Brasileiro não abre mão do arroz e feijão, mas alimentação tem baixo teor nutritivo

Pesquisa do IBGE mostra que 61% da população ultrapassa a recomendação do Ministério da Saúde com relação à ingestão de açúcar

Alexandre Rodrigues, Clarissa Thomé e Daniela Amorim, de O Estado de S. Paulo ,

28 Julho 2011 | 10h00

RIO - O brasileiro combina a tradicional dupla feijão e arroz com carne e uma seleção de alimentos de alto índice calórico, mas de baixo teor nutritivo. E ainda abusando do sal e do açúcar. É o que revela a Análise do Consumo Alimentar Pessoal no Brasil, estudo realizado pela primeira vez pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a partir de uma subamostra de domicílios da última Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF 2008-2009).

 

O alimento mais ingerido no País é o café, que lidera o ranking da média de consumo diário per capita de itens avaliados pelo IBGE. Em média, cada pessoa bebe todos os dias 215,1 ml. O feijão é o segundo da lista, com um consumo diário médio de 182,9 g. A pesquisa mostra que os brasileiros consomem um pouco menos de arroz, cerca de 160,3 gramas, mas recorrem ao alimento com maior frequência em relação ao feijão.

 

 

Para realizar a pesquisa, o IBGE pediu a 34 mil moradores de 13,5 mil domicílios selecionados em todo o País que registrassem o seu consumo diário de alimentos em dois dias não consecutivos. O consumo de arroz foi reportado por 84% dos entrevistados em pelo menos um dos dias avaliados, enquanto o de feijão apareceu em 72,8% das comunicações. Já o consumo de carne bovina foi relatado por 48,7%.

 

O levantamento também mostrou que, em quantidade, o brasileiro está comendo mais carne do que pão. O consumo médio per capita de carne bovina é de 63,2 gramas por dia, enquanto que o de pão de sal (francês) é de 53,0 gramas. O alto consumo de proteína é um aspecto aparentemente positivo, se não for considerado que é uma média. Há uma parcela da população comendo mais carne do que outras. Curiosamente, o maior consumo de carne não está entre os 25% mais ricos, mas na fração intermediária da população com rendimento per capita entre R$ 571 e R$ 1.089: quase 71 gramas por dia.

 

O consumo de pão integral, mais saudável do que o francês, é de menos de um grama diário. A pesquisa mostra que os alimentos mais ricos em fibras, nutrientes e livres de elementos como gorduras saturadas têm consumo baixo entre os brasileiros, sobretudo os adolescentes, que preferem sanduíches, biscoitos e pizzas.

 

O consumo calórico diário médio do brasileiro determinado pela pesquisa é de 2.044 Kcal. Os homens são os que mais ingerem calorias (2.289 Kcal na faixa dos 14 a 18 anos) e colesterol (231,1mg a 282,1mg em todas as faixas etárias). O consumo energético dos idosos é o mais baixo, em ambos os sexos: entre 1.490 kcal e 1.796 kcal/dia. Pouco mais de 40% dos entrevistados reportou comer pelo menos uma vez no dia fora de casa, mas essa fonte de alimentação representa, em média, 16,2% do consumo energético total diário do indivíduo.

 

Menos de 10% da população atingem as recomendações do Ministério da Saúde de ingerir pelo menos 400 gramas diárias de frutas, verduras e legumes. Apenas 16% dos entrevistados reportaram ter comido salada crua em pelo menos um dos dois dias avaliados.

Já o abuso do açúcar está no cotidiano dos 61% da população que ultrapassam a recomendação de ter nesse item a fonte de no máximo 10% da ingestão calórica total diária. A média brasileira é 14%. Esse limite é ultrapassado pela média de todas as faixas etárias. No caso dos adolescentes de 10 a 13 anos, o açúcar chega a representar 21,3% do consumo calórico total. Por outro lado, são eles os que menos consomem salada crua: 8,8 gramas por dia contra 16,4 gramas dos adultos e 15,4 gramas dos idosos.

 

Essa alta inadequação do brasileiro em relação ao açúcar pode ser expressa na grande ingestão de refrigerantes e sucos e refrescos em pó. Os brasileiros bebem, em média, 94,7 ml de refrigerantes por dia. Já o consumo diário de sucos e refrescos, outra fonte de açúcar, chega a 145 ml em média. Tendo em vista que o consumo dos dois grupos só foi reportado por 23% e 40% da amostra, respectivamente, a ingestão de quem tem esses produtos no cotidiano é bem maior. Óleos e gorduras aparecem na comunicação de 37,8% da amostra.

 

O trabalho mostrou ainda que o brasileiro também abusa do sal. A média populacional de ingestão de sódio no Brasil ultrapassa 3.200 mg. O Ministério da Saúde recomenda que esse teor fique em 2.300 mg diários. A causa está no elevado consumo de itens processados, especialmente entre as classes mais altas. Já o consumo de fibras fica abaixo do recomendado, principalmente entre os que reportam consumo de salgados, refrigerantes, biscoitos e pizza.

 

Essas e outras inadequações alimentares foram detectadas pela pesquisa em todas as regiões do País, o que ajuda a estimar a proporção da população que pode estar prejudicando a saúde alimentando-se fora dos padrões recomendados.

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