Brasileiro considera intermediária produção científica do país

26,7% dos entrevistados concluíram que o País é atrasado em ciência e tecnologia, segundo pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia

Agência Brasil,

11 Janeiro 2011 | 10h54

Para o brasileiro, a produção científica e tecnológica nacional está na posição intermediária, segundo identificou uma pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia. Conforme o levantamento, feito em 2010, 49,7% das pessoas ouvidas acharam que a ciência e tecnologia no Brasil está na posição intermediária, 19,7% consideram que a posição do país em conhecimento científico e tecnológico é avançada e 26,7% concluíram que o Brasil é atrasado no tema.

 

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Na pesquisa anterior, feita em 2006, os percentuais eram de 45%, 18% e 33% respectivamente. Para o coordenador da pesquisa e diretor do Departamento de Popularização e Difusão da Ciência e Tecnologia do ministério, Ildeu Moreira, a opinião do brasileiro está correta. "A ciência brasileira teve avanços magníficos em algumas áreas, como agricultura e exploração do petróleo e em outras, não. A apreciação está correta", afirmou.

 

Na opinião dos entrevistados, o desenvolvimento do setor não é maior por causa de recursos insuficientes (31%), de laboratórios mal equipados (16,3%) e do pequeno número de cientistas e pesquisadores (12,3%).

 

A pesquisa ouviu 2.016 homens e mulheres com idade superior a 16 anos, de 23 de junho a 6 de julho de 2010, em todas as regiões do país. O grau de escolaridade do entrevistado variou do ensino fundamental incompleto ao ensino superior completo, com renda de um salário mínimo (equivalente a R$ 510) a acima de 20 salários mínimos (mais de R$ 10,2 mil).

 

Má distribuição de espaços

 

A pesquisa também revelou que 36,8% dos brasileiros não visitam ou participam de evento científico porque não existe um espaço desse tipo onde vivem. De acordo com os dados, apenas 8,3% já foram a um museu ou centro de ciência e tecnologia e 4,8% participaram da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, evento promovido pelo governo federal em que são mostradas as experiências científicas e tecnológicas de institutos de pesquisa, universidades e de escolas do ensino fundamental e médio.

 

O locais mais procurados pelos entrevistados quando buscam conhecimento são as bibliotecas (28,7%) e os jardins zoológico e botânico, cerca de 22% cada um. O coordenador da pesquisa, Ildeu Moreira, que dirige o Departamento de Popularização e Difusão da Ciência e Tecnologia do ministério, reconhece a má distribuição dos espaços de ciência e tecnologia no país. Segundo ele, a maioria está no Rio de Janeiro e São Paulo, enquanto a Região Norte sequer tem um planetário ou museu.

 

Ele espera que os resultados da pesquisa sirvam para estimular programas de expansão de museus científicos e tecnológicos. O professor sugere também melhor aproveitamento dos espaços visitados pelos brasileiros. "Vamos aproveitar que as pessoas vão para o jardim zoológico ou botânico para ensinar ciência", afirmou.

 

Os dados fazem parte da pesquisa feita, de junho a julho de 2010, pelo ministério e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Foram ouvidas 2.016 pessoas, com idade superior a 16 anos e diferente nível de escolaridade e renda.

 

A pesquisa mostra que a maior parte da população também não sabe o nome de cientistas e instituições científicas brasileiras. Quase 82% não souberam citar o nome de uma instituição que se dedique à pesquisa no país. As instituições mais mencionadas pelos 17,9% que se lembraram do nome de pelo menos uma foram o Instituto Butantan, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Petrobrás.

 

Quando a pergunta era se o entrevistado conhecia algum cientista brasileiro, 87,6% disseram que não e somente 12,2% citaram um nome. Os mais lembrados foram Oswaldo Cruz, Carlos Chagas e Vital Brazil. "Não se discute a história da ciência e tecnologia nas escolas. Essa é uma deficiência grave", disse o professor Ildeu Moreira.

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