Capacidade evolutiva explica invulnerabilidade do vírus da aids

Cada paciente hospeda milhares de versões do HIV, todas diferentes e em concorrência para infectar as células

Efe

12 de dezembro de 2008 | 17h27

A rápida evolução do Vírus de Imunodeficiência Humana (HIV) é o principal fator de seu caráter letal e dos problemas para combatê-lo, revelou um estudo publicado nesta sexta-feira, 12, pela revista PLoS Computational Biology. Apenas um vírus basta para iniciar a infecção e em pouco tempo o paciente hospeda milhares de versões do mesmo vírus, todas elas diferentes e em concorrência para infectar as células. O estudo acrescentou que a rápida e especial evolução do vírus em cada paciente é o que lhe permite evitar as defesas e lhe dá uma enorme capacidade para desenvolver resistência às drogas antivirais. "Em cada paciente se acumula uma enorme diversidade do HIV e essa é a razão pela qual é um vírus tão poderoso", indicou Ha Youn Lee, professor da Universidade de Rochester e autor do estudo. A pesquisa do HIV realizada pelo grupo liderado por Lee também descobriu que a evolução do vírus não ocorre em um ritmo constante, desacelerando quando diminui o nível das cruciais células imunológicas conhecidas como CD4+T. Segundo os cientistas, é possível que diante do enfraquecimento do sistema imunológico o vírus não sinta sua "pressão seletiva" e não necessite mutar. "Em uma pessoa com um forte sistema imunológico, o vírus tem de mudar para sobreviver", assinala Thomas Leitner, professor do Laboratório Nacional dos Álamos e especialista em evolução viral e bacteriana. "Mesmo uma pessoa que viveu uma década ou mais com o vírus em algum momento sofre um enfraquecimento de seu sistema de defesas. É nesse momento que o vírus evolui. É um processo muito dinâmico", indicou.

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