Campanha incentiva teste para diagnóstico da hepatite C

Transmitida pelo sangue contaminado, a doença tem cura por meio de medicamentos em 90% dos casos

Tiago Décimo, O Estado de S. Paulo

22 Julho 2014 | 23h42

SALVADOR - As Sociedades Brasileiras de Hepatologia e de Infectologia lançaram, nesta terça-feira, 22, em Salvador, uma campanha de divulgação para incentivar a população a realizar os testes de diagnóstico de hepatite C. Chamada 45+, por causa do alvo central da ação - pessoas com mais de 45 anos -, a campanha é apoiada pela Associação Médica Brasileira (AMB) e tem como objetivo, segundo os presidentes das sociedades médicas, sensibilizar a população e os próprios médicos sobre a necessidade de diagnóstico da doença. 

"Por ser uma doença que não costuma apresentar sintomas específicos nas fases iniciais e tem desenvolvimento lento, a maioria das pessoas não sabe que tem a hepatite C", diz o presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia, Edison Parise. "Nossa estimativa é que haja entre 2 e 2,5 milhões de infectados com o HCV (vírus causador da doença) no País, mas o Ministério da Saúde registra tratamento de apenas 100 mil pessoas desde 2006, o que mostra quanto precisamos avançar no diagnóstico."

Transmitida pelo sangue contaminado - tanto diretamente, em transfusões feitas há mais de 20 anos, quanto indiretamente, por compartilhamento de seringas, agulhas ou equipamentos de manicure, por exemplo -, a hepatite C tem cura por meio de medicamentos em 90% dos casos, ressaltam os especialistas. O importante, de acordo com eles, é que a doença seja diagnosticada e tratada, porque com o tempo ela evolui para cirrose e câncer de fígado. 

Segundo dados da Sociedade Brasileira de Infectologia, a hepatite C já mata mais pessoas no Brasil que a aids. "Uma em cada quatro pessoas sem o diagnóstico morre por causa da doença, em média, aos 56 anos", diz o presidente do grupo de pacientes de hepatite C Otimismo, Carlos Varaldo. 

Tratamento. Hepatologistas e infectologistas aguardam com ansiedade a chegada ao mercado internacional de uma nova série de medicamentos para o tratamento da hepatite C, a partir do fim do ano. Hoje, no Brasil, o paciente tem disponível apenas o tratamento com um coquetel que pode causar diversos efeitos colaterais - até intolerância, em certos casos. Além de causar complicações, o tratamento, que dura 48 semanas, é considerado longo tanto por médicos e quanto por pacientes. 

No exterior, já é possível, com uma combinação de dois medicamentos, reduzir o tratamento para 12 semanas, com menos efeitos colaterais. Essas duas drogas, porém, ainda não tiveram a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para entrar no País. Alguns pacientes vêm importando os medicamentos, mas o preço é proibitivo - o tratamento de 12 semanas chega a custar R$ 450 mil. "Temos de combater essa burocracia que é colocada para autorizar a entrada de novos medicamentos", reclama Parise. "Essas drogas que usamos hoje, que já estão defasadas, demoraram um ano e meio para ser liberadas." 

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Erico Arruda, além de autorizar a liberação dos medicamentos, o governo brasileiro precisa negociar com os laboratórios para tornar o tratamento acessível. "Houve um avanço tremendo no tratamento dos infectados nos últimos anos e esse tratamento precisa estar disponível para os pacientes", argumenta. "Cabe ao governo brasileiro dizer para a indústria farmacêutica quanto pode pagar pelos medicamentos. Há casos de negociações com países como Índia e Egito em que os governos conseguiram quedas relevantes nos preços, de mais de 90%."

Mais conteúdo sobre:
hepatite CSalvadorsaúde

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.