Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Butantã e governo de SP se contradizem sobre envio de dados da Coronavac à Anvisa

Secretário da Saúde disse que documentos cobrados pela Anvisa já haviam sido enviados, mas diretora do Butantã informou que instituto ainda está submetendo informações; Butantã promete enviar dados pendentes ainda nesta semana

Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2021 | 21h25

SÃO PAULO - Em coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira, 11, representantes do governo de São Paulo e do Instituto Butantã entraram em contradição sobre o envio dos dados completos dos estudos da Coronavac à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac e produzida em parceria com o Instituto Butantã, a Coronavac teve seu pedido de uso emergencial submetido à Anvisa na sexta-feira, 8, mas, no dia seguinte, após uma triagem dos documentos enviados, a agência informou que faltavam informações para avaliar a solicitação. O órgão federal informou ao Butantã a lista de documentos faltantes no próprio sábado, 9.

Na ocasião, o Butantã informou, em nota, que permanecia "fornecendo todos os documentos necessários" para a Anvisa e que os pedidos de mais informações "são absolutamente comuns em processos como esses”. Nesta segunda-feira, porém, o secretário Estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn, afirmou que os dados já tinham sido enviados no dossiê de 10 mil páginas submetido à Anvisa na sexta-feira.

"Na sexta-feira, o Instituto Butantã, às 9h, enviou de forma eletrônica para a Anvisa um dossiê contendo 10 mil páginas com todas as exigências cabíveis em relação ao estudo fase 3. [...]  A informação que nós recebemos do Doutor Dimas Covas, que é o diretor do Instituto Butantã, é que esses dados ja haviam sido ofertados e que, quando ressolicitados, foram reenviados", disse o secretário, afirmando ainda que as informações foram reencaminhadas no próprio sábado.

O governador João Doria também havia dito, na manhã desta segunda, que as informações solicitadas pela agência tinham sido enviadas ainda no fim de semana.

As declarações do secretário e do governador divergem das informações prestadas pela diretora do Butantã presente na coletiva, Cintia Lucci, e de nota do Butantã enviada ao Estadão na noite desta segunda.

"A gente enviou todas as informações imediatamente após fechar os dados e faltam algumas informações complementares que, para vocês terem uma ideia, está em 48%. A Anvisa já concluiu a análise de quase 40% dos nossos documentos. Está sendo rápido, a gente envia tudo que eles pedem", declarou Cintia na coletiva.

O instituto, em nota, confirmou a fala de sua diretora, esclarecendo que, desde que foi notificado pela Anvisa sobre pendências na documentação, no sábado, tem feito uma força-tarefa para apresentar os dados solicitados. "No próprio sábado, o Butantan fez duas reuniões com o órgão regulador. Toda a documentação será entregue ainda nesta semana".

O órgão diz ainda que "o fato de a Anvisa solicitar mais informações, que estão sendo prontamente atendidas pelo Butantã, não afeta o prazo previsto para autorização de uso do imunobiológico". Pelas regras da agência, no entanto, o prazo previsto de 10 dias para análise é pausado no período em que a agência espera a documentação faltante.

Mesmo com as pendências de documentação do Butantã, Doria voltou a cobrar urgência da Anvisa. “Não é razoável que processos burocráticos, ainda que em nome da ciência, se sobreponham à vida”, afirmou. "Diante de uma situação tão grave quanto esta, não há razão, mesmo que em nome da ciência, para não fazer todos os esforços para termos a vacina do Butantã e todas as vacinas", afirmou.

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