Miguel MEDINA / AFP
Um homem usa máscara protetora e brinca com pombos na Piazza del Duomo, no centro de Milão.  Miguel MEDINA / AFP

Brasileiros na Itália relatam ruas vazias e corrida por máscaras por causa de coronavírus

Norte de país europeu suspendeu eventos e até tradicional carnaval de Veneza; existe muito alarmismo, diz arquiteto

Marcelo Lima, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2020 | 05h01

Há três anos em Milão, o primeiro contato da jornalista brasileira Mari di Pilla com a situação de pânico por causa do novo coronavírus se deu na quinta-feira, 20, durante um desfile na semana de moda local. “Já se comentava bastante, mas ninguém ainda usava máscara. No dia seguinte, tudo mudou e o uso se generalizou. Até que no domingo dois desfiles importantes foram cancelados”, conta. No país europeu, já foram confirmadas sete mortes e há mais de 280 casos da doença

Um decreto do Ministério da Saúde, com disposições específicas e destinadas aos residentes da Lombardia, foco do surto em 11 cidades, cancela eventos e pede às pessoas um “toque de recolher voluntário”, ao “evitar frequentar lugares superlotados e de participar de manifestações”.

Entre as medidas extraordinárias, válidas até dia 1.º, há restrição na circulação entre as cidades afetadas, fechamento de 5.500 escolas, além de creches, teatros, cinemas e museus. No domingo, 23, o chefe da região do Vêneto, Luca Zaia, suspendeu até o tradicional carnaval de Veneza.

No esperado desfile de Giorgio Armani em Milão, os modelos desfilaram na passarela excepcionalmente sem plateia – jornalistas e compradores puderam acompanhar o evento ao vivo, mas pelas redes sociais. 

Moradora do agitado Naviglio, bairro central de Milão, famoso por sua vida noturna e seus canais navegáveis, projetados por Leonardo da Vinci, Mari aliás se surpreendeu com a ausência de pedestres no local.

Segundo o motorista de Uber brasileiro Wenderson, há dois anos em Milão, o movimento caiu ao menos 40%. “Ninguém quer saber de sair de casa." Cenas como a de El Duomo e do Ópera alla Scala fechados, famosos pontos turísticos, começam a correr o mundo.

Curadora do Salão Satélite, mostra que ocorre paralelamente ao Salão do Móvel de Milão, Marva Griffin teve de rever seus planos de viagem. Com conferência confirmada para março, em São Paulo, ela cancelou seu compromisso. “Nossa diretoria proibiu qualquer deslocamento de nosso staff para o exterior até segunda ordem. Jamais vi situação como esta.”

“Se fala de tudo e de modo confuso: isolamento, fechamento de escolas, cinemas, teatros. Mas a cada nova notícia, o resultado é o mesmo, com as pessoas correndo para estocar comida”, conta o arquiteto brasileiro Gustavo Minosso, há 12 anos em Milão. Apesar de continuar a frequentar seu escritório normalmente, Minosso tem evitado lugares fechados. Até o momento, não vê motivos para pânico. “Existe muito alarmismo."

Morador da pequena Bergamo, a cerca de trinta quilômetros de Milão, o agente da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Tomaso Raboni concorda com o arquiteto. Apesar da atmosfera geral na cidade ser de muita preocupação, com registro de desabastecimento generalizado, principalmente de álcool em gel, ele se mostra até otimista. “Acredito que a situação deve se estabilizar nos próximos dias. O vírus pode até se espalhar, mas apenas as pessoas debilitadas são mais vulneráveis."

Quem tem viagem marcada já revisa planos

Entre os brasileiros que pretendem se deslocar para Milão, ou arredores, nos próximos dias – e meses – a sensação geral é de espera. “Até o momento, não tivemos nenhum tipo de desistência”, diz a agente de viagens Simonetta Occhionero.

Um de seus clientes, no entanto, o empresário gaúcho Edson Busin, diretor de marketing da Dell Ano, já está revisando seus planos de viagem para o Salão do Móvel de Milão, marcado para abril. “Há seis meses programamos a viagem, mas na sexta faremos uma reunião final para decidir sobre nossa ida e, pelas notícias que temos até agora, a possibilidade de que ela não ocorra é bem grande.”

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Itália confirma sétima morte por coronavírus

O ministério da saúde italiano divulgou novo boletim informativo indicando que o número de mortes cresceu de seis para sete pessoas. Ao todo, o governo italiano contabiliza 283 pessoas afetadas

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2020 | 08h38

O ministério da saúde italiano divulgou nesta terça-feira, 25, novo boletim informativo sobre o coronavírus. O comunicado oficial indica que o número de mortes cresceu de seis para sete pessoas. Ao todo, o governo italiano informa contabilizar 283 pessoas afetadas pelo vírus. A região mais afetada é a Lombardia, com 212 pessoas infectadas e seis mortes. A região do Vêneto aparece em seguida, com 38 afetados e uma morte. A região da Emília Romana apresenta 23 casos, Piemonte, 3, e a região do Lazio outras três pessoas - sendo dois turistas chineses que estão hospitalizados desde 30 de janeiro. Há pessoas infectadas, ainda, na Toscana (2), Sicília (1) e Trentino (1).

A situação na Itália chama atenção das autoridades por conta da velocidade com que as mortes passaram a ser notificadas. A emergência fez com que missas fossem canceladas no norte da Itália, tudo por conta de um decreto do ministério da saúde com validade até 1º de março. A recomendação das autoridades é "evitar, na medida do possível, frequentar lugares superlotados e participar de manifestações e eventos públicos". Cerca de 5,5 mil escolas também foram fechadas, assim como creches, cinemas, discotecas e até museus.

As mortes e o aumento de casos fez com que brasileiros relatassem ao Estado uma situação preocupante no norte do país, a região mais afetada. Há ruas vazias e corrida por máscaras que evitem de alguma forma a transmissão do vírus. Segundo o motorista de Uber brasileiro Wenderson, há dois anos em Milão, o movimento caiu ao menos 40%. “Ninguém quer saber de sair de casa." Cenas como a de El Duomo e do Ópera alla Scala fechados, famosos pontos turísticos, começam a correr o mundo.

Curadora do Salão Satélite, mostra que ocorre paralelamente ao Salão do Móvel de Milão, Marva Griffin teve de rever seus planos de viagem. Com conferência confirmada para março, em São Paulo, ela cancelou seu compromisso. “Nossa diretoria proibiu qualquer deslocamento de nosso staff para o exterior até segunda ordem. Jamais vi situação como esta.”

