Cartão controla o que as crianças comem na cantina

Depois dos celulares com rastreadores e das câmeras em tempo real, os pais agora podem controlar até o que os filhos compram na lanchonete do colégio. Somente em São Paulo, mais de 70 escolas já aderiram a um programa que mistura os vales-refeição com uma espécie de "big brother" online. Nesse caso, porém, a vigilância é uma ferramenta para ajudar na educação nutricional e no combate à obesidade entre crianças e adolescentes. A idéia é simples. O cardápio da lanchonete fica disponível na internet: combinações prontas (sanduíches saudáveis, sucos e frutas), chocolates, salgadinhos, refrigerantes, barras de cereais. O pai carrega o cartão com a quantia que o filho pode gastar por mês. Além disso, ele pode restringir alimentos, selecionar lanches ou permitir que o filho escolha o que quer comer. E tudo o que for consumido pode ser visto pela internet. "Quando lançamos o produto, fizemos uma pesquisa com os pais para saber qual era a maior preocupação deles na área de alimentação. Descobrimos que, no caso dos pequenos, eles se preocupavam com o fato de a criança levar dinheiro para a escola e também com o que elas poderiam comprar", diz Fernando Montenegro, do Lanchecard, que fechou parceria com 50 escolas no Estado e está em fase de implantação em 34. Santa Cruz, Dante Alighieri, Rio Branco, São Luiz, Bandeirantes, Mackenzie, São Judas Tadeu, São Bento e algumas unidades do Etapa e do Objetivo são algumas das instituições que já implantaram ou estão instalando o serviço, oferecido como uma opção aos pais. Ou seja, quem não quiser adotar o cartão pode continuar comprando na cantina com dinheiro. "É uma ferramenta que pode ser interessante por permitir que os pais estabeleçam limite de gastos, evitem que as crianças carreguem dinheiro e também auxilia na orientação nutricional. Com ajuda dos pais, é possível fazer um trabalho bom nesse sentido, principalmente com os mais pequenos. Mas só funciona com orientação", diz Ana Paula Aun, vice-diretora do Colégio Guilherme Dumont Villares, que está adotando o programa. Ensinar a Comer - "O grande problema é ensiná-los a escolher o que comem. Acredito que os pais devem dar a liberdade para os filhos escolherem, dando informações para que eles façam isso", diz Adriana Marchesi, nutricionista e mãe de Marina, de 8 anos, que está na 3ª série do colégio Dante Alighieri. A escola tem parceria com a School Cook, do grupo GR, que oferece o produto em 70 escolas. "No caso da Marina, escolhi o lanche light, porque é bem equilibrado. Mas pedi para substituírem os produtos diet, porque acho que ela não tem idade