Buraco no ozônio do Ártico supera recorde e preocupa

Pesquisadores apontam na revista 'Nature' o risco de que o buraco do Ártico se torne um evento anual e se amplie

REUTERS

03 de outubro de 2011 | 09h49

CINGAPURA - O enorme buraco surgido em 2011 na camada de ozônio acima do Ártico foi o maior já registrado no Hemisfério Norte, despertando preocupação de que isso volte a acontecer de forma ainda mais grave e retire do planeta uma importante proteção, disseram cientistas em um artigo publicado nesta segunda-feira.

A camada estratosférica de ozônio funciona como um escudo contra a radiação solar ultravioleta, que pode causar doenças como câncer de pele e catarata.

Desde a década de 1980, os cientistas registram buracos na camada de ozônio durante o verão da Antártida, chegando em alguns anos a partes da América do Sul. Em momentos mais graves, até 70 por cento da camada de ozônio foi destruída, mas ela se recupera nos meses seguintes.

O buraco equivalente sobre o Ártico sempre foi menor, até março deste ano, quando uma combinação de ventos fortes e frio intenso na atmosfera criou condições para que substâncias à base de cloro, que interagem com o ozônio, danificassem a camada.

A descoberta, revelada nesta segunda-feira, 3, em artigo na revista Nature, mostra que o buraco surgiu sobre o norte da Rússia e partes da Groenlândia e Noruega, o que significa que pessoas nessas regiões estavam mais expostas a radiações UV nocivas.

Os cientistas, chefiados por Gloria Manney, da Nasa, disseram que esse foi o primeiro buraco no ozônio ártico com dimensões comparáveis aos buracos no ozônio da Antártida.

Algumas substâncias nocivas ao ozônio, como o clorofluocarbono (CFC), foram banidas por um tratado da ONU, mas sua eliminação total ainda levará décadas. Geralmente, diferenças meteorológicas entre a Antártida e o Ártico explicam a diferença nos buracos da camada de ozônio nos dois pólos. O atual padrão dos ventos de alta altitude no Hemisfério Norte, chamado vórtex polar, pode durar vários meses.

Os pesquisadores apontaram o risco de que o buraco do Ártico se torne um evento anual e se amplie.

"Uma destruição mais aguda no ozônio do Ártico pode exacerbar os riscos biológicos decorrentes da exposição aumentada à radiação ultravioleta, especialmente se o vórtex se transferir para cima de latitudes médias densamente povoadas, como ocorreu em abril de 2011", diz o estudo.

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