O novo coronavírus já infectou mais de 80 mil pessoas em todo o mundo. Vale lembrar que a doença, por enquanto, tem maior incidência na China, onde foram relatados os primeiro casos. Somente na parte continental do país asiáticos são 2.663 mortes em 77.658 casos, principalmente na província de Hubei.

Situação no Brasil

Enquanto afirma ter controle da situação, o governo brasileiro anunciou ontem que vai monitorar passageiros vindos da Itália, mas também da França e Alemanha que apresentem sintomas. O ministro das relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou ontem ao Estado que o País acompanha a situação na Itália e seguirá as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS). 

Para entender mais sobre o novo coronavírus e seus impactos na saúde, o Estado preparou um infográfico que mostra os casos confirmados ao redor do mundo bem como uma lisrta de perguntas e respostas para orientar o leitor em caso de dúvida. Há ainda respostas para perguntas específicas sobre a situação na Itália, e para as pessoas com viagem marcada para aquele país. 

Confira a lista atualizada de casos e mortes notificadas

  • China: 77.658 casos e 2.663 mortes
  • Macau: 10 casos
  • Hong Kong: 81 casos e 2 mortes
  • Coréia do Sul: 977 casos e 11 mortes
  • Japão: 840 casos, 4 mortes (693 casos do navio Diamond Princess)
  • Cingapura: 90 casos
  • Austrália : 22 casos
  • Malásia: 22 casos
  • Vietnã: 16 casos
  • Filipinas: 3 casos e 1 morte
  • Camboja: 1 caso
  • Tailândia: 37 casos
  • Índia: 3 casos
  • Nepal: 1 caso
  • Sri Lanka: 1 caso
  • Estados Unidos: 53 casos
  • Canadá: 11 casos
  • Itália: 283 casos e 7 mortes
  • Alemanha: 16 casos
  • França: 12 casos e 1 morte
  • Reino Unido: 13 casos
  • Rússia: 2 casos
  • Espanha: 2 casos
  • Bélgica: 1 caso
  • Finlândia: 1 caso
  • Israel: 2 casos
  • Suécia: 1 caso
  • Croácia: 1 caso
  • Áustria: 2 casos
  • Irã: 95 casos, 14 mortes
  • Emirados Árabes Unidos: 9 casos
  • Kuwait: 8 casos
  • Omã: 2 casos
  • Egito: 1 caso
  • Líbano: 1 caso
  • Iraque: 1 caso
  • Afeganistão: 1 caso
  • Bahrein: 2 casos

 

 

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Milão se fecha diante do coronavírus: ‘Prateleiras do mercado já estão vazias’, conta brasileiro

Autoridades decidiram fechar escolas, museus, teatros, cinemas. Até mesmo a catedral de Milão – o célebre Duomo – foi fechado; Itália tem 152 casos confirmados e três mortos

Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2020 | 18h09

SÃO PAULO - Em meio a uma das mais tradicionais fashion weeks do mundo, a cidade de Milão, na Itália, começou a se fechar neste domingo, 23, diante do rápido crescimento de casos confirmados de coronavírus no país, especialmente na região norte, onde fica a cidade. Já são 152 casos, com três mortes, em apenas três dias.

Autoridades decidiram fechar escolas, museus, teatros, cinemas. Até mesmo a catedral de Milão – o célebre Duomo – foi fechado. Em outras cidades foi decretado toque de recolher e o carnaval de Veneza foi cancelado.

Assustados, os moradores estão correndo aos supermercados, que estão com prateleiras vazias, e as farmácias já não tem mais máscaras nem álcool em gel, como conta o chef de cozinha brasileiro Gustavo Miranda de Lima, de 23 anos, que trabalha em um hotel em Milão.

Na sexta-feira de manhã recebi mensagem de amigos italianos falando que havia o primeiro caso de contaminação pelo coronavírus na Itália. Quando eram 9 da noite, já eram 14. No sábado já tinha passado de 40 e agora acabei de ver na TV que já são mais de 150”, afirmou o rapaz ao Estado.

Ele andou pela cidade neste domingo e disse que ainda viu pessoas pelas ruas. “Acredito que muita gente ainda não estava sabendo porque foi tudo muito rápido. Eu mesmo estava no centro e quando vi as notícias no celular resolvi vir para casa. Mas quando passei no mercado vi já não tinha mais nada", relata.

"As prateleiras estavam praticamente vazias. Eu nem estava pensando em estocar nada, só queria comprar algo para jantar e não ficar mais na rua. Mas resolvi trazer algo mais. Peguei os últimos três pedaços de carne. Também peguei seis ovos e só sobraram dez lá.”

Ele diz que se sentiu como num filme de guerra. “Fiquei me segurando para não chorar quando vi tudo vazio, mas quando fui passar no caixa eu não aguente. É muito assustador”, diz. “Não cumprimento ninguém mais com beijo e fico lavando a mão sempre.”

Lima também passou em farmácias que exibiam cartazes falando que tinham acabado o álcool em gel e máscaras. “E não é que ia chegar amanhã ou depois. Os fornecedores já não tinham mais”, afirma.

Segundo Lima, algumas empresas já estão determinando que os funcionários façam home office. E festas e eventos ligados à fashion week foram cancelados.

Por precaução, o estilista Giorgio Armani desfilou sua nova coleção a portas fechadas para um teatro vazio, transmitindo online. A mesma decisão foi tomada por Laura Biagiotti. O restante dos desfiles programados para domingo, porém, continuaram como planejado. /COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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Novo coronavírus já infectou mais de 80 mil pessoas em todo o mundo

Segundo o governo chinês, já são 2.663 mortes entre 77.658 casos, principalmente na província central de Hubei; Sobe número de casos confirmados na Itália e de mortes no Irã

Renata Okumura, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2020 | 07h55
Atualizado 25 de fevereiro de 2020 | 11h58

Mais de 80 mil casos do novo coronavírus já foram notificados em todo o mundo. A doença, que se concentrava na China, atinge outros países da Ásia, e provoca preocupação em países da Europa e do Oriente Médio. Somente na China continental já são 2.663 mortes entre 77.658 casos, principalmente na província central de Hubei. Pelo menos 35 países relatam casos confirmados, que já passam de 2,5 mil e ao menos 40 mortes.

Receio global 

Atrás somente da China, a Coreia do Sul também relatou que possui pelo menos 977 confirmações e o número de mortos subiu de 7 para 11 nesta terça-feira, 25.

