmação da transmissão do vírus dentro desses países.

Antes da nova definição, pessoas com sintomas de gripe vindas da Itália, por exemplo, não recebiam atenção especial da vigilância sanitária brasileira, pois a suspeita do novo coronavírus era descartada na hora. Agora, haverá um protocolo específico pelo qual, caso o passageiro tenha febre associada a algum outro sintoma, será enquadrado automaticamente como caso suspeito.

O critério para o Brasil aumentar a lista foi o definido pela OMS, de países onde houve mais de 5 casos confirmados de transmissão interna. Mas  o governo brasileiro defende a inclusão na lista de todas as nações onde tenham pessoas infectadas, mesmo que a transmissão interna não tenha começado. 

Isso evitaria que autoridades sanitárias descartem como suspeito o caso de uma pessoa que apresente sintomas do coronavírus, mas que  não esteve em países em alerta. O protocolo considera a possibilidade da doença apenas para quem esteve em locais deste rol.

Os Estados Unidos, por exemplo, onde há 53 casos confirmados até esta quarta-feira, 26, não estão na lista de alerta, pois não há transmissão interna. Pela proposta de Mandetta - que ainda precisaria de mudança de posição da OMS -, o sistema de vigilância em saúde do Brasil iria considerar a possibilidade de novo coronavírus em paciente que esteve nos EUA e apresenta febre e outro sintoma gripal.    

"Muito em breve a OMS terá de considerar o novo coronavírus como pandemia. Aliás, já tem critérios para (considerar). Já deveriam ter inclusive dado nota sobre", disse Mandetta em coletiva de imprensa para anunciar a confirmação do primeiro caso da doença no Brasil.

O ministro da Saúde reconhece que o Brasil pode ter ignorado diagnósticos desta doença apenas porque o paciente não esteve em países da lista. "Você não tem como saber se uma pessoa, mesmo assintomática, não é portadora", disse.

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou nesta quarta-feira, porém, que não se deve ter pressa de classificar o surto do novo coronavírus como uma pandemia, embora o número de casos da doença fora da China tenha aumentado significativamente nos últimos dias. "Não devemos ficar muito ansiosos em declarar uma pandemia sem uma análise cuidadosa e lúcida dos fatos", afirmou Tedros.

Segundo Tedros, a China relatou até agora 78.190 casos do coronavírus para a OMS, incluindo 2.718 mortes. Fora da China, há 2.790 casos em 37 países e 44 óbitos, acrescentou.

A lista de alerta de novo coronavírus tem sido ampliada pelo Brasil desde a semana passada, seguindo recomendações da OMS. Além dos países incluídos na segunda-feira, o Brasil a lista inclui outros 8 países: China, Japão, Cingapura, Coreia do Sul, Coreia do Norte, Tailândia, Vietnã e Camboja.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Estado de São Paulo terá centro de contingência do coronavírus

Objetivo é monitorar e coordenar ações contra a propagação do novo coronavírus após primeiro caso brasileiro da doença ter sido confirmado na capital

Isabela Palhares, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2020 | 15h18

SÃO PAULO - Após a confirmação do primeiro caso de uma pessoa infectada com o coronavírus no Brasil – um homem de 61 anos que vive em São Paulo e tinha viajado para a Itália – o governo do Estado decidiu criar um centro de contingência. O objetivo é monitorar e coordenar ações contra a propagação do novo coronavírus.

O centro, que será presidido pelo infectologista David Uip, será composto por profissionais do Instituto Butantan, médicos especialistas das redes pública e privada, e terá a supervisão do secretário de Estado da Saúde, José Henrique Germann. 

A equipe definiu na manhã desta quarta-feira, 26, os quatro hospitais que servirão de referência para o atendimento de casos graves, o Hospital das Clínicas de São Paulo (HCFMUSP), o Instituto de Infectologia Emílio Ribas, o HC de Ribeirão Preto, HC de Campinas, Hospital da Base de São José do Rio Preto e Emílio Ribas 2 no Guarujá. As seis unidades contam juntas com 4 mil leitos, sendo mil de UTI. 

