Butantan quer competir no mercado de vacinas de gripe

A primeira fábrica brasileira de vacina contra a gripe, inaugurada em São Paulo na última quinta-feira, deve começar a produzir suas primeiras doses já para a próxima campanha de vacinação, em 2008. O Instituto Butantan, local onde está instalada a nova planta industrial, dominou a tecnologia de todas as etapas da fabricação do produto e tornou-se auto-suficiente em vacinas contra gripe. Até agora, o Brasil apenas envasava a vacina bruta importada da França. É a primeira fábrica de vacinas desse tipo na América Latina e a segunda no hemisfério Sul. Diante do potencial de produção da fábrica, de até 40 milhões de doses da vacina por ano, e da quantidade de pessoas hoje atendidas pela campanha de vacinação, em torno de 16 milhões, o diretor presidente da Fundação Butantan, o cientista e professor da Universidade de São Paulo (USP) Isaias Raw, vê a possibilidade de o País ingressar no mercado mundial de vacinas de gripe como fornecedor. "A idéia é entrarmos em uma competição eventualmente internacional para facilitar a vacinação, que é uma arma fantástica de eliminar doença infecciosa. Nós temos que caminhar para um programa dentro da lógica do mercado de competição", afirma. Ele ressalta, no entanto, a intenção de baixar os preços da vacina e de, até mesmo, fornecê-la gratuitamente a países pobres. O investimento para tanto, segundo ele, já está feito. "A fábrica já está aí, de pé. Nós vamos competir, mas nós vamos baixar os preços. Se nós estamos ocupando militarmente o Haiti, nós podemos vacinar a população do Haiti, de graça, por conta do governo brasileiro. Às vezes, fora o resultado político, eventualmente econômico, é um resultado até para a saúde brasileira. Se começar uma pandemia no Paraguai, e nós acabarmos com a pandemia no Paraguai, ela não chega no Brasil", afirma Raw. O cientista diz que o país tem condições de produzir a vacina a um preço menor que o do mercado. Raw explica que a maioria dos laboratórios internacionais precisa reservar orçamento para financiar a publicidade da vacina, para vendê-la, situação que o Butantan não enfrenta, já que a vacinação contra gripe no Brasil é majoritariamente gratuita. "Ninguém quer que o Butantan entre nesse mercado. Primeiro, porque nós vamos ocupar parte do mercado e, segundo, porque nós queremos baixar os preços. Nada disso interessa ao grande produtor internacional. A gente pode fazer uma vacina eficaz a um custo muito menor. E nós vamos fazer isso com a gripe, com nossas duas pernas brasileiras", diz. A nova fábrica, além da vacina contra a gripe comum, deve começar a produzir dez novas vacinas até 2010. Entre elas, estão a vacina contra a dengue, contra Hepatite B, rota vírus polivalente e uma nova vacina contra difteria, tétano e coqueluche. A mesma planta industrial ainda poderá ser usada para a produção da vacina contra a gripe aviária. As informações são da Agência Brasil.

Agencia Estado,

30 de abril de 2007 | 08h15

Tudo o que sabemos sobre:
notícia

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.