O medo da doença também isolou ao menos 11 cidades na Itália, cancelou carnaval de Veneza, evento de moda em Milão e provocou o fechamento de escolas e igrejas, principalmente nas regiões do norte de Lombardia e Veneto.  

Pelo menos 283 pessoas foram infectadas pelo vírus e sete morreram no país europeu. O número aumentou em razão de casos notificados entre segunda e terça-feira pelo Departamento de Proteção Civil italiano. O surto se concentra principalmente no norte do país, onde ao menos 11 cidades foram colocadas sob quarentena. Cerca de 100 mil pessoas nessas regiões enfrentam viagens e outras restrições. 

  • Lombardia: 212 casos e seis mortes
  • Vêneto: 38 casos e uma morte
  • Emília-Romanha: 23 casos 
  • Piemonte e Lazio: 3 casos cada
  • Sicília e Trentino: 1 caso cada
  • Toscana: 2 casos 

O primeiro-ministro italiano Giuseppe Conte mantém otimismo nesta terça-feira de que o sistema de saúde italiano poderá enfrentar o novo coronavírus.

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Nosso sistema de saúde é excelente, nossas medidas de precaução são de extremo rigor e acreditamos que, em virtude das disposições combinadas, um sistema de excelência de saúde e uma linha política de política de saúde de extremo rigor promoveremos um efeito de contenção do disseminação do vírus
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Giuseppe Conte, primeiro-ministro italiano

Nos últimos dias, a Áustria interrompeu temporariamente o tráfego ferroviário através de sua fronteira com a Itália. 

A Croácia confirmou o primeiro caso. Recentemente, o paciente esteve na Itália. Duas pessoas também tiveram teste positivo para a doença na Áustria, confirmou governo do país.

Nas Ilhas Canárias, na Espanha, um hotel foi isolado, depois que foi confirmado que um médico italiano visitante estava com o novo coronavírus.

Nesta terça-feira, Hong Kong anunciou que as escolas permanecerão fechadas pelo menos até 19 de abril para impedir a propagação do novo coronavírus. Jão são 81 casos, incluindo duas mortes.

Como precaução, o aeroporto de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, interromperá as conexões com o Irã, exceto para a capital Teerã. "Todos os passageiros que chegam em vôos diretos de Teerã receberão triagem térmica no aeroporto", disse um porta-voz do aeroporto.  Mais de 86 milhões de pessoas viajaram ppelo aeroporto de Dubai no ano passado, considerado um dos mais movimentados do mundo.

A medida ocorre em razão dos casos que se espalham pelo Irã. O Ministério da Saúde iraniano confirmou 95 casos e 15 mortos. Na segunda-feira, o parlamentar Ahmad Amirabadi Farahani da cidade de Qom acusou o governo de não falar a verdade sobre o registro de mortos pela doença.

O vice-ministro da Saúde do Irã, Iraj Haririchi, que apareceu na televisão suado e tossindo para alertar os iranianos sobre o novo coronavírus na segunda-feira, foi diagnosticado com a doença nesta terça-feira.

No Irã, escolas foram fechadas e começou a higienização diária dos ônibus e do metrô de Teerã, usados por 3 milhões de pessoas diariamente.

Na segunda-feira, 24, foram notificados casos para a doença no Kuwait (8) e em Omã (2), ambos países árabes.

Iraque, Afeganistão e Bahrein também registraram os primeiros casos na segunda-feira. Todos os pacientes infectados tinham ligações com o Irã.

Organização Mundial da Saúde

Como os surtos cresceram em mais países, a Organização Mundial de Saúde disse que o COVID-19 tinha potencial para ser uma pandemia, mas ainda não o era.

"As últimas semanas demonstraram a rapidez com que um novo vírus pode se espalhar pelo mundo e causar amplo medo e perturbações", disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Mas "no momento não estamos testemunhando a disseminação global e contida deste vírus", disse ele.

Diamond Princess

Nesta terça-feira, o Ministério da Saúde do Japão informou que morreu um passageiro de 80 anos do navio Diamond Princess, que estava em quarentena no país asiático. Esta é a quarta vítima fatal. 

No entanto, a causa da morte ainda não foi confirmada e não foram fornecidos detalhes se o passageiro havia testado positivo para o novo coronavírus.

O Diamond Princess ficou atracado em na cidade japonesa Yokohama por duas semanas, enquanto estava em quarentena, e quase 700 casos de coronavírus foram ligados ao navio. / Com agências internacionais AP, TNYT, BBC e CNN

Brasil vai monitorar passageiros vindos de Itália, França e Alemanha

Ministério da Saúde adicionou na segunda-feira países na lista de alerta do novo coronavírus, incluindo os primeiros três da Europa: Itália, Alemanha, França. Além desses, entram no rol do governo federal Austrália, Filipinas, Malásia, Irã e Emirados Árabes.

Isso significa que serão considerados suspeitos da doença passageiros que estiveram nesses locais e que apresentem sintomas da doença, como febre e tosse. O novo enquadramento, antecipado pelo Estado, é resultado da confirmação da transmissão do vírus dentro desses países.

O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson Oliveira, disse que o Brasil seguiu orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para ampliar a lista de países em alerta. O critério da organização, segundo Oliveira, é inserir na lista os locais com ao menos cinco casos com transmissão interna da doença - que não foram "importados".

Oliveira afirmou que o Brasil não cogita adotar medidas restritivas, como impedir a circulação de pessoas ou mercadorias. O secretário disse que medir a temperatura de todos os passageiros vindos de países sob alerta também seria ineficaz. "Muitos casos se transmitem mesmo sem febre. Ou seja, temos situações que passam fora deste padrão."

"O que estamos trabalhando é para que equipes de saúde estejam atentas. Para que no momento em que uma pessoa que tem histórico de viagem (por um das países da lista) procurar serviços de saúde, seja investigado também a possibilidade de novo coronavírus", afirmou o secretário. 

Em conversa exclusiva com o Estadão/Broadcast na segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou que o Brasil está acompanhando a situação do novo coronavírus na Itália e seguirá as orientações da OMS para evitar que a epidemia chegue ao País.  "Não faríamos nada isoladamente", disse o ministro.