"São mil leitos para as pessoas que forem diagnosticadas e tiverem quadro grave. Precisamos lembrar que o isolamento é técnico, nós temos tecnologia para isso e não é como o isolamento de antigamente. Nós isolamos o paciente, não a ala ou hospital inteiro", disse Uip. 

O infectologista, no entanto, destacou que a população não deve ficar alarmada com a circulação do vírus no País. Segundo ele, o Brasil tem experiência no controle de endemias e epidemias. "Nós barramos o H1N1 e outras infecções virais. Essa não é uma situação inédita para o País".   

O primeiro caso de Covid-19 no Brasil foi diagnosticado na terça-feira, 25, em um paciente do Hospital Israelita Albert Einstein. O hospital fez o primeiro exame, que depois foi confirmado pelo Instituto Adolfo Lutz, laboratório de referência nacional para análise de amostras casos suspeitos. O paciente esta estável, isolado em sua casa. Há outros 11 casos suspeitos na cidade. 

Conforme detalhado nesta quarta-feira pelo Ministério da Saúde. Ele chegou a São Paulo na sexta-feira, sem nenhum sintoma, em um voo que saiu do aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, depois de ter ficado na região da Lombardia, na Itália, onde os casos se concentram naquele país, entre os dias 9 e 20 de fevereiro. 

Ele teve uma reunião de família com cerca de 30 pessoas no almoço e domingo e começou a sentir os sintomas logo depois. Foi para o hospital na segunda à noite e diagnosticado na terça. Pessoas que estavam próximas dele no avião e com quem ele se encontrou então sendo contactadas pelos agentes de saúde.

O hospital resolveu testá-lo para o coronavírus depois que o Ministério da Saúde tinha ampliado o rol de países dos quais viajantes deveriam ficar atentos para sintomas

Além da Itália, Austrália, China, Coreia do Sul, Coreia do Norte, Camboja, Filipinas, Japão, Malásia, Vietnã, Cingapura, Tailândia, Alemanha, França, Irã e Emirados Árabes Unidos estão na lista de locais de origem ou transição definida pelo Ministério da Saúde no início da semana.  A mudança levou em conta o aumento de casos registrados fora do território chinês.

As autoridades de saúde pedem que pessoas que apresentarem os sintomas e tiverem um histórico de viagem para uma área com circulação do vírus ou mesmo que tenham tido contato com algum caso suspeito ou confirmado laboratorialmente que procurem um serviço de saúde mais próximo. "Quem apresentar sintomas, deve procurar uma unidade de saúde. Também deve usar máscaras se houver qualquer suspeita", disse Uip. 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Alta procura faz máscaras cirúrgicas sumirem de farmácias do centro de SP

População compra para levar em viagem ao exterior ou enviar para familiares que moram em países que estão com risco de transmissão de coronavírus; novos lotes chegarão com preços reajustados, segundo funcionários

Renata Okumura e Marcia de Chiara, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2020 | 14h27
Atualizado 27 de fevereiro de 2020 | 05h57

SÃO PAULO - Farmácias do centro da capital paulista estão sem máscaras cirúrgicas nas prateleiras. Desde o início do ano, o medo do coronavírus fez aumentar a procura pelos produtos, principalmente por parte de pessoas que estão com viagem marcada ou por quem tem parentes em países com registro de mortes e casos confirmados para a doença. Nos últimos dias, a procura aumentou ainda mais.

“Várias redes de farmácias informaram que estão com estoques  zerados ou com dificuldade de conseguir esse item”,  afirmou Sergio Mena Barreto, presidente da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), que reúne as 26 maiores redes de farmácia do País.

Barreto explicou que, antes da epidemia, a demanda por máscaras nunca foi tão alta e estava restrita a usos específicos. Mas quando eclodiu a doença na China, 30 dias atrás, a procura pelo produto aumentou muito e distribuidores não tinham máscaras para entregar.

Novos casos confirmados estão surgindo na Europa. Dezenas de novas infecções no Irã também intensificam os temores de uma propagação descontrolada do vírus no Oriente Médio. Nesta quarta-feira, 26, o Ministério da Saúde confirmou o primeiro caso de coronavírus no Brasil, como havia sido antecipado na terça-feira, 25. Há outros 20 casos suspeitos.

