Governo do Estado de São Paulo
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Butantan dá início aos testes clínicos da Butanvac, candidata a vacina brasileira contra a covid-19

Instituto prevê 17 semanas para concluir estudos; voluntários passam por exames e primeiras aplicações devem ser feitas nos próximos dias

Everton Sylvestre, Especial para o Estadão

09 de julho de 2021 | 14h18
Atualizado 10 de julho de 2021 | 00h47

RIBEIRÃO PRETO - O governador João Doria (PSDB) participou na manhã desta sexta-feira, 9, do início dos testes clínicos da Butanvac, no hemocentro do Hospital das Clínicas, na Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto. A Butanvac, produzida pelo Instituto Butantan, é uma das candidatas à vacina contra covid-19 com fabricação 100% nacional. No evento, Doria e Dimas Covas, diretor do Butantan, reforçaram a importância do produto para contribuir com a revacinação dos brasileiros em 2022. 

Nesta sexta, ainda não houve aplicação de doses. Seis voluntários começaram a passar por exames para poder receber a Butanvac, que começa a ser aplicada em participantes dos ensaios clínicos nos próximos dias. Na quarta-feira, 7, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início dessa etapa após o Butantan encaminhar novos documentos que a agência havia solicitado. Até o fim dos testes para a liberação da vacina, o número de voluntários deve ser dez vezes maior do que o atual.

Nesta primeira etapa, iniciada nesta sexta-feira, os voluntários serão divididos em quatro grupos. O grupo 1 será vacinado com um micrograma; três microgramas serão aplicados no grupo 2. Já o grupo 3 vai receber 10 microgramas. O quarto grupo é vacinado com placebo. Os voluntários não ficam sabendo em que grupo estão. A partir daí, passam a ser avaliadas a segurança da vacina e qual a dosagem do imunizante será incorporada à vacina definitiva. 

Nas etapas seguintes, a Butanvac será avaliada em relação à resposta imune que produz. A previsão é que os estudos levem aproximadamente 17 semanas. Como o Estadão mostrou, o Butantan quer encurtar a fase três dos ensaios clínicos. A Anvisa, no entanto, afirma que ainda não há "consenso científico" sobre esse novo modelo. 

A Butanvac pode ser a primeira vacina com princípio-ativo, o IFA, produzido no Brasil. Para a produção da Coronavac, por exemplo, esse componente precisa ser importado da China. Além de facilitar a produção no País, a novidade deve favorecer o menor custo de produção dessa vacina. O Butantan já tem 10 milhões de doses prontas em estoque.

Covas ainda voltou a criticar o presidente Jair Bolsonaro, que tem divulgado mentiras sobre a Coronavac, também produzida pelo Butantan. O diretor do instituto ressaltou estudos recentes, no Chile e na Turquia, que apontam para a a efetividade da Coronavac na população em geral. Já Doria comentou a pesquisa Datafolha divulgada na última quinta, 8, que aponta alta rejeição ao presidente da República. "Bolsonaro está recebendo o que merece: o desprezo da população brasileira", disse.



Em até sete dias, saindo o resultado dos exames que começaram a ser realizados, os primeiros voluntários devem passar a ser vacinados. Rodrigo Calado, coordenador do estudo no HC explicou que o grupo inicial é de apenas seis voluntários por ser um estudo de segurança. “A gente faz seis; tudo bem com eles, a gente faz outros seis, depois mais seis. Correndo tudo bem nessas três etapas, vamos vacinar 400 de uma vez, completando a fase A”, esclareceu.

O pesquisador lembra que há um histórico, dentro do complexo da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da USP, de estudo clínico de excelência e pesquisa médica, mas nada na proporção histórica dos testes iniciados hoje. Ele atribui a oportunidade do HC estar à frente dos testes com a Butanvac ao sucesso alcançado nos estudos com a vacinação em massa com a Coronavac no semestre passado em Serrana, que também integra o complexo do HC.

Após se obter, na fase A, definição da dose adequada, passam a ser vacinados 5 mil voluntários na fase B. Essa segunda fase vai ocorrer em Ribeirão Preto e em São Paulo, selecionando pessoas entre as mais de 90 mil que se inscreveram para participar. A segunda fase será um estudo cego envolvendo pessoas que já receberam outras vacinas, pessoas que já foram contaminadas e pessoas não vacinadas. 

“Nós não vamos ficar quatro meses batendo na porta do ministério para comprar uma vacina para salvar o povo brasileiro. Nós teremos a oportunidade de disponibilizar a vacina para o povo brasileiro, diretamente pelo Instituto Butantan, e assim faremos. A capacidade de produção do Butantan será de um milhão de doses por dia. Teremos capacidade de atender toda a necessidade da produção brasileira para as doses de 2022 contra a covid-19 e a totalidade da população brasileira contra a gripe. Vamos também exportar para países latino-americanos que desejarem ter uma vacina eficaz, segura e mais barata do que as que estão sendo utilizadas neste ano”, afirmou Doria.

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