Campinas registra queda de 94% em casos de dengue

Para secretário da Saúde, fato se deve à interação entre setores, ampla divulgação e planejamento

Tatiana Fávaro, de O Estado de S.Paulo,

26 de março de 2008 | 19h19

A Secretaria de Saúde de Campinas, a 95 quilômetros de São Paulo, registrou queda de 94% no número de casos de dengue nos dois primeiros meses deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. Segundo dados da Vigilância em Saúde Municipal divulgados nesta quarta-feira, 26, em janeiro e fevereiro de 2008 foram registrados 60 casos da doença, ante a 871 notificados no primeiro bimestre de 2007.   Veja também:  Especial - A ameaça da dengue Cesar Maia acusa ministério de omissão 'criminosa' por dengue Medo da dengue aumenta procura por repelentes no Rio Temporão critica 'saúde precária' da Prefeitura do Rio PM pode arrombar porta de quem dificultar trabalho de agente Dengue atinge status de epidemia no Rio   De acordo com os dados divulgados pela secretaria, também diminuiu o número de áreas de transmissão da dengue. O levantamento mostra 28 locais com registro de casos na cidade, em 2008, e 38 áreas de transmissão em janeiro e fevereiro do ano passado.   O secretário de Saúde, José Francisco Kerr Saraiva, associou a redução no número de casos a três ações: o planejamento estratégico de combate à doença, a organização de uma comissão intersetorial de ação contra a dengue, e a divulgação em massa do trabalho e de medidas preventivas.   "A primeira ação foi diretamente com os funcionários da rede pública. Fizemos oficinas de planejamento e capacitação, contrato emergencial de funcionários para combate a endemias e epidemias, fortalecemos a atenção básica nos postos de saúde que são as células onde os pacientes chegam com as suspeitas. Depois, entrosamos o relacionamento entre saúde, departamento de parques e jardins, de abastecimento de água, secretaria de educação, de infra-estrutura, de obras, porque não adianta um mandar tirar o lixo e o outro não tirar e daí por diante", afirmou.   Campinas possui atualmente 63 unidades básicas de saúde para aproximadamente 1 milhão de pacientes. "Não entendo o resultado como vitória, mas como avanço. Capilaridade e interdisciplinaridade são duas coisas importantes. Porque se não monitorarmos constantemente isso pode virar problema", disse Saraiva.   Para combater a dengue, a melhor receita, segundo o secretário, é planejamento estratégico, unidades básicas estruturadas e pactuação de relações intersetoriais. "Atribuir a falta de sucesso no combate à dengue apenas à falta de recursos não adianta. Claro que em cidades pequenas o controle fica mais fácil porque há menor degradação ambiental, menos lixo e um índice de favelização mais baixo. Mas mesmo onde se tem recurso, planejamento é necessário."

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