Campinas anuncia nova fase de investigação de doença

Quase 300 recém-nascidos podem ter tido contato com a técnica de enfermagem com tuberculose

Ricardo Brandt,

01 de março de 2013 | 18h53

CAMPINAS - A Secretaria de Saúde de Campinas (SP) anunciou nesta sexta-feira que vai iniciar uma nova triagem para identificar se bebês que nasceram antes do período de janeiro a junho de 2012, em uma das alas da maternidade do hospital Madre Theodora, que tiveram contato direto ou indireto com uma técnica em enfermagem que estava com tuberculose, podem ter sido infectados. Os resultados divulgados nesta sexta apontam que ao menos 107 bebês foram contaminados, conforme adiantou o jornal O Estado de S. Paulo.

"Nos exames identificamos que uma criança que foi contaminada nasceu em dezembro de 2011 e outra no dia 2 de janeiro de 2012. Por isso, vamos agora começar uma segunda etapa de investigação", explicou a coordenadora do programa de tuberculose da Prefeitura de Campinas, Maria Alice Satto. Todas as crianças que nasceram entre novembro e dezembro agora serão chamadas para passar pelos exames.

São 282 recém-nascidos que podem ter tido contato com a técnica de enfermagem, que foi a fonte do surto. Eles passarão por testes com reagentes, exames de raio x e avaliação clínica. A estimativa é que essa nova fase seja concluída até o fim de março. Os pais serão avisados pelo hospital por telefone. Pacientes que nasceram entre julho e outubro de 2011, nos dias em que a enfermeira estava de plantão, também serão investigados porque foram descobertos dois casos de tuberculose em crianças que nasceram entre julho e agosto de 2011.

"Não acreditamos que essas contaminações tenham relação com a fonte de contaminação do surto, porque é um período muito longo, mas não podemos descartar", afirma Satto.

Nesses casos, são ao todo 577 crianças, mas elas não terão que passar por exames. A triagem será feita por meio de contatos telefônicos, em que profissionais da Vigilância em Saúde vão avaliar as condições clínicas dos bebês. "A possibilidade de encontrarmos novos doentes é baixa, quem deveria adoecer, já teria adoecido", explicou a coordenadora.

Responsabilidade

"A responsabilidade é do hospital", afirmou Satto, sobre o surto de tuberculose que começou a ser investigado em agosto do ano passado e entra agora em uma nova etapa. Para ela, o caso é um episódio isolado na literatura médica. Em Campinas, dos 1.054 bebês analisados, que nasceram entre janeiro e junho, 107 foram contaminados com o bacilo de Koch. Desses , 17 tiveram a tuberculose manifestada e 90 tiveram a tuberculose latente. Todos tiveram que iniciar tratamento com antibióticos por seis meses.

Desse total, 311 tiveram contato direto com a enfermeira, sendo que 10% deles (31) apresentaram infecção latente e 2% (7) ficaram doentes. Dos 743 que não tiveram contato direto com a enfermeira, segundo os registros de plantão, 8% (59) tiveram tuberculose latente e 0,9% (7) tiveram tuberculose manifesta.

A tuberculose é uma doença infecciosa que tem cura. Em recém-nascidos, tanto o diagnóstico como o tratamento são mais difíceis. Bebês não são transmissores da bactéria.

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