'Caridade' entre bactérias frustra tratamentos com antibióticos

Estudo do comportamento de populações unicelulares mostra cooperação e altruísmo

estadão.com.br, estadão.com.br

01 Setembro 2010 | 14h12

Apenas uma pequena fração das bactérias em uma população adquire resistência extrema a antibióticos, tornando-se "supermutantes", mas essa elite acaba protegendo os micro-organismos mais frágeis, mostra estudo publicado na edição desta semana da revista Nature.

 

Bactérias resistentes a drogas são um problema, principalmente em hospitais. Embora a forma como cada célula individual desenvolve resistência já seja compreendida, até agora as estratégias de sobrevivência em escala populacional não tinham sido desvendadas. 

 

O novo estudo, realizado pelo pesquisador James Collins e colegas da Universidade de Boston e do Instituto Wyss de Engenharia Inspirada em Biologia, da Universidade Harvard, mostra que a maioria das bactérias sobrevive mesmo sem desenvolver resistência à dose antibiótico lançada no ambiente: os indivíduos eram menos resistentes do que a população como um todo.

 

Experimentos revelaram que as poucas bactérias supermutantes produziam altos níveis de uma molécula sinalizadora capaz de promover sobrevivência em ambientes hostis. Quando uma bactéria comum sucumbe ao antibiótico, ela deixa de gerar essa molécula, o que provavelmente contribui para sua morte.

 

Ao criar uma overdose da substância, supermutantes podem proteger as companheiras mais vulneráveis. No entanto, a superprodução prejudica as mutantes, que se desenvolvem mais devagar que as bactérias comuns.

 

"Este comportamento altruísta apoia um crescente corpo de indícios que sugere que organismos uniclelulares agem como comunidades. Acreditamos que o estudo desses comportamentos em escala populacional oferecerá uma importante compreensão da dinâmica da evolução", disse, por meio de nota, Collins.

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