Uma parte das máscaras vendidas no Brasil é comprada pronta da China. Outra parte é fabricada localmente, mas usa insumos produzidos no país asiático. Com o avanço da epidemia na China, o consumo interno explodiu e os produtos (máscaras prontas e insumos) deixaram de ser exportados para abastecer o mercado doméstico, disse Barreto. 

"Muitos chineses querem comprar máscaras porque vão viajar ou enviar para familiares que moram fora do Brasil. Em média, vinte pessoas passam por dia pela loja em busca de máscaras. Quando os produtos chegam, acabam no mesmo dia ou no máximo no dia seguinte. Hoje não temos mais. Algumas pessoas também ligam e outras querem encomendar", disse Ana Paula Souza Miranda, farmacêutica, de 31 anos.

A vendedora Stefani de Souza, de 28 anos, saiu às 8 horas nesta quarta-feira para comprar máscaras para os patrões que são chineses e estão com viagem marcada. "Procurei na 25 de março, no São Bento, no Anhangabaú e na República". Perto do meio-dia, ainda não tinha encontrado. "Eles vão para a China e pediram para eu comprar 50 unidades de máscaras. Não é para usar aqui. Achei que seria fácil achar, mas não é".

"Sempre que acaba comunicamos o responsável pelas compras da rede, mas nem sempre tem como enviar logo. Antes ninguém procurava por máscaras". No estabelecimento, o pacote com 100 máscaras brancas descartáveis até a semana passada custava R$ 25,90. "O novo lote, previsto para chegar até sexta-feira, 28, virá com reajuste e sairá por R$ 29,90", adiantou a farmacêutica Ana Paula.

O Grupo DPSP, dono das bandeiras Drogarias Pacheco e Drogaria São Paulo, informou que houve aumento de 53,5% na venda de máscaras descartáveis e de 172% de álcool em gel neste mês até a última terça-feira, em suas lojas espalhadas por seis praças, comparado com o mesmo período do ano passado. A maior taxa de crescimento de vendas de máscaras foi registrada na lojas do Grupo localizadas no Distrito Federal, com aumento de 289,3% neste mês em relação a 2019. No caso do álcool em gel, o maior avanço nas vendas ocorreu na Bahia, de 332% no período. A empresa informou, por meio de nota, que, por enquanto, não identificou a falta dos produtos na sua rede de lojas.

Quando sentiu a forte demanda por máscaras três semana atrás, Barreto contou que uma rede de farmácias de Minas Gerais reforçou os estoques  e comprou o equivalente a mais de um ano de  vendas do produto. Agora essa empresa está revendendo esse item pelo site da companhia, inclusive para outros estados.

A Extrafarma, por meio de nota, confirmou que houve aumento da procura de itens como máscara e álcool em gel e  informou que “está se preparando para a maior demanda”. Já a Descarpack, fabricante de descartáveis informou, por meio de nota, que verificou “aumento considerável” na procura por máscaras e luvas, desde o início da epidemia de coronavírus. A empresa disse que está fazendo de tudo para atender à demanda.

A assistente financeira Jéssica Braga, de 27 anos, foi uma das que passaram a usar máscara. Nesta quarta-feira, 26, ela já pegou o metrô com a proteção. “Por indicação da minha amiga, médica. Pego metrô todo dia para o trabalho, é zona de fácil contágio. Tento me prevenir como posso.”

O Estado percorreu farmácias do centro da capital paulista nesta manhã de quarta-feira. Todas disseram não ter o produto para venda e muitas sem previsão de chegada. Todos os estabelecimentos, porém, adiantaram que o novo lote virá com valor reajustado.

Somente em uma loja de produtos descartáveis na Galeria Califórnia, na Rua Barão de Itapetininga, na República, região central, o Estado encontrou dois tipos de máscaras - branca e azul - na prateleira. "A procura aumentou, mas ainda temos bastante e um novo lote de 3 mil unidades chegará nos próximos dias", disse Nilma Souza.

