Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Butantã vai pedir uso emergencial da Coronavac e cogita antecipar vacinação para 15 de janeiro

Dados de eficácia ainda não foram divulgados; data prevista de 25 de janeiro se mantém, mas governador disse que Estado está preparado para começar antes

Júlia Marques, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2020 | 14h13
Atualizado 17 de dezembro de 2020 | 21h27

O diretor do Instituto Butantã, Dimas Covas, afirmou nesta quinta-feira, 17, que além do registro final, também será pedido o uso emergencial da vacina Coronavac na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no dia 23 de dezembro. Como a Anvisa estabeleceu dez dias para a avaliação de uso emergencial, seria possível obter essa autorização no início do mês de janeiro.

Dessa forma, o Butantã cogita iniciar a vacinação contra a covid-19 antes, no dia 15 de janeiro. A data divulgada anteriormente era a de 25 de janeiro. Os dados sobre a eficácia da Coronavac, imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantã em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac, ainda não foram divulgados. 

"Declaramos que íriamos fazer o pedido de registro, vamos fazer o pedido de registro na China e no Brasil. Vamos também dar entrada no pedido de uso emergencial no Brasil. Se fizermos isso na semana que vem, como está programado, no dia 23, isso significa que na primeira semana de janeiro poderemos ter uma manifestação da Anvisa. Ou seja, a partir de janeiro, é possível que tenhamos autorização para uso da vacina. A partir do dia 15, portanto, teremos, nesse cronograma, 9 milhões de doses para serem usadas nos brasileiros", disse Dimas Covas. 

“Se ocorrer dentro do manifestado pelas autoridades federais, o cronograma de início de vacinação em janeiro poderá acontecer a partir de 15 de janeiro, pela disponibilidade das vacinas. Elas estarão prontas para serem usadas”, afirmou o diretor do Butantã em coletiva de imprensa. "A vacina não pode ficar na prateleira."  

Na segunda-feira, 14, quando o governo paulista anunciou o adiamento da divulgação do resultado de eficácia da vacina Coronavac, argumentou que esse adiamento seria feito para solicitar o registro definitivo da vacina, o que facilitaria a aprovação do imunizante.  Nesta quinta-feira, porém, o Butantã disse que também vai pedir o uso emergencial, mas manteve a divulgação da eficácia na semana que vem. 

Por meio de nota no fim da tarde desta quinta-feira, após a coletiva de imprensa, o Butantã informou "que não voltou atrás em relação à forma de pedido do registro à Anvisa". Segundo o órgão, na segunda-feira foi informado que o Butantã solicitaria no dia 23 à Anvisa o registro definitivo da vacina. "Quatro horas depois dessa coletiva, a Anvisa veio a público e fixou data de dez dias para análise de pedidos emergenciais. Com base nesta nova decisão do órgão sanitário federal, o Instituto Butantã anunciou, nesta quinta-feira, que voltará a apostar tanto no pedido de registro definitivo quanto no emergencial." 

O governador João Doria (PSDB) disse que a data antes divulgada de início da vacinação em 25 de janeiro continua sendo a data oficialmente prevista para o início da imunização em São Paulo. "Se pudermos iniciar antes, ótimo, é o que mais desejamos. Estabelecemos esse prazo para não atropelar o rito da Anvisa, mas se houver um rito mais rápido, e eu diria aqui que estima-se que isso aconteça dado ao fato de que estamos perdendo mais 700 vidas por dia, quanto mais rápido melhor. Estaremos preparados para fazer a imunização em São Paulo e desejando também que o País como um todo o faça."

O governo paulista também disse que aguarda até esta sexta-feira, 18, um pedido formal do Ministério da Saúde para a compra da vacina do Butantã e inclusão do imunizante no plano nacional de vacinação, mas afirmou que, mesmo que o governo federal estabeleça início da vacinação em fevereiro, São Paulo mantém a previsão de começar a vacinar em janeiro. 

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse nesta quinta-feira que o governo federal prevê receber 24,5 milhões de doses de vacinas em janeiro. Dessas, 9 milhões são da Coronavac. Em audiência no Senado, o ministro disse que está "partindo para um contrato" com o laboratório ligado ao governo de São Paulo para compra do imunizante. Na quarta-feira, Pazuello deu uma nova estimativa para início da vacinação no País e disse que a previsão é começar em "meados de fevereiro". 

Procurado para comentar a afirmação de que a imunização em São Paulo pode começar antes do restante do País, o Ministério da Saúde afirmou que "os Estados e municípios têm papel fundamental nas ações de vacinação do Brasil", mas que o trabalho deve ser conjunto "para garantir a eficiência e segurança dos processos, especialmente no caso da covid-19, em um cenário no qual diferentes vacinas estarão disponíveis à população e será necessário garantir que cada pessoa receba as duas doses do mesmo imunizante". 

O governador João Doria anunciou ainda que receberá nesta sexta-feira, 18, mais 2 milhões de doses da vacina Coronavac. Com isso, São Paulo passará a ter 3,120 milhões de doses da vacina. O carregamento chegará na manhã desta sexta no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. 

Avanço da covid-19 no Estado

O Estado de São Paulo registra 1.361.731 infecções pela covid-19. O número de mortes chegou a 44.681. Foram registradas nesta quinta-feira 399 mortes pela covid-19 no Estado. Na quarta, por uma falha técnica, não foram registrados óbitos. A taxa de internação no Estado está em 61,1%, mas é maior na Grande São Paulo (66,6%). 

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