Confira a lista atualizada de casos confirmados e mortes:

  • China: 77.658 casos e 2.663 mortes
  • Macau: 10 casos
  • Hong Kong: 81 casos e 2 mortes
  • Coréia do Sul: 977 casos e 11 mortes
  • Japão: 840 casos, 4 mortes (693 casos do navio Diamond Princess)
  • Cingapura: 90 casos
  • Austrália : 22 casos
  • Malásia: 22 casos
  • Vietnã: 16 casos
  • Filipinas: 3 casos e 1 morte
  • Camboja: 1 caso
  • Tailândia: 37 casos
  • Índia: 3 casos
  • Nepal: 1 caso
  • Sri Lanka: 1 caso
  • Estados Unidos: 53 casos
  • Canadá: 11 casos
  • Itália: 283 casos e 7 mortes
  • Alemanha: 16 casos
  • França: 12 casos e 1 morte
  • Reino Unido: 13 casos
  • Rússia: 2 casos
  • Espanha: 2 casos
  • Bélgica: 1 caso
  • Finlândia: 1 caso
  • Israel: 2 casos
  • Suécia: 1 caso
  • Croácia: 1 caso
  • Áustria: 2 casos
  • Irã: 95 casos, 14 mortes
  • Emirados Árabes Unidos: 9 casos
  • Kuwait: 8 casos
  • Omã: 2 casos
  • Egito: 1 caso
  • Líbano: 1 caso
  • Iraque: 1 caso
  • Afeganistão: 1 caso
  • Bahrein: 2 casos

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Coronavírus: O que você precisa saber para viajar para a Itália

CONTEÚDO ABERTO PARA NÃO-ASSINANTES: País acumula 283 pessoas afetadas pelo novo vírus; sete morreram e um paciente foi curado

Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2020 | 08h46

O avanço do novo coronavírus pela Itália despertou a atenção dos brasileiros para uma série de questões envolvendo viagens para o país europeu. Enquanto brasileiros na Itália relatam ruas vazias e corrida por máscaras nas regiões mais afetadas, as dúvidas por aqui giram em torno de eventuais restrições impostas para quem pretende viajar para o país, quais são as regiões mais afetadas e, até mesmo, quais os procedimentos para cancelar uma viagem, se assim desejar. 

Para sanar essas e outras dúvidas, o Estado publicou um perguntas e respostas específico sobre a situação na Itália, país que acumula 283 pessoas afetadas pelo novo coronavírus, sete mortes e uma pessoa curada - os dados são oficiais do ministério da saúde italiano e atualizados até esta terça-feira, 25, às 12h (horário local de Roma); Confira o perguntas e respostas

Há alguma restrição de viagem à Itália por causa do novo coronavírus?

Por enquanto a Organização Mundial de Saúde (OMS) não fez nenhuma recomendação deste tipo e o Brasil também não deu essa orientação para a população. Alguns países, porém, já estão tomando essa decisão, como Bósnia, Croácia, Macedônia, Sérvia, Irlanda, Israel, de acordo com o jornal italiano La Repubblica. Alemanha, Inglaterra e Estados Unidos recomendaram a seus viajantes cuidado. Já a França está colocando em quarentena viajantes que retornarem da Lombardia e do Vêneto, as mais afetadas, também de acordo com o jornal. O governo brasileiro só tem recomendado evitar viagens à China. 

Quais regiões da Itália são as mais afetadas?

A porção norte da Itália é a que concentra a maior parte dos 229 casos já identificados, em especial os estados da Lombardia e do Vêneto. Pelo menos 11 cidades foram colocadas em quarentena: Casalpusterlengo, Codogno, Castiglione d'Adda, Fombio, Maleo, Somaglia, Bertonico, Terranova dei Passerini, Castelgerundo e Sanfiorano, na região da Lombardia, onde vivem cerca de 50 mil pessoas, e Vo 'Euganeo, no Vêneto, com quatro mil habitantes.

Devo cancelar minha viagem à Itália?

Apesar de a taxa de transmissão ser alta, a maior parte dos casos é leve e a taxa de mortalidade é de 3% para os casos mais graves. Pessoas jovens, sem nenhuma outra comorbidade, podem viajar, mas é preciso tomar precauções, visto que a doença pode ser transmitida, mesmo não causando sintomas.  Segundo a OMS, dos registros na Itália, quatro em cada cinco infectados tiveram sintomas leves ou nenhum sintoma.  

Se quiser cancelar a viagem, a companhia aérea me reembolsa?

O Código de Defesa do Consumidor estabelece que é direito do consumidor a proteção à sua vida e sua saúde, então, diante da epidemia, é possível negociar com companhias aéreas e agências de turismo. Como ainda não há recomendação da OMS para se evitar viagens, a decisão deve ser tomada caso a caso. Viajantes que iriam para eventos que forem cancelados também podem usar isso como argumento.

Se viajar à Itália, quais cuidados devo tomar?

Os cuidados são semelhantes aos da gripe. Lavar sempre as mãos, manter distância de 1,5 metro a 2 metros das pessoas infectadas ou que apresentem algum tipo de infecção respiratória, principalmente se forem provenientes de alguma região de risco. Outra medida que pode ajudar é o uso de máscaras.

Embaixada do Brasil em Roma afirma que governo não restringiu voos vindos da Itália

A embaixada do Brasil em Roma informou na manhã desta terça-feira, em nota, "que o governo brasileiro não estabeleceu restrições a voos provenientes da Itália" por causa do avanço do novo coronavírus naquele país. O órgão diplomático relatou manter contato com o governo italiano sobre a doença, para esclarecer a comunidade brasileira naquele país. "Até o momento, não se tem notícia de contágio na comunidade brasileira", relatou.

Na nota, a embaixada brasileira relata que o governo italiano toma as medidas necessárias para conter a difusão do vírus, principalmente nas regiões do norte do país. A embaixada cita um comunicado do governo local com uma série ações previstas e tomadas para frear o coronavírus.

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Com surto de coronavírus na Itália, Bolsas na Europa fecham com queda generalizada

Região norte italiana confirmou seis mortes pela doença desde a semana passada; China, Japão, Coreia do Sul, Tailândia e Irã também estão no rol de alerta

Mateus Vargas e Amanda Pupo, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2020 | 16h34
Atualizado 11 de abril de 2020 | 21h44

BRASÍLIA - O Ministério da Saúde adicionou nesta segunda-feira, 24, países na lista de alerta do novo coronavírus, incluindo os primeiros três da Europa: Itália, Alemanha, França. Além desses, entram no rol do governo federal Austrália, Filipinas, Malásia, Irã e Emirados Árabes.

Isso significa que serão considerados suspeitos da doença passageiros que estiveram nesses locais e que apresentem sintomas da doença, como febre e tosse. O novo enquadramento, antecipado pelo Estado, é resultado da confirmação da transmissão do vírus dentro desses países.

