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Jacob King / Pool via AP
Jacob King / Pool via AP

Britânica de 90 anos é a primeira pessoa no mundo a receber a vacina da Pfizer fora da fase de teste

Margaret Keenan recebeu a injeção no hospital local de Coventry, centro da Inglaterra, no início desta terça-feira; Reino Unido é o primeiro país do Ocidente a vacinar a população

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2020 | 04h30
Atualizado 09 de dezembro de 2020 | 17h43

O Reino Unido começou a aplicar a vacina contra a covid-19 desenvolvida pela farmacêutica Pfizer e a empresa de biotecnologia BioNTech nesta terça-feira, 8. O país é o primeiro do Ocidente a vacinar a população em geral. No início da fila estava Margaret Keenan, uma avó britânica de 90 anos que se tornou a primeira pessoa no mundo a receber a vacina da Pfizer contra a covid-19 fora de um ensaio clínico após sua aprovação.

"Eu me sinto privilegiada por ser a primeira pessoa vacinada contra a covid-19", disse Keenan, que recebeu a injeção em seu hospital local em Coventry, centro da Inglaterra, às 6h31min (3h31min de Brasília), uma semana antes de ela completar 91 anos. "É o melhor presente de aniversário antecipado que eu poderia desejar, porque significa que posso finalmente esperar passar um tempo com minha família e amigos no ano-novo depois de estar sozinha na maior parte do ano."

"Não tenho palavras para agradecer a May e à equipe do NHS (Serviço Nacional de Saúde) que cuidaram muito de mim, e meu conselho para todos que tiverem a oportunidade de se vacinar é: tomem (a vacina). Se eu posso ser vacinada aos 90, você também pode!"

O segundo na fila da vacinação era William Shakespeare, de 81 anos, o primeiro homem a receber a imunizante no país. Usuários das redes sociais não deixaram passar despercebido o homônimo do poeta e dramaturgo inglês, conhecido por obras como Romeu e Julieta. "Os Dois Cavalheiros do Corona", brincou um internauta ao fazer referência a uma das peças de Shakespeare, Os Dois Cavalheiros de Verona.

Gill Rogers, de 86 anos, também foi vacinada nesta manhã. Ela perdeu o marido em abril, vítima da covid-19. Rogers disse que quando recebeu a ligação no final de semana perguntando se ela gostaria de ser vacinada nesta terça-feira, ela imediatamente disse sim: “Não vou mais me preocupar tanto, vou poder voltar a entrar em lojas com mais frequência e, com sorte, poderei até usar o transporte público”.

De acordo com o ministro da Saúde, Matt Hancock, o país espera vacinar milhões de pessoas antes do Natal. Em entrevista à BBC, ele disse que milhões de doses devem chegar ao Reino Unido antes do final do ano. 

O primeiro-ministro Boris Johnson agradeceu ao Serviço Nacional de Saúde (NHS), aos cientistas e a todos os voluntários que participaram do desenvolvimento da vacina. "Vamos vencer isso juntos", disse ele em uma publicação no Twitter. Em visita a um hospital de Londres na manhã desta terça-feira, Johnson disse que "é incrível ver a vacina saindo, é incrível ver este tremendo impulso para toda a nação, mas não podemos relaxar. Não derrotamos o vírus".

Na Irlanda do Norte, a primeira pessoa a receber a vacina foi a freira Joanna Sloan, que vai liderar a vacinação em Belfast. O País de Gales também começou a imunizar a população nesta terça-feira. 

A Agência Regulatória de Produtos de Saúde e Medicamentos do Reino Unido (MHRA) liberou o uso emergencial da vacina na semana passada. Os resultados da fase final de testes da BNT162b2 apontaram eficácia de 95%. O imunizante tem como base a tecnologia conhecida como RNA mensageiro, que utiliza parte do material genético do vírus e instrui as células a produzir anticorpos. Os cientistas ainda não sabem por quanto tempo a imunidade pode durar. O CEO da BioNTech, Ugur Sahin, disse esperar que o efeito da vacina dure por um ano. 

Brasil

Nesta segunda-feira, 7, o Ministério da Saúde informou que avançou em negociações de compra de 70 milhões de doses da vacina. Por ser administrada em duas doses, o total, previsto para 2021, pode imunizar 35 milhões de brasileiros. "Os termos já estão bem avançados e devem ser finalizados ainda no início desta semana com a assinatura do memorando de intenção", disse o ministério. Este documento não obriga o País a adquirir a vacina. A pasta não divulgou previsão de quando a vacinação poderia começar no Brasil.

Outros países

A agência reguladora de alimentos e medicamentos americana (FDA) deve avaliar a liberação da vacina da Pfizer nesta quinta-feira, 10. A Alemanha e outros países da União Europeia dependem da aprovação da Agência Europeia de Medicamentos, que deve acontecer até o dia 29 de dezembro. No Canadá, as autoridades reguladoras devem aprovar a vacina na próxima semana. 

Os testes continuam em andamento em 154 locais, incluindo o Brasil, Japão, Alemanha e Estados Unidos, com participantes acima de 12 anos de idade. A fase final de estudos clínicos envolve 44 mil voluntários. /Com informações da Reuters

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