Butantã e Bill Gates vão desenvolver vacina contra dengue

Em tempo de epidemia, fundação do magnata e governo paulista fecham parceria para criar vacina nacional

Fernanda Aranda, do Jornal da Tarde,

18 de outubro de 2007 | 09h10

Em tempos de aumento explosivo dos casos transmitidos pela picada do mosquito Aedes aegypti, o Brasil recebe a notícia de que até o empresário do mundo da informática Bill Gates vem reforçar o combate à dengue no País. Explica-se: no próximo dia 24, o Instituto Butantã e o governo de São Paulo vão fechar parceria com a fundação do magnata, para desenvolver a primeira vacina nacional contra a doença. No encontro, os pesquisadores do Butantã vão firmar o acordo para que os primeiros testes da nova imunização comecem já em julho de 2008. A produção será totalmente nacional, mas além da Fundação Path - comandada por Bill Gates - participa do processo também o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos. A Path, sediada em Seul, na Coréia, possui um departamento exclusivo para tratar do problema das doenças infecciosas em crianças e elegeu a dengue como uma prioridade de combate. O Butantã já havia selado a parceria com o Instituto dos EUA no início do ano para o desenvolver uma vacina contra os quatro tipos de dengue existentes atualmente. Já foi identificado que a tecnologia necessária na produção é similar à aplicada nas vacinas contra raiva e rotavírus, que já são produzidas pelo instituto paulista. Não há previsão sobre quando a nova arma contra a dengue vá chegar à população. Enquanto a vacina não chega, a Prefeitura começa hoje um programa para conter o aumento expressivo da dengue na Capital. Os 2.349 registros confirmados entre janeiro e o último dia 10 superam em 27% a soma de todos os casos registrados nos últimos cinco anos, já que entre 2002 e 2006 foram 1.707 notificações no total. Serão 2.400 agentes sanitários municipais que vão sair às ruas fazer o chamado 'Arrastão do Bem'. Casas serão visitadas, piscinas e caixas d'águas vedadas e larvas do mosquito recolhidas. Até os alunos das escolas municipais serão convocados para formar 'brigadas', responsáveis por passar as orientações sobre prevenção à comunidade. Uma outra medida é intensificar as ações em 2.400 ferros-velhos, borracharias e desmanches, onde os criadouros do mosquito são mais comuns. O alarme sobre a dengue foi dado anteontem pelo Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que classificou a situação do Brasil como uma epidemia. No País, são 481.316 casos até setembro, 50% a mais do que os 321.368 registrados no mesmo período de 2006. No Estado, as 65.869 confirmações desse ano também superam em 24% o as 50.027 registradas no ano passado. Apesar da explosão dos números paulistanos, a coordenadora municipal de Combate à Dengue, Bronislawa de Castro, afirma que o quadro municipal não é endêmico. 'É preocupante, sem dúvida. Mas temos hoje 21 casos em cada 100 mil habitantes. Epidemia só acontece quando são 300 casos nesse mesmo universo de pessoas', justifica. Divididos por bairros, os distritos periféricos da Cidade são os que mais sofreram com a dengue (veja ao lado). Juvêncio Furtado, secretário da Sociedade Brasileira de Infectologia, afirma que o primeiro passo para evitar a doença é eliminar os criadouros de dentro de casa. 'A estimativa é que 80% dos focos de larvas estejam nas moradias. Sem o apoio da população, não há sucesso em nenhum plano de ação', diz. E o professor da Unifesp Paulo Olzon avisa: 'A dengue não escolhe classe social. Aparece na piscina, no jardim de inverno e no terreno baldio. Cuidado é dever de todos.'

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