O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson Oliveira, disse que o Brasil seguiu orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para ampliar a lista de países em alerta. O critério da organização, segundo Oliveira, é inserir na lista os locais com ao menos cinco casos com transmissão interna da doença - que não foram "importados".

Antes da nova definição, pessoas com sintomas de gripe vindas da Itália, por exemplo, não recebiam atenção especial da vigilância sanitária brasileira, pois a suspeita do novo coronavírus era descartada na hora. Agora, haverá um protocolo específico pelo qual, caso o passageiro tenha febre associada a algum outro sintoma, será enquadrado automaticamente como caso suspeito.

Uma análise clínica poderá ser feita no desembarque pela autoridade sanitária e, caso a suspeita se mantiver, o passageiro deverá ser levado a um hospital. Além da China, epicentro do novo coronavírus, o Brasil já havia colocado no mesmo rol de alerta, na semana passada, casos de passageiros vindos do Japão, Cingapura, Coreia do Sul, Coreia do Norte, Tailândia, Vietnã e Camboja.

O secretário de Vigilância em Saúde disse que o Brasil não proíbe ou desestimula viagens para nenhum destes novos países em alerta. Há recomendação do governo para que não sejam feitas viagens apenas para a China, onde mais de 2,5 mil pessoas morreram após serem contaminadas.

 

Em conversa exclusiva com o Estadão/Broadcast nesta segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou que o Brasil está acompanhando a situação do novo coronavírus na Itália e seguirá as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para evitar que a epidemia chegue ao País.  "Não faríamos nada isoladamente", disse o ministro.

Oliveira afirmou que o Brasil não cogita adotar medidas restritivas, como impedir a circulação de pessoas ou mercadorias. O secretário disse que medir a temperatura de todos os passageiros vindos de países sob alerta também seria ineficaz. "Muitos casos se transmitem mesmo sem febre. Ou seja, temos situações que passam fora deste padrão."

"O que estamos trabalhando é para que equipes de saúde estejam atentas. Para que no momento em que uma pessoa que tem histórico de viagem (por um das países da lista) procurar serviços de saúde, seja investigado também a possibilidade de novo coronavírus", afirmou o secretário.   

Na Europa, a maior preocupação é com a Itália, que já registrou mais de 200 casos e seis mortes. O surto se concentra principalmente no norte do país, onde ao menos 11 cidades foram colocadas sob quarentena.

No caso do Irã, o país se tornou no domingo, 23, o que mais regitrou mortes fora da China, com oito vítimas. Ao todo, são 43 casos confirmados entre os iranianos.

Segundo dados do Ministério da Saúde desta segunda-feira, 24, há quatro casos suspeitos da doença no Brasil, sendo três em São Paulo e um no Rio de Janeiro. Um dos suspeitos viajou recentemente ao Japão e só teve o caso considerado devido a inclusão do país na lista de alerta. Já foram descartadas 54 análises. 

Oliveira afirma que devem aumentar os casos suspeitos no Brasil com a ampliação do rol de alerta.  "Há fluxo maior de voos diretos ao Brasil (dos países que passam a ser analisados). A gente terá mais capacidade de identificar casos potencialmente suspeitos", disse o secretário.

Segundo dados da OMS, há no mundo 79.409 casos confirmados da doença e 2.622 óbitos. Apesar de estarem registrados em 32 países, a China concentra cerca de 98% das confirmações da doença. 

Governo está em fase final de contratação de equipamentos 

Segundo apurou o Estado, o governo está em fase final de contratação de equipamentos para combater a possível chegada da doença ao Brasil, como máscaras e luvas. Já a contratação de mil leitos em hospitais, anunciada no fim do mês passado pelo Ministério da Saúde como medida emergencial, ainda está em análise.

“Buscando aumentar a capacidade assistencial e trabalhar de forma adequada as fases de contenção e mitigação descritas no Plano de Contingência, o Ministério da Saúde está em processo de contratação de 1.000 leitos de UTI distribuídos em todo território nacional.

O mapeamento dessas necessidades se dá pelos profissionais da Secretaria de Atenção Especializada e Secretaria de Atenção Primária do Ministério da Saúde e que compõem o COE COVID-19”, disse o Ministério da Saúde, em nota enviada nesta segunda-feira.

O governo também corre para garantir a compra de imunoglobulina, medicamento usado em pacientes com imunidade baixa e para amenizar efeitos de infecções.

O medicamento pode ser usado em pacientes infectados pelo novo coronavírus. A ideia é trazer o produto emergencialmente da China e da Coreia do Sul, mas a finalização da importação ainda aguarda aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

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Brasil vai monitorar passageiros vindos de Itália, França e Alemanha com sintomas de coronavírus

Região norte italiana confirmou seis mortes pela doença desde a semana passada; China, Japão, Coreia do Sul, Tailândia e Irã também estão no rol de alerta

Mateus Vargas e Amanda Pupo, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2020 | 16h34
Atualizado 11 de abril de 2020 | 21h44

BRASÍLIA - O Ministério da Saúde adicionou nesta segunda-feira, 24, países na lista de alerta do novo coronavírus, incluindo os primeiros três da Europa: Itália, Alemanha, França. Além desses, entram no rol do governo federal Austrália, Filipinas, Malásia, Irã e Emirados Árabes.

Isso significa que serão considerados suspeitos da doença passageiros que estiveram nesses locais e que apresentem sintomas da doença, como febre e tosse. O novo enquadramento, antecipado pelo Estado, é resultado da confirmação da transmissão do vírus dentro desses países.

O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson Oliveira, disse que o Brasil seguiu orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para ampliar a lista de países em alerta. O critério da organização, segundo Oliveira, é inserir na lista os locais com ao menos cinco casos com transmissão interna da doença - que não foram "importados".

Antes da nova definição, pessoas com sintomas de gripe vindas da Itália, por exemplo, não recebiam atenção especial da vigilância sanitária brasileira, pois a suspeita do novo coronavírus era descartada na hora. Agora, haverá um protocolo específico pelo qual, caso o passageiro tenha febre associada a algum outro sintoma, será enquadrado automaticamente como caso suspeito.

Uma análise clínica poderá ser feita no desembarque pela autoridade sanitária e, caso a suspeita se mantiver, o passageiro deverá ser levado a um hospital. Além da China, epicentro do novo coronavírus, o Brasil já havia colocado no mesmo rol de alerta, na semana passada, casos de passageiros vindos do Japão, Cingapura, Coreia do Sul, Coreia do Norte, Tailândia, Vietnã e Camboja.