No estabelecimento, o pacote com 100 unidades varia de R$ 16 a R$ 25,90, dependendo do modelo. "O novo lote virá com reajuste", adiantou Nilma. Na prateleira do estabelecimento, junto com as máscaras apareciam embalagens de álcool em gel. "A procura também é grande por álcool em gel, embalagens de 500 ml e de 5 litros", afirmou Nilma. O pote com 500 ml é vendido por R$ 9,5 e o galão de 5 litros, por R$ 44.

Para se precaver, a ascensorista Maria José, de 57 anos, aproveitou e comprou máscaras descartáveis e álcool em gel. "Já temos um caso confirmado no Brasil. Dá receio. Vou usar porque trabalho dentro de elevador. Vou comprar para mim e minha família. Espero que tenham máscaras para toda a população, em caso de necessidade".

Em outra farmácia, o auxiliar da loja Cleidiomar Barreto, de 30 anos, afirmou que não havia previsão para a chegada de mais máscaras. "Desde que surgiram informações do coronavírus, a procura aumentou. Querem encomendar. Muitos asiáticos procuram para mandar para familiares que moram fora porque lá também está em falta. Vamos até colocar uma placa na frente da loja avisando que não temos unidades para vender no momento".

Para Entender

Coronavírus: veja o que já se sabe sobre a doença

Doença está deixando vítimas na Ásia e já foi diagnosticada em outros continentes; Organização Mundial da Saúde está em alerta para evitar epidemia

A administradora Rosana Kamia, de 47 anos, foi uma das clientes que veio até a loja em busca de máscaras. "Estou procurando máscara para uso pessoal. Tenho receio, por causa da doença, mas não encontrei em nenhuma farmácia".

Algumas redes farmacêuticas avisam seus clientes por Whatsapp sempre que chega um novo lote. "Enviamos uma mensagem aos consumidores que nos pedem encomenda. A última cliente veio esses dias porque precisava comprar para mandar para o filho que mora na Itália. Ela disse que ele não encontrou mais no país. Assim que avisamos, ela veio comprar", disse o auxiliar de farmácia Ewerton Vinicius, auxiliar de farmácia, de 26 anos. "Já fizemos novos pedidos, mas sem previsão de chegada. Por causa do carnaval, também atrasou". 

Devo usar máscaras? Quando buscar atendimento médico?

Infectologistas ouvidos pelo Estado recomendaram ainda que a população não entre em pânico e que, em caso de doenças respiratórias, só busque atendimento médico se sintomas como febre, tosse e coriza persistirem.

Como evitar o coronavírus

De acordo com o Ministério da Saúde, medidas podem ser incorporadas no dia a dia para reduzir o risco de contaminação e transmissão do vírus.

  • Lavar as mãos frequentemente com água e sabonete por, pelo menos, 20 segundos. Se não houver água e sabonete, usar um desinfetante para as mãos à base de álcool
  • Evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas
  • Evitar contato próximo com pessoas doentes
  • Ficar em casa quando estiver doente
  • Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar com um lenço de papel e jogar no lixo
  • Limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados com frequência

Encontrou algum erro? Entre em contato

Ministério da Saúde quer antecipar vacinação contra gripe

Vacina da gripe não previne contra coronavírus, mas autoridades avaliam que imunização facilita diagnóstico de pacientes com sintomas semelhantes

Daniel Weterman e Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2020 | 14h14

BRASÍLIA - O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, reforçou a intenção de antecipar a campanha de vacinação contra a gripe no Brasil após o primeiro caso confirmado de coronavírus no País. A vacina contra gripe não previne contra o coronavírus. As autoridades, porém, avaliam que a imunização facilita o diagnóstico para separar os casos quando há sintomas como febre e tosse.

A vacinação está prevista para começar entre a última quinzena de março e o início de abril.  "Se tivermos como antecipar, podemos começar pelo Rio Grande do Sul. O inverno chega um mês antes no Sul do Brasil", afirmou o ministro.   

O Instituto Butantan, que produz as doses, poderá concluir a fabricação da vacina e possibilitar uma antecipação. "Vamos poder antecipar. O que eu não posso dizer é em quanto tempo será essa antecipação", disse o secretário estadual de Saúde de São Paulo, José Henrique Germann Ferreira. O instituto é ligado ao governo paulista. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.