Calor suspende cirurgias no hospital Souza Aguiar

Pacientes do centro cirúrgico e da emergência do Hospital Municipal Souza Aguiar, no centro do Rio de Janeiro, enfrentaram ontem calor de 33 graus e o silêncio da prefeitura, que demora para consertar o sistema de ar-condicionado da unidade, a maior da América Latina. É a mesma prefeitura que alugou, na semana passada, um equipamento para refrescar o ministro da Saúde, Saraiva Felipe, em cerimônia no auditório do hospital. Apenas quatro cirurgias foram realizadas ontem, quando normalmente ocorrem de 14 a 20, de acordo com o deputado Paulo Pinheiro (PPS), da comissão de Saúde da Assembléia Legislativa. Ele fez uma vistoria no hospital e disse que apenas cinco das dez salas de cirurgia funcionavam. Em nota, a secretaria informou que e a refrigeração foi parcialmente recuperada em "cinco das oito salas" e "todas as cirurgias de urgência e emergência estão sendo realizadas". "É mentira. Eles nem sabem quantas salas de cirurgia têm", disparou Pinheiro. Na emergência, janelas abertas, muito calor e 88 pacientes em macas. Parentes levaram de casa ventiladores para tentar aliviar um pouco a situação dos internados. Jonas Lopes, de 18 anos, esperou 21 horas para ser operado, após procurar, sem sucesso, outros dois hospitais. Ele sofreu um acidente de moto e perdeu parte de um dos dedos. O deputado disse que entrará hoje com representação no Ministério Público contra a prefeitura. O Estado procurou o secretário municipal da Saúde, Ronaldo Cezar Coelho, mas ele estava sem tempo e só poderia marcar entrevista para hoje, segundo assessores. Nota da secretaria informa que os doentes do Souza Aguiar terão de sofrer por pelo menos mais uma semana. "Não é possível utilizar na cirurgia um sistema de refrigeração alternativo, como ocorrido na última quinta-feira, já que o centro cirúrgico não pode receber ar vindo da rua, que pode contaminar o ambiente cirúrgico", dizia o texto. Na semana passada, Coelho justificou o aluguel dos aparelhos por quatro horas. "Não posso receber o ministro sem ar-condicionado quando ele vem anunciar a liberação de R$ 45 milhões. Isso é bobagem, implicância de quinta categoria."

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