AFP
AFP

Cachorro de enfermeira com Ebola é sacrificado na Espanha

Morte provocou manifestação de defensores dos animais em frente à casa da paciente; animal foi sedado para evitar sofrimento

O Estado de S. Paulo

08 Outubro 2014 | 15h54

Atualizada às 17h05

O cachorro de uma auxiliar de enfermagem espanhola infectada pelo Ebola foi sacrificado nesta quarta-feira, 8, por decisão das autoridades, conforme anunciou o governo regional de Madri em um comunicado. A morte provocou manifestações de defensores dos animais em frente à casa da paciente. O cachorro apresentava "um possível risco de transmissão da doença ao homem", afirmou o governo pouco depois de retirar o cachorro de casa.

"O animal foi sedado previamente para evitar sofrimento", completou. O serviço sanitário do governo de Madri se justificou explicando que os cachorros podem ser portadores do vírus sem mostrar sintomas da doença. "Em consequência, não existe garantia de que os animais infectados não eliminem o vírus através de seus fluidos orgânicos, com o risco potencial de contágio", completou.

Ativistas. Defensores dos animais tentaram evitar a captura do cachorro, chamado de Excalibur. Ativistas levaram cartazes em que lia "Excalibur, the world is with you" (Excalibur, o mundo está contigo). Duas pessoas ficaram feridas, segundo o fotógrafo de uma agência de notícias internacional. A polícia, no entanto, não registrou feridos. 

Um campanha no site change.org pedia que as autoridades sanitárias não sacrificassem Excalibur. O objetivo dos organizadores era de que fossem recolhidas 300.000 assinaturas. Com o título "Colocar o cão da enfermeira infectada por Ebola em quarentena ou isolamento em vez de sacrificá-lo", o site fazia um chamado "aos que sejam minimamente sensíveis" para que assinassem a petição e que as autoridades sanitárias desistissem de sacrificar o animal.



Autorização. Autoridades de Madri conseguiram nesta terça-feira, 7, autorização judicial para sacrificar o cachorro da auxiliar de enfermagem que contraiu o vírus Ebola. A decisão foi tomada diante do receio de que o animal pudesse ser vítima da doença. Estudo elaborado em 2005 sugere que os cães também podem ser infectados, sem apresentar sintomas, embora ainda não esteja claro de que modo poderia se dar a transmissão.

A auxiliar de enfermagem e seu marido estão isolados desde que o vírus foi identificado na mulher, na segunda-feira, 6. A alegação do governo de Madri, ao pedir o sacrifício, sustentou que o estudo científico disponível não descarta a possibilidade de que o animal possa propagar a doença.

A decisão judicial foi questionada pela organização espanhola de direitos dos animais Igualdad Animal, que criticou o sacrifício sem um diagnóstico do animal ou a possibilidade mantê-lo em quarentena. Mas as pesquisas não mostram qual efeito teria uma possível quarentena e quanto tempo o vírus fica alojado nos animais.

Para o veterinário Peter Cowen, da Universidade Estadual da Carolina do Norte, que tem auxiliado especialistas mundiais sobre os riscos das enfermidades infecciosas em animais, sacrificar o cachorro "é claramente uma reação exagerada". 


Estudos. A possibilidade de que os cães possam propagar o vírus, ao menos na África, foi apresentada em um relatório de 2005. Investigadores submeteram os animais a testes, durante o surgimento dos primeiros casos de Ebola, entre 2001 e 2002, após observarem alguns deles comendo outros cães infectados mortos. Dos 337 cachorros de várias populações e aldeias, entre 9% e 25% apresentaram incidência de anticorpos do Ebola, um sinal de que estavam infectados ou que ficaram expostos ao vírus.

Experimentos laboratoriais com outros animais afirmam que a urina, saliva e fezes poderiam estar infectados. Isso significaria que, em teoria, humanos poderiam ser contaminados caso sejam expostos a lambidas e mordidas do cachorro, ou mesmo entrem em contato para dar banho./COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

Mais conteúdo sobre:
Ebola Espanha Madri

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.