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Câmara inclui gestantes e lactantes na lista de prioridades para a vacinação contra a covid-19

Matéria também contempla puérperas e agora segue para sanção presidencial

Anne Warth, O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2021 | 19h28
Atualizado 08 de julho de 2021 | 22h07

BRASÍLIA - A Câmara aprovou um projeto de lei que inclui todas as mulheres grávidas, lactantes e puérperas entre as prioridades da campanha nacional de vacinação contra a covid-19. A matéria teve votação simbólica e segue agora para sanção presidencial.

A relatora, deputada Luisa Canziani (PTB-PR), manteve inalterado o texto que veio do Senado e acatou apenas uma emenda de redação, que deixa clara a competência do Ministério da Saúde para regulamentar a proposta. O projeto foi apresentado pelo líder da Minoria no Senado, Jean Paul Prates (PT-RN).

 O texto foi construído a partir de uma sugestão do movimento #LactantesPelaVacina. O argumento é que uma dose de vacina protege duas pessoas, pois os anticorpos transmitidos pelo aleitamento materno, aliados ao isolamento social, seriam a única forma de imunizar crianças com menos de dois anos contra a covid-19 - o uso de máscaras não é indicado para essa faixa etária em razão do risco de sufocamento.

 Como possuem autonomia para incluir e mudar as categorias em seus planos de imunização, alguns Estados e municípios já haviam incluído as lactantes entre os grupos prioritários. Não havia, porém, uma regra específica sobre a idade das mães e dos bebês que poderiam ser beneficiados.

 Grávidas e lactantes faziam parte das prioridades no início da campanha de vacinação, mas a imunização do grupo foi interrompida após a morte de uma gestante possivelmente associada à vacina da AstraZeneca.

 "Na nossa opinião, essa decisão foi equivocada, já que gestantes e puérperas estão em risco aumentado de formas graves de covid-19, bem como complicações obstétricas, tais como parto prematuro e mortalidade materna", afirmou a deputada Luisa Canziani.

 O senador Jean Paul Prates disse que a inclusão das mães é meritória. "Tivemos a honra de poder ser o instrumento para viabilização do projeto. Com a aprovação, ganham todas as mães que irão se proteger duplamente contra a pandemia, possibilitando estender a imunização também para as crianças, que ainda não podem receber a vacina", disse o senador.

 Pelo projeto aprovado hoje, não haverá limite de idade nem para as mulheres, nem para as crianças. Indicadores apontam que a gestação e o puerpério são fatores de risco para a covid-19 e aumentam o risco de hospitalização, partos prematuros e mortes.

 Segundo a deputada, indicadores oficiais mostram que 544 gestantes e puérperas morreram em razão da covid-19 no ano passado, uma média semanal de 12,1 mortes. O número, porém, triplicou neste ano, com a média semanal de óbitos subindo a 47,9. Até maio, foram 911 mortes.

 A justificativa da proposta menciona ainda um estudo com 131 mulheres em idade reprodutiva, entre elas gestantes e lactantes, que receberam as duas doses da vacina da Pfizer ou da Moderna. Segundo esse estudo, o monitoramento apontou a presença de anticorpos no sangue do cordão umbilical e no leite materno das participantes.

Movimento Lactantes pela Vacina comemora e se mostra confiante com a sanção do projeto

Com representantes espalhadas por todo o País, o movimento Lactantes pela Vacina comemora os avanços e se mostra confiante com a sanção do projeto pelo presidente Jair Bolsonaro. Como mostra reportagem do Estadão de junho deste ano, o grupo se baseia principalmente no argumento de que “uma vacina protege dois”.

“Nossa bandeira é a defesa integral da maternidade. Protegendo as mães, estamos protegendo as crianças. Precisamos interromper o ciclo de morte materno-infantil gerado pela pandemia. E, nesse momento, a vacina é nossa principal arma de defesa”, destaca a liderança nacional do movimento, Charlene Borges.

Já o braço do Lactantes pela Vacina em São Paulo defende que a aprovação por unanimidade nas duas casas (Senado e Câmara) demonstra a relevância do tema e reforça ainda que tem confiança na sanção do projeto.

“Acreditamos que o presidente (Jair Bolsonaro) sancionará brevemente, já que tratamos aqui da saúde da família brasileira”, diz a advogada Mariana Santana, que participa do movimento na capital paulista. “Ainda assim, seguiremos com os apelos ao governador João Doria. Cada dia de vacinação representa mais vidas de mães e bebês que podem ser salvas.” /COLABOROU ÍTALO LO RE

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