Capital paulista já tem 6 casos de microcefalia ligada ao zika

De acordo com o governo, 111 casos de zika foram notificados na capital neste ano, o dobro de todo o ano passado

Fabiana Cambricoli, O Estado de S. Paulo

14 Março 2016 | 16h02

SÃO PAULO - O número de casos de zika notificados na capital paulista dobrou em 20 dias e os registros de microcefalia ligados ao vírus já chegam a 27 – seis confirmados e 21 em investigação –, conforme balanço apresentado na tarde desta segunda-feira, 14, pela Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo.

De 1.º de janeiro a 8 de março, houve 111 notificações da doença na cidade, ante 47 relatadas no dia 23 de fevereiro, balanço anterior divulgado pela Prefeitura. Do total de notificações, 8 casos importados e 1 autóctone (de transmissão interna) já foram confirmados, 7 foram descartados e 92 seguem em investigação. Há ainda três casos confirmados de moradores de outros municípios que tiveram o diagnóstico feito em serviços de saúde da capital.

Em todo o ano passado, 48 casos de zika haviam sido notificados e apenas 2 foram confirmados, ambos importados. Para o secretário municipal da Saúde, Alexandre Padilha, é possível afirmar que o zika já está em circulação na capital. “Com a confirmação do primeiro caso autóctone, não há dúvidas de que existam outros”, disse ele. 

O primeiro registro de transmissão interna da doença foi na Freguesia do Ó, zona norte, em uma mulher grávida de 30 semanas. De acordo com o secretário, os exames de imagem da gestante estão normais e não há indício de que o feto tenha microcefalia.

Quantos aos bebês nascidos com a má-formação na capital, Padilha informou que a Prefeitura fez um convênio com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) para que sejam acompanhados por especialistas da instituição. “Essas crianças serão examinadas para verificar se apresentam outras más-formações além da microcefalia”, disse. Estudos mostram que há a possibilidade de o vírus causar outros problemas neurológicos e danos em mais órgãos.

Nos seis casos confirmados de microcefalia, a principal hipótese é de que as gestantes tenham sido infectadas pelo zika fora da capital paulista. Segundo a secretaria, três vieram do Nordeste, uma de Indaiatuba, no interior de São Paulo, e duas de municípios que ainda não foram identificados. 

Dengue e chikungunya. A secretaria também divulgou que de janeiro até o dia 13 de fevereiro dobrou o número de casos notificados (suspeitos) de dengue em relação ao mesmo período do ano passado, de 6.007 para 13.092, mas caiu o número de casos confirmados, de 2.280 para 1.983. “Verificamos que a curva ascendente de casos confirmados vista em fevereiro de 2015 não foi tão intensa em fevereiro de 2016. Mas o período de pico ainda está por vir, em abril, então a batalha não está ganha”, disse Padilha. Uma morte por dengue já foi confirmada neste ano na cidade. A vítima morava no bairro do Tremembé, na zona norte da capital.

Segundo os dados da Prefeitura, a zona leste concentra o maior número de casos de dengue neste ano. Já são 522 registros na região, ante 311 no mesmo período do ano passado. De acordo com o secretário, a falta de água nos bairros da zona leste, motivada pela crise no sistema Alto Tietê, é um dos motivos que explicam a alta de casos. Os dados municipais mostram que cresceu o número de criadouros do mosquito Aedes aegypti em recipientes usados pelos paulistanos para o armazenamento de água.

A secretaria informou ainda que já recebeu neste ano 641 notificações de chikungunya, das quais 29 foram confirmadas. Há 25 casos importados e quatro registros autóctones, três deles no Sacomã, na zona sul paulistana, e um em Pirituba, na zona norte da cidade.

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