ALEX SILVA/ESTADAO
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'Câncer também traz coisas boas', afirma jovem que recebeu diagnóstico aos 23 anos

Evelin Scarelli estava de férias quando percebeu um caroço no seio. Ela retirou a mama, fez radioterapia e quimioterapia. Outubro é o mês de conscientização da prevenção do câncer de mama

Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo

05 Outubro 2015 | 11h30

Aos 23 anos, a estudante de fisioterapia Evelin Scarelli não imaginava que um caroço que sentiu em uma das mamas seria o início de um câncer que mudaria completamente sua vida. Ela estava de férias na casa dos avôs em Atibaia, no interior de São Paulo, quando sentiu o caroço e procurou um médico.

“Pediram alguns exames, mas o médico disse para não me preocupar já que provavelmente era um lipoma [nódulo formado por células de gordura]. Mas eu estava incomodada com aquilo e insisti para fazer uma cirurgia para retirar”, contou Evelin.

Depois de um mês, ela recebeu o diagnóstico de que estava com câncer de mama, já em estágio avançado. “Eu já tinha até esquecido do carocinho e nem sabia que eles tinham encaminhado para biópsia. O câncer já estava tão avançado que no mesmo dia que recebi a notícia, o médico me encaminhou para uma bateria de exames”, disse Evelin.

“Quando você recebe o diagnóstico de câncer, você não fica sabendo apenas que está doente, mas é um pacote inteiro de más notícias. Você pensa que vai perder o cabelo, vai perder os seios. Tive que parar a faculdade por seis meses.”

Evelin fez uma mastectomia total (retirada total da mama) e iniciou o tratamento de quimioterapia. No entanto, os médicos encontraram um novo tumor que não respondia ao tratamento, por isso, ela precisou fazer também radioterapira. “Foram três ciclos de quimioterapira e 28 de radioterapia, e as várias cirurgias que precisei fazer”, contou.

O mais difícil, segundo Evelin, foi contar aos parentes e amigos sobre o câncer. “É um diagnóstico muito pesado, muitas pessoas encaram como uma sentença de morte. Meus avôs, por exemplo, achavam que não tinha cura e achavam que eu estava morrendo. Mas meus pais me ajudaram muito nesse processo.”

Mãe. Dois anos depois do diagnóstico de Evelin, a mãe dela também descobriu um câncer de mama e precisou retirar os seios. “Saber que minha mãe estava doente foi pior do que quando eu fui diagnosticada. Eu me sentia muito impotente em vê-la sofrer. A única coisa que eu podia fazer era dar o meu apoio.”

Hoje, as duas estão com a doença controlada. Evelin trabalha no Instituto Oncoguia, associação criada para promover ações de prevenção e promoção à saúde. “O câncer também me trouxe coisas boas. Hoje, eu dou muito mais valor para vida, não fico mais aborrecida e ansiosa com as coisas que ficava antes. Me lembro sempre dos dias que estava no hospital e ficava vendo a vida passar pela janela e agora estou aqui, vivendo de novo. Hoje, eu gosto até dos dias nublado.”


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