Câncer de mama é mais agressivo no Norte e no Nordeste

Câncer de mama é mais agressivo no Norte e no Nordeste

Estudo inédito com 5.687 mulheres, envolvendo 5 tipos da doença, mostra que Sul e Sudeste têm casos com maiores chances de cura

FABIANA CAMBRICOLI, O Estado de S.Paulo

19 Outubro 2014 | 03h01

SÃO PAULO - Embora registrem menor número de casos de câncer de mama, as Regiões Norte e Nordeste são as que têm a maior incidência de tumores mais agressivos, revela estudo inédito divulgado pela Sociedade Brasileira de Mastologia, por ocasião do Dia Internacional Contra o Câncer de Mama, celebrado neste domingo, 19.

Durante dois anos, os pesquisadores analisaram as características dos tumores de mama de 5.687 mulheres em todas as regiões do País. Eles foram divididos em cinco tipos, de acordo com o grau de agressividade, sendo o luminal A o menos agressivo e com maiores chances de cura e o triplo negativo o mais agressivo e com menos possibilidades de tratamento.

O estudo mostrou que no Sul e Sudeste a incidência do tumor triplo negativo é de aproximadamente 14%, enquanto no Norte o índice sobe para 20,3% e no Nordeste e Centro-Oeste, vai para 17,4%. Já os tumores do tipo luminal A representam 30,8% dos casos relatados na Região Sul e 28,8% no Sudeste. A frequência desse tipo de câncer cai para 24,1% no Nordeste, 25,3% no Norte e 25,9% no Centro-Oeste.

Segundo Filomena Carvalho, professora associada do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da USP e uma das autoras do estudo, as diferenças nas incidências dos diversos tipos de tumores, de acordo com a região do Brasil, mostram que o aparecimento de determinado câncer tem a interferência de questões raciais e ambientais. "Outros estudos internacionais já mostraram que mulheres afrodescendentes tendem a apresentar tumores de mama mais agressivos. No Norte e Nordeste, a taxa de população negra é maior. As condições climáticas, como o calor, também podem ser um fator que influencia nas mutações genéticas", diz ela, que integra a SBM e liderou o estudo ao lado do pesquisador Carlos Bacchi, diretor do laboratório Bacchi, de Botucatu.

Moradora de Salvador, a farmacêutica Isabele Maiara de Oliveira e Silva, de 34 anos, descobriu o câncer de mama há pouco mais de um mês. Por causa da agressividade da doença, ela foi submetida à cirurgia de retirada do tumor e da mama 20 dias depois. Embora ainda esteja aguardando os resultados da biopsia, a principal hipótese é de que ela tenha o tumor do tipo triplo negativo.

"Eu fazia ultrassom da mama todos os anos. Só não fazia mamografia porque, pela idade, ainda não tinha indicação. De um ano para o outro, esse tumor surgiu e, quando descobri, já tinha dois centímetros. Ele crescia muito rápido", conta ela, que agora terá de passar por quimioterapia e radioterapia.

A analista de sistemas Denise Guedes Marques Amadeu, de 49 anos, de São Paulo, passou, há cinco anos, por processo similar ao de Isabele. "Tive de fazer a cirurgia, químio e radio. A sorte foi que descobri o tumor no começo, e o tratamento foi iniciado rapidamente", conta ela. Denise teve um tumor luminal A, o que tem as maiores chances de cura. "É bom as pessoas saberem que o diagnóstico de câncer de mama não é uma sentença de morte. E mesmo o trauma da retirada da mama pode ser minimizado com a cirurgia de reconstrução", diz.

Prevenção. Para Filomena Carvalho, o estudo das diferenças geográficas dos tumores é importante para o estabelecimento de políticas públicas de prevenção e diagnóstico mais eficazes para cada contexto. "Embora a gente não saiba com certeza as causas dessas diferenças, elas devem nortear toda a estratégia de prevenção. No caso de regiões com maior incidência de tumores mais agressivos, o diagnóstico precoce é ainda mais importante", defende.

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