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Campinas está em alerta com 16 casos de microcefalia

Registros da má-formação foram feitos partir de outubro do ano passado; associação com o zika vírus não está descartada

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

05 Janeiro 2016 | 16h00

SOROCABA - O aumento nos casos de bebês com microcefalia preocupa a população e põe em alerta a saúde em Campinas, interior de São Paulo. O número de crianças nascidas com a má-formação subiu de 10 para 16, conforme boletim divulgado nesta segunda-feira, 4. De acordo com o secretário municipal de Saúde, Carmino Antonio de Souza, apesar da preocupação, não foi estabelecida relação da microcefalia com o zika vírus, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. "Não estamos excluindo uma possível associação porque o Ministério de Saúde ainda não definiu os critérios para a exclusão", disse.

Os casos foram registrados a partir de outubro do ano passado e, em cinco deles, as gestantes são de cidades da região - quatro de Sumaré e uma de Hortolândia - mas deram à luz em Campinas. A microcefalia é detectada quando o bebê nasce com o perímetro da cabeça igual ou inferior a 32 centímetros após nove meses de gestação. 

De acordo com o secretário, como a má-formação não era de notificação obrigatória, não é possível saber se o número atual de casos está acima do normal e em que porcentual. Em Campinas, nascem cerca de 21 mil crianças por ano. Conforme dados do Ministério da Saúde, em 2014 foram confirmados 39 casos de microcefalia em todo o Estado de São Paulo.

Souza lembra que ainda não houve caso confirmado de zika vírus na cidade. "O que o problema da zika está nos ajudando é no sentido de fazer com que a população se preocupe mais com o mosquito." Segundo ele, os agentes de saúde passaram a ter mais facilidade para entrar nas casas e a população se mostra mais conscientizada em relação aos riscos do Aedes, que também transmite a dengue e a chikungunya. "Criamos uma comissão para trabalhar toda essa questão junto com as universidades", disse.

Especialistas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) estudam o zika vírus e a forma de transmissão pelo mosquito, além de substâncias naturais que possam substituir inseticidas químicos. Os estudos, em parceria com a unidade da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto, incluem maior ou menor resistência das pessoas ao zika vírus. 

O Ministério da Saúde informou que orienta os municípios a notificarem os casos em que a microcefalia pode ter relação com o zika vírus, pelo fato de a gestante ter apresentado sintomas ou proceder de região com circulação do vírus, ou ainda quando outras possíveis causas da má-formação são descartadas. Nesses casos são recomendadas ações de bloqueio do vírus, exames em laboratórios credenciados e acompanhamento dos pacientes.

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