O secretário de Vigilância em Saúde disse que o Brasil não proíbe ou desestimula viagens para nenhum destes novos países em alerta. Há recomendação do governo para que não sejam feitas viagens apenas para a China, onde mais de 2,5 mil pessoas morreram após serem contaminadas.

 

Em conversa exclusiva com o Estadão/Broadcast nesta segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou que o Brasil está acompanhando a situação do novo coronavírus na Itália e seguirá as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para evitar que a epidemia chegue ao País.  "Não faríamos nada isoladamente", disse o ministro.

Oliveira afirmou que o Brasil não cogita adotar medidas restritivas, como impedir a circulação de pessoas ou mercadorias. O secretário disse que medir a temperatura de todos os passageiros vindos de países sob alerta também seria ineficaz. "Muitos casos se transmitem mesmo sem febre. Ou seja, temos situações que passam fora deste padrão."

"O que estamos trabalhando é para que equipes de saúde estejam atentas. Para que no momento em que uma pessoa que tem histórico de viagem (por um das países da lista) procurar serviços de saúde, seja investigado também a possibilidade de novo coronavírus", afirmou o secretário.   

Na Europa, a maior preocupação é com a Itália, que já registrou mais de 200 casos e seis mortes. O surto se concentra principalmente no norte do país, onde ao menos 11 cidades foram colocadas sob quarentena.

No caso do Irã, o país se tornou no domingo, 23, o que mais regitrou mortes fora da China, com oito vítimas. Ao todo, são 43 casos confirmados entre os iranianos.

Segundo dados do Ministério da Saúde desta segunda-feira, 24, há quatro casos suspeitos da doença no Brasil, sendo três em São Paulo e um no Rio de Janeiro. Um dos suspeitos viajou recentemente ao Japão e só teve o caso considerado devido a inclusão do país na lista de alerta. Já foram descartadas 54 análises. 

Oliveira afirma que devem aumentar os casos suspeitos no Brasil com a ampliação do rol de alerta.  "Há fluxo maior de voos diretos ao Brasil (dos países que passam a ser analisados). A gente terá mais capacidade de identificar casos potencialmente suspeitos", disse o secretário.

Segundo dados da OMS, há no mundo 79.409 casos confirmados da doença e 2.622 óbitos. Apesar de estarem registrados em 32 países, a China concentra cerca de 98% das confirmações da doença. 

Governo está em fase final de contratação de equipamentos 

Segundo apurou o Estado, o governo está em fase final de contratação de equipamentos para combater a possível chegada da doença ao Brasil, como máscaras e luvas. Já a contratação de mil leitos em hospitais, anunciada no fim do mês passado pelo Ministério da Saúde como medida emergencial, ainda está em análise.

“Buscando aumentar a capacidade assistencial e trabalhar de forma adequada as fases de contenção e mitigação descritas no Plano de Contingência, o Ministério da Saúde está em processo de contratação de 1.000 leitos de UTI distribuídos em todo território nacional.

O mapeamento dessas necessidades se dá pelos profissionais da Secretaria de Atenção Especializada e Secretaria de Atenção Primária do Ministério da Saúde e que compõem o COE COVID-19”, disse o Ministério da Saúde, em nota enviada nesta segunda-feira.

O governo também corre para garantir a compra de imunoglobulina, medicamento usado em pacientes com imunidade baixa e para amenizar efeitos de infecções.

O medicamento pode ser usado em pacientes infectados pelo novo coronavírus. A ideia é trazer o produto emergencialmente da China e da Coreia do Sul, mas a finalização da importação ainda aguarda aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

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Brasil recebeu ao menos 5,3 mil voos de países em lista de alerta por coronavírus em 2019

Itália, França, Alemanha e Emirados Árabes entraram no rol do Ministério da Saúde nesta segunda; pacientes vindos desses locais que apresentaram sintomas serão classificados como suspeitos

Amanda Pupo, Camila Turtelli, Julia Lindner e Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2020 | 22h19

BRASÍLIA - O Brasil recebeu pelo menos 5,3 mil voos, no ano passado, dos países incluídos hoje na lista de alerta do Ministério da Saúde por risco de coronavírus. O número de passageiros que vieram da Itália, França Alemanha e Emirados Árabes soma 1,3 milhão de pessoas, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac)

Além destes, outros quatro países - Austrália, Filipinas, Malásia, Irã - entraram no rol de origens monitoradas, mas não há voos diretos ao Brasil, segundo os registros da Anac.  Com esta medida, serão considerados suspeitos da doença pessoas que estiveram nestes locais nos últimos 14 dias (tempo de incubação do vírus) e que apresentam sintomas da doença, como febre forte e tosse. 

O novo enquadramento é resultado da confirmação da transmissão do vírus dentro desses países. Da lista de países sob alerta, a França foi a origem da maior parte dos passageiros (490,9 mil), seguido pela Alemanha (356,4 mil), Itália (354,6 mil) e Emirados Árabes (193 mil).  

Antes da nova definição, pessoas com sintomas de gripe vindas destes países não recebiam atenção especial da vigilância sanitária brasileira, pois a suspeita de novo coronavírus era descartada na hora. Agora, haverá protocolo específico em que, caso o passageiro tenha febre associada a algum outro sintoma, será enquadrado automaticamente como caso suspeito. Uma análise clínica poderá ser feita no desembarque pela autoridade sanitária e, caso a suspeita se mantiver, o passageiro será levado a um hospital. 

Com escalada de casos, Itália é maior preocupação

Na Europa, a maior preocupação é com a Itália, que já registrou mais de 200 casos e sete mortes desde o último fim de semana. O surto se concentra principalmente no norte do país europeu, onde ao menos 11 cidades foram colocadas sob quarentena.

Segundo a Anac, em média, o Brasil recebe quatro voos diários vindos de cidades italianas. São três saindo de Roma e um de Milão, uma das cidades com registro de coronavírus. Da França são cinco, da Alemanha, três, e do Emirados Árabes, dois.

Ao Estadão/Broadcast nesta segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou não haver qualquer restrição de viagens para estes destinos. Há recomendação do governo para que não sejam feitas viagens apenas para a China, onde mais de 2,5 mil pessoas morreram nos últimos dias após serem contaminadas.

