Leo Souza/Estadão
Leo Souza/Estadão

Cães e gatos são afetados por tipos específicos de coronavírus

Coronavírus entérico canino causa diarreia e pode ser prevenido com vacina V10, enquanto a peritonite felina leva animais à morte; covid-19 não atinge pets

Iolanda Paz, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2020 | 15h50

Donos de animais têm se perguntando se o novo coronavírus (Sars-CoV-2), responsável pela atual pandemia, poderia ter alguma relação com os pets. Veterinário do Pet Bello, Alan Dalbello explica que cães e gatos não são infectados, já que a covid-19 é essencialmente uma doença que acomete humanos. “Eles não são portadores da doença e não podem pegá-la”, afirma. “Por isso, também não transmitem para seres humanos nem para outros animais.” Dalbello, no entanto, diz que há outros tipos de coronavírus específicos que afetam os pets.

No caso do cachorros, é o coronavírus entérico canino (CCoV), que infecta as células do intestino dos cães e causa diarreia. Segundo Dalbello, trata-se de um vírus relativamente simples de ser eliminado e para o qual já existe vacina, a V10, que também previne outras doenças. 

Nas redes sociais, chegaram a circular notícias falsas, dizendo que essa imunização voltada para cachorros poderia ajudar a evitar a covid-19 em humanos. Fake news, claro. “São coisas totalmente diferentes. A vacina V10 serve apenas para cães”, diz o veterinário.  

Já o coronavírus felino (FCoV) causa a peritonite infecciosa felina (PIF), para a qual ainda não há vacina no Brasil. Dalbello explica que a doença é mais séria e geralmente não tem tratamento, provocando a morte do animal. Por enquanto, o que existe é um estudo no exterior de uma vacina com cerca de 70% de eficácia na prevenção do coronavírus felino.

Nos pelos. Mas os pets podem entrar nessa equação do mesmo jeito que, por exemplo, objetos da casa. Isso quer dizer que, se uma pessoa contaminada com o novo coronavírus tiver contato direto com um cachorro ou um gato, partículas com o vírus podem ficar no pelo do animal ou em suas mucosas. Dessa maneira, outro indivíduo poderia se contaminar ao fazer carinho nesse pet que foi exposto. Logo, é muito importante não levar as mãos aos olhos ou à boca durante o contato. E também lavá-las bem após brincar com o bichinho. 

Outro cuidado essencial em tempos de coronavírus é lavar as patinhas dos animais de estimação quando voltarem do passeio na rua – sempre respeitando as medidas de distanciamento social. Dalbello adverte, porém, que não se pode utilizar nenhum tipo de álcool em gel ou desinfetante nos animais, já que essas substâncias podem causar alergias e queimaduras, em alguns casos até severas. O melhor é lavar as patinhas com água e sabão, enxugando bem para evitar problemas provenientes da umidade, como dermatites bacterianas e fúngicas. 

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