Campanha no Rio chama atenção para risco de traumas ortopédicos no carnaval

Aumento do número de acidentes motivou ação da sociedade de ortopedia e traumatologia

Agência Brasil,

11 de fevereiro de 2012 | 10h37

 O aumento do número de acidentes nas ruas durante o carnaval levou a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (Sbot) do Rio de Janeiro a programar para este domingo (12) a segunda edição da campanha de alerta à população “Folia sem Trauma. Não Faça Deste o Seu Último Carnaval”. O evento ocorrerá no calçadão central de Copacabana, no período das 9h às 14h.

O vice-presidente da Sbot, Vincenzo Giordano Neto, destacou, em entrevista à Agência Brasil, que o principal objetivo é chamar a atenção das pessoas para o fato de que mesmo durante épocas festivas, como o carnaval, Natal e réveillon, a atenção tem que ser a maior possível em relação ao trânsito.

“A gente  tende a ser um pouco mais dispersivo, para não dizer  negligente, quando essas épocas mais festivas chegam”, disse. E os acidentes continuam ocorrendo, lotando as emergências dos hospitais. “Na verdade, elas lotam mais até do que no dia a dia normal, em que as pessoas estão indo para o trabalho”.

Giordano informou que devido ao sucesso da campanha feita pela asssociação no ano passado, com o apoio das secretarias Municipal e Estadual de Saúde do Rio, a campanha foi encampada pela Sbot nacional e pelas entidades regionais.

Será feito um alerta à população de que não existe momento certo para ocorrer um acidente. “Basta estar na rua”.  Este ano, a campanha traz uma inovação, que é a montagem de um circuito interativo, onde as pessoas terão a oportunidade de acompanhar as consequências da condução de veículos por motoristas alcoolizados, por exemplo. “A gente quer informar, mas de uma forma que leve a um moderado estado de choque de quem estiver participando da campanha”.

Em várias estações que serão montadas, os participantes poderão acompanhar desde o momento em que visualizam o acidente, passando pelo resgate do acidentado, sua admissão hospitalar, até o tratamento do paciente e possíveis sequelas. “Mostra a competência do atendimento e, ao mesmo tempo, a complexidade a que esse paciente está exposto depois que se envolveu em uma aparente simples colisão ou queda de moto. E vai até o final”.

O público receberá informações adicionais por meio de vídeos de campanhas mundiais que mostram, por exemplo, o impacto que o passageiro do banco de trás, sem cinto de segurança, pode ter em acidentes de colisão frontal,  quando é projetado para a frente e bate, “já com o peso de um elefante”, contra o condutor ou o carona do veículo.

Giordano disse ainda que os acidentes envolvendo automóveis contribuem para cerca de 15% do aumento na realização de cirurgias ortopédicas de urgência e emergência nos hospitais das redes públicas municipal e estadual nos feriados. “Porque o trauma, hoje, é endêmico no mundo”.

Ele explicou que na população economicamente ativa, que abrange desde o adolescente de 15 anos até o adulto abaixo de 40, o trauma de todas as lesões correlacionadas a isso constitui a principal causa de óbito e invalidez, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). “E a coisa é estratosférica se a gente projetar para 2040”.  

Segundo o ortopedista, o trauma é tão endêmico que a expectativa é que vai haver, em poucos anos, dificuldade para internar pacientes de cirurgias eletivas, como a de prótese de joelho, porque os leitos estarão ocupados por pacientes do trauma.

Ele acredita que as campanhas farão com que a população entre em contato com esses dados “e, de uma forma levemente chocante, entenda que bater de carro nem sempre causa somente aquele arranhãozinho. Pode causar lesão muito mais grave”.

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