Calor favorece o surgimento da catapora

O calendário das estações do ano entrou em parafuso. O inverno parece verão e os casacos, gorros e blusas de lã estão encostados no armário. Com os termômetros na casa dos 30º, o frio já não é mais ameaça para o paulistano. Mas o calor pode se tornar um risco. Além das doenças respiratórias provocadas pelo ar seco, as temperaturas altas também podem fazer com que a catapora apareça e provoque surtos, principalmente em creches e escolas. "O número de casos registrados de varicela, conhecida popularmente como catapora, costuma aumentar no final de agosto e início de setembro. Nesta época do ano, a aglomeração de pessoas facilita o contágio da doença, em especial nos locais em que as pessoas passam muito tempo", explica o coordenador de Controle de Doenças (CCD) da Secretaria de Estado da Saúde, Carlos Magno Fortaleza. Causada pelo vírus Varicela zoster, a doença é infecciosa e provoca lesões na pele, que se transformam em pintinhas vermelhas espalhadas pelo corpo. Além das manchas, outros sintomas são coceira, febre e dores musculares. De acordo com a chefe do setor de Infectologia Pediátrica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Lily Yin Weckx, mais de 90% dos casos registrados de catapora acontecem em pacientes com idades entre um e nove anos. "Nessa faixa etária, é mais comum aparecer a doença porque, nos primeiros doze meses de vida, o bebê tem anticorpos maternos que impedem a manifestação do vírus. Após essa idade, a proteção acaba e a criança fica mais suscetível a desenvolver a catapora", afirma a especialista da Unifesp. Para evitar que as carteiras das salas de aula fiquem vazias por causa da catapora, o ideal é que as escolas e creches fiquem atentas. "As instituições de ensino devem identificar o aluno doente e, após a recomendação médica, solicitar o seu afastamento. Só assim os outros estudantes deixam de ser infectados e os surtos são impedidos", orienta o coordenador estadual Fortaleza. Apesar de existir vacina contra o vírus Varicela zoster, as doses não são distribuídas de graça nos postos de saúde, assim como acontece com o sarampo, por exemplo. "A imunização é oferecida em clínicas particulares, para crianças a partir de um ano, por preços que variam entre R$ 100 e R$ 110", afirma Lily Weckx. Mas, no Estado de São Paulo, a Secretaria de Saúde oferece a vacina de graça em creches quando é notificado algum surto. "Consideramos surtos quando mais de um caso é confirmado no mesmo local. Vacinamos crianças menores de cinco anos para bloquear uma disseminação ainda maior da doença. Essa é uma iniciativa pioneira de São Paulo", garante o coordenador do CCD. Depois de infectada pelo vírus, a pessoa demora entre 14 e 21 dias para manifestar os sintomas da catapora. Quando os sinais aparecem, a transmissão acontece, em média, 48 horas após o contágio.

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