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'Não sabemos potencial da transmissão sem sintoma; coronavírus pode passar despercebido'

Especialista em infectologia explica qual é o status da epidemia de coronavírus com a propagação dos casos pela Europa e quais são os riscos de chegar ao Brasil

Entrevista com

Nancy Bellei

Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2020 | 20h35

SÃO PAULO - Com a chegada do novo coronavírus na Itália e a rápida propagação dos casos no país, aumenta o temor de que ele se espalhe para a Europa e dali para outras partes do mundo. Já é hora de falar em pandemia? Com a comunicação mais intensa do continente com o Brasil, as chances de um passageiro com o vírus chegar ao País são maiores? Estamos preparados?

Para responder a essas questões, conversamos com a infectologista Nancy Bellei, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia. Ela explica que o risco é maior e que ainda há muitas dúvidas sobre a dinâmica da epidemia, o que gera insegurança sobre a melhor estratégia para conter a epidemia, se é que ainda é possível. 

De acordo com ela, muito provavelmente casos assintomáticos estão passando despercebidos e isso talvez possa explicar a rápida propagação na Itália. Do ponto de vista individual, diz que o risco da doença é baixo, mas para o sistema público de saúde, pode ser o caos. Para o Brasil, ela recomenda um diálogo franco com a comunidade. Se a epidemia chegar, as pessoas que tiveram quadros leves da doença devem saber que têm de ficar em casa, deixando os hospitais para os casos graves.

O rápido avanço da epidemia de coronavírus pela Itália indica que se está se caminhando para uma pandemia?

Não é só na Itália. Há um número grande também na Coreia, no Irã. Mas a maior parte dos casos italianos está em comunas próximas de Milão. São cidades pequenas, periféricas, onde fica mais fácil controlar os habitantes, então talvez seja possível ter uma certa contenção do vírus. Mas epidemias são imprevisíveis, não dá para saber se dali vai para o resto da Europa. É um momento extremamente difícil. Enquanto a Organização Mundial de Saúde (OMS) não declara que temos uma pandemia, gera uma instabilidade. Cada país toma uma providência sobre barreiras, sobre como lidar com voos. Mesmo no local que está com o vírus, alguns lugares são fechados, outros não. Uma agência de saúde pode ser mais agressiva, outros países podem deixar mais solto. Falta esse consenso internacional.

Muito se fala que apesar de ser transmitido muito rapidamente, o Covid-19 tem uma baixa letalidade. Há realmente motivo para preocupação?

Muitas pessoas têm comparado com a epidemia do H1N1, de 2009, em que se esperava uma coisa e não foi bem assim. De fato esse coronavírus tem uma mortalidade menor, mas há muitas diferenças. Ele não tem até o momento tratamento; o influenza tem, desde que comece cedo. Não existe imunidade para ele na população; O influenza nós sabemos que tem predileção por algumas faixas etárias. A transmissibilidade desse vírus, pelo que se vê, é mais elevada do que para outros vírus respiratórios. Mas temos incertezas ainda sobre a dinâmica da epidemia. Se durante o período assintomático, o vírus transmite com a mesma eficiência; se a pessoa continua transmitindo mesmo depois de ter se recuperado. O que sabemos até agora são de algumas publicações e relatos sobre alguns grupos na China, mas não temos, por exemplo, ainda, um estudo sobre o efeito na comunidade. Para o H1N1  isso tudo foi descoberto e compartilhado muito rapidamente. Tínhamos dados dos Estados Unidos, do México para entender como estava evoluindo. Mas a epidemia está lá na China desde dezembro e ainda não sabemos essas coisas. A OMS mesmo só entrou na China há cerca de duas semanas para entender a epidemia. Ainda não tivemos acesso ao panorama completo. 

Qual é o risco?

A gente tem de olhar a questão sob dois ângulos. Do ponto de vista individual, se uma pessoa me pergunta se ela deve ir para Milão, se ela tem chance de morrer, temos de considerar o seguinte. Se é uma pessoa jovem, sem nenhuma comorbidade, a chance é mínima, porque a maioria dos casos é leve. A chance de óbito nos casos críticos é de 3%. Mas do ponto de vista da saúde pública, temos de pensar que a epidemia pode gerar um caos. Imagine uma cidade com 3 mil habitantes que fechou escolas, comércio, fábricas, com um monte de gente procurando hospital, pessoas com a doença, mas também aqueles só com suspeita, mas que estão assustados. E os profissionais de saúde também podem ficar doentes, o que diminui a oferta de atendimento e não tem como aumentar. E mesmo que a mortalidade não seja alta, se um hospital tem três leitos numa UTI e eles são ocupados por esses pacientes, como ficam pessoas com outras doenças? Não é todo mundo que constrói um hospital novo em dez dias, como ocorreu na China.

Com o vírus sendo transmitido na Europa, aumentam as chances de chegar ao Brasil?

Com certeza, quanto mais países europeus ou americanos tiverem a doença, mais chance de ter um passageiro vindo para cá. O problema é que existe transmissão assintomática e não sabemos o potencial disso. Já podem ter chegado pessoas assintomáticas ou com quadro leve e ainda não sabermos.  Muito provavelmente o que aconteceu na Itália é que o vírus passou despercebido por algum tempo. De acordo com relatos do Ministério da Saúde local, dois chineses foram internados com a doença no final de janeiro em Roma. Deve ter sido feito um alerta na região, mas não foi suficiente para todo mundo ficar atento no norte do país. Casos leves provavelmente não foram notados. Afinal, é inverno, é normal ter gente espirrando ou tossindo por outros vírus respiratórios. Sem o alerta, alguém com febrinha ou tosse não vai procurar o serviço de saúde. Mas quando surge a notícia de um vírus novo na cidade, aí todo mundo procura, por isso tantos casos. Certamente a coisa não se espalhou somente em três dias. A literatura indica que quando aparece o primeiro caso grave de hospitalização ou de óbito, é porque o vírus já está circulando há pelo menos três semanas na comunidade. 

O Brasil está preparado para a epidemia, se ela chegar por aqui?

No momento, o que o País anunciou estar fazendo está correto: de fazer as orientações para a população, os alertas em aeroportos, os atendimentos para casos suspeitos. Para este momento em que ainda não temos documentação de transmissão local está correto. Mas se chegar aqui mesmo, aí vai ser a prova de fogo se houve treinamento dos profissionais de saúde, se há garantia dos suprimentos hospitalares para os serviços públicos de saúde. É preciso ter seriedade na comunicação com a população. Tem de explicar o que é a doença, quais são os sinais de alerta, quando se deve ficar em casa. É preciso ter planos de contingência para estabelecer quanto tempo uma pessoa contaminada não deve ir trabalhar ou ir para a escola. Tudo tem de ficar claro desde o início. Evitar que a epidemia tome um vulto grande ou que a situação fique caótica depende muito de as pessoas entenderem: se estou doente e não preciso do hospital, não vou a lugares públicos para mitigar a epidemia e vamos reservar os hospitais para quem precisa.

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Incubação pode ser maior do que 14 dias e número de infectados no mundo aumenta

Coreia do Sul e Japão reportaram um grande aumento de casos no sábado, ao passo que, na China, mais 97 pessoas morreram, e uma quinta pessoa que contraiu o vírus morreu no Irã

Anna Fifield, Simon Denyer, Chico Harlan e Miriam Berger, Washington Post

24 de fevereiro de 2020 | 05h00

PEQUIM - Cientistas vêm analisando um caso na China de que o período de incubação do novo coronavírus deve ser maior do que os 14 dias que se acreditava até o momento, despertando dúvidas quanto aos atuais critérios de quarentena, em meio a esforços cada vez mais prementes para conter a propagação da epidemia da Ásia Oriental para o mundo.

Coreia do Sul e Japão reportaram um grande aumento de casos no sábado, ao passo que, na China, mais 97 pessoas morreram, e uma quinta pessoa que contraiu o vírus morreu no Irã. E no sábado também as autoridades italianas informaram que o país registrou um aumento repentino de casos, com 50 pessoas infectadas nos últimos dois dias – o maior surto da doença na Europa.

Ao mesmo tempo, cientistas na China afirmaram existir indicações de que o vírus pode ser transmitido através da urina. Uma equipe de especialistas da Organização Mundial de Saúde (OMS) deveria chegar no sábado a Wuhan, epicentro da epidemia.

O diretor geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, enfatizou na sexta-feira a urgência de se conter a disseminação do coronavírus depois que casos foram reportados no Irã e no Líbano.

“Embora o tempo durante o qual temos chances esteja diminuindo para conter a epidemia ainda temos possibilidade de refreá-lo”, disse ele a jornalistas em Genebra. Se desperdiçarmos a oportunidade, então teremos um grave problema em mãos”.

O líder chinês Xi Jinping, que não visitou Wuhan desde que a epidemia eclodiu, afirmou que a situação na cidade e na província de Hubei “continua sombria e complexa”, de acordo com a agência oficial de notícias Xinhua.

“O ponto de inflexão da epidemia a nível nacional ainda não ocorreu” diz a notícia, veiculada depois de uma reunião de líderes do Partido Comunista.

A Comissão Nacional de Saúde da China informou no sábado que 397 novos casos de coronavírus foram diagnosticados na sexta-feira, elevando o total de enfermos para mais de 76 mil; a taxa de infecção fora de Hubei parece ter diminuído consideravelmente, embora houvesse muita confusão no tocante às estatísticas esta semana, uma vez que as autoridades por várias vezes mudaram os critérios para confirmação dos casos.

Entre os novos infectados estava um homem de 70 anos, em Hubei, que foi testado positivo para a doença depois de 27 dias em isolamento, ao passo que outro indivíduo na província de Jiangxi também testou positivo depois de 14 dias de quarentena centralizada e cinco dias de isolamento em casa. Na quinta-feira as autoridades informaram que um homem em Hubei havia contraído o coronavírus depois de um período de incubação de 38 dias sem apresentar nenhum sintoma.

Os Estados Unidos também estão às voltas com as consequências domésticas das suas respostas ao vírus. A cidade de Costa Mesa, na Califórnia, processou o governo federal pelo seu plano de transferir pacientes em quarentena do coronavírus da Travis Air Force Base, perto de Sacramento, para o Fairview Development Center. Segundo a cidade, a área em questão está cercada de bairros residenciais e manter os pacientes com uma doença extremamente contagiosa tão próximos implica um risco para a saúde pública.

Um juiz federal atendeu ao pedido do município na sexta-feira e bloqueou temporariamente a transferência dos 50 pacientes. A ordem restritiva proíbe as autoridades federais e estaduais de transportarem qualquer pessoa infectada com o coronavírus ou expostas à doença para Costa Mesa antes de uma audiência marcada para as 14 horas da segunda-feira no tribunal federal de Santa Ana, informou o Los Angeles Times.

Em Seul, o Centro de Prevenção e Controle de Doenças da Coreia (KCDC), reportou no sábado que 229 novos casos foram detectados, elevando o total para 433, mais do que o dobro no espaço de um dia. A Coreia é assim o país mais afetado pela doença fora da China.

“Fora os casos no navio de cruzeiro Diamond Princess, a Coreia do Sul agora tem o maior número de casos fora da China e estamos trabalhando estreitamente com o governo para compreender totalmente a dinâmica de transmissão do vírus que levou a este aumento”, afirmou o diretor geral da OMS.

Muitos desses novos casos foram ligados a clusters existentes em uma igreja na cidade de Daegu, ao sul do país, e um hospital da localidade vizinha de Cheongdo, segundo o centro de prevenção e controle de doenças da Coreia.

O governo sul-coreano designou Daegu e a província ao norte de Gyeongsang “zonas de cuidados especiais”, onde os esforços para conter a doença e de suporte serão concentrados.

Mais da metade dos casos verificados na Coreia no Sul tem relação com a filial em Daegu da Igreja Shincheonji. Desde que os membros da igreja assistiram a um funeral em um hospital na vizinha Cheongdo Daenam, 111 casos de coronavírus foram reportados ali, incluindo dois pacientes que morreram em decorrência do vírus.

A infecção em massa no hospital está concentrada na sua ala psiquiátrica, onde um ambiente confinado deve ter agravado a transmissão do vírus, afirmou Jung Eun-Kyeong, diretor do KCDC.

Um homem de cerca de 40 anos foi encontrado morto em sua casa na cidade de Gyeongiu, a leste de Daegu, depois de contrair o vírus. Ele é a terceira pessoa a morrer por causa do coronavírus na Coreia do Sul.

No Japão houve também um aumento do número de casos, que subiu para 121, mais do que triplicando em uma semana. Nesse número não estão incluídas as pessoas a bordo do navio Diamond Express que contraíram o vírus.

Um dos casos mais recentes foi o de um professor em torno de 60 anos de idade de uma escola secundária pública a leste de Tóquio, que sentiu náuseas quando dava aula. O prefeito de Chiba anunciou que a escola ficará fechada até quarta-feira, informou a NHK.

O professor não viajou para o exterior nas últimas duas semanas e não há registros de que tenha tido contato com alguma pessoa infectada, ressaltando o fato de que o vírus agora vem se propagando de maneira invisível pelo país, afirmam especialistas.

*TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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