Marie Hippenmeyer
Marie Hippenmeyer

'Brasileiro tem mais medo de viajar com o dólar a R$ 4,75 do que de vírus', diz aérea Azul

Presidente e fundador da companhia falaram ao 'Estado' sobre as medidas de higiene e segurança contra o avanço do coronavírus. O avião, disseram, é 'o lugar mais seguro que existe'

Entrevista com

John Rodgerson e David Neeleman, da Azul

Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2020 | 15h00

Em entrevista ao Estado, o presidente da Azul Linhas Aéreas, John Rodgerson, e o fundador e presidente do conselho da administração da Azul, David Neeleman, disseram que o interior de uma aeronave é o local mais seguro para se evitar o coronavírus e que a alta do dólar é mais impactante para o negócio do que o vírus. “O sistema de filtro de ar dentro de uma aeronave é o mesmo que é usado em hospitais ou dentro de uma UTI. Viajar na aeronave é super seguro. O ar é filtrado a cada dois minutos em uma aeronave. É o lugar mais seguro que existe”, disse Rodgerson.

Além disso, segundo Neeleman, as aeronaves estão sendo limpas com mais frequência – depois de cada voo e à noite. “Os tripulantes não estão voando se sentem algum sintoma. Nós damos máscaras para os tripulantes que querem usar”, disse. “Se você tem tosse ou gripe, não viaje; se está com idade avançada, e sintomas de coronavírus; não viaje. O resto deve viajar tranquilamente. O podemos fazer agora é não ter pânico e lavar as mãos. Vida que segue. E vamos cuidar das pessoas que estão em situação de risco”, completou Rodgerson.

Os destinos internacionais da Azul são Portugal e Florida (EUA). Existem voos para Buenos Aires e Montevidéu também. A partir do dia 15 de junho, a Azul deve começar a voar para Nova York. A seguir:

Como o coronavírus tem impactado a Azul?

John Rodgerson - Nós estamos mais preocupados com o dólar do que com o coronavírus aqui. O brasileiro tem mais medo de viajar quando o dólar está a R$ 4,75 do que com o vírus em si.  O  que eu quero dizer é que nos voos domésticos nossa demanda é boa, estável. O maior impacto são nos voos internacionais – o que é normal. Isso tem a ver com o vírus e com o dólar. Eu sempre falo que o Brasil tem problemas suficientes e não precisa importar problemas do outro lado do mundo. O Brasil está começando um processo de recuperação econômica. Por isso, a demanda existe. As pessoas estão viajando e estão fechando negócios. O que nós temos que fazer como país e como indústria é não ter pânico nesse momento. Precisamos manter a calma. O Brasil já passou por coisas piores do que isso – tem a gripe normal, tem dengue... Nós temos que fazer as coisas certas, como lavar as mãos, limpar as aeronaves... Fazer tudo, mas seguir com a vida normal.

David Neeleman - A cada dia que passa as pessoas estão ficando mais confortáveis com o risco.

Rodgerson - Agora, se abre a oportunidade para as pessoas viajarem  dentro do país. Podem aproveitar para conhecer as praias do nordeste, por exemplo. O sistema de filto de ar dentro de uma aeronave é o mesmo que é usado em hospitais, dentro de uma UTI. Viajar na aeronave é super seguro. O ar é filtrado a cada dois minutos em uma aeronave. É o lugar mais seguro.

Quais são as rotas internacionais da Azul e como elas estão sendo afetadas?

Neeleman - Voamos para Portugal, Florida (EUA), Buenos Aires, Montevidéu...Não tem muito caso em Portugal. E na Florida também não. Essas não são áreas de risco. Para NY começaremos a voar a partir do dia 15 de junho, ma data continua mantida.

Rodgerson - O brasileiro vai para Florida para fazer compras. Então, o impacto do dólar é maior. No mais, o vírus controlado no Brasil é uma oportunidade para convidar o estrangeiro a visitar o País. O mundo está sofrendo, mas nós temos belas praias e ótimos shoppings por aqui.

O que mudou nos protocolos para a tripulação e passageiros depois do coronavírus?

Rodgerson - Estamos limpando nossas aeronaves com mais profundidade - depois de cada voo e a noite. Os tripulantes não estão voando se sentem algum sintoma. Nós damos máscaras para quem quer usar, a maioria dos nossos tripulantes não quer usar. Agora, se você tem tosse, gripe, não viaje, se está com idade avançada e sintomas não viaje. O resto deve viajar tranquilamente.

A Azul está ressarcindo passageiros que, por ventura, não queiram mais viajar.

Rodgerson - Para quem viaja para Itália, fazendo conexão via Lisboa, estamos tratando esses casos separadamente.

Vocês acham que está existindo um alarmismo em relação ao coronavírus?

Rodgerson- Não queremos minimizar o que está acontecendo. Mas vamos tratar com educação e boa comunicação. A cada dia que passa as pessoas ficam mais tranquilas - e vamos aprendendo com o que os outros países estão fazendo. O brasileiro já passou por coisas mais difíceis do que isso. A segurança é o primeiro valor na Azul. A gente não iria decolar se achasse que houvesse algum risco. A melhor coisa que podemos fazer agora é não ter pânico e lavar as mãos - vida que segue e vamos cuidar das pessoas que estão em situação de risco.

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