Burocracia pode emperrar avanço da pesquisa no País

Ainda faltam as aprovações do Conselho Nacional de Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária

Felipe Oda, Jornal da Tarde

22 Fevereiro 2011 | 08h03

SÃO PAULO - No Brasil, o início da terceira fase de testes da vacina contra a dengue desenvolvida pelo laboratório Sanofi Pasteur está previsto para o segundo semestre deste ano. Isso porque o procedimento, por aqui, esbarra em mais burocracia em relação a outros países envolvidos nos testes.

 

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Ainda faltam as aprovações do Conselho Nacional de Saúde (Conep) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), segundo o diretor do Núcleo de Doenças Infectocontagiosas da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Reynaldo Dietze. A UFES é parceira da Sanofi para a pesquisa no Brasil.

 

"É difícil antecipar protocolos de testes com humanos no Brasil. Sem a aprovação, não podemos iniciar uma nova etapa da pesquisa. De forma otimista, sem que nada seja revisto ou alterado, a fase três está prevista para começar em agosto", afirma o infectologista. A parceria entre a UFES e o Laboratório Sanofi Pasteur é acompanhada pelo Ministério da Saúde e trabalha no desenvolvimento de uma vacina contra os quatro tipos de dengue. Em setembro do ano passado, a universidade já havia vacinado 23 voluntários e nenhum apresentou reações adversas.

 

De acordo com o coordenador, a pesquisa brasileira está atrás dos países do sudeste asiático. "Quando iniciamos (no final do ano passado) os testes com humanos, os asiáticos já o faziam há quase cinco anos", diz. "Acredito que a nova fase deva começar primeiro lá. Até por eles terem menos problemas com a tramitação dos protocolos", completa.

 

A previsão da Sanofi é de que 30 mil pessoas no mundo recebam a terceira dose da nova vacina. "Os brasileiros farão parte desse grupo de voluntários", garante.

 

MAIS PESQUISAS

 

link O Instituto Butantan vai testar neste ano, em São Paulo, uma vacina antidengue em 400 pessoas. Em 2012 serão feitos novos testes. A vacina foi desenvolvida nos EUA pelo epidemiologista Donald Francis, após seis anos de estudos. Trata-se de uma imunização feita a partir do vírus atenuado

 

link Há ainda uma terceira vacina contra a dengue em desenvolvimento: trata-se de uma ação entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a farmacêutica GlaxoSmithKline, mas até agora os testes foram aplicados só em primatas

 

link A Universidade Estadual do Ceará também está pesquisando uma vacina contra a dengue, mas o projeto é diferente de todos os demais. Trata-se de uma imunização de origem vegetal: os cientistas conseguiram fazer a inserção de genes do vírus da dengue no feijão-de-corda (aquele usado no preparo do acarajé baiano, por exemplo). A ideia é baratear o custo da prevenção. O produto já foi testado em camundongos, com sucesso. Os animais produziram anticorpos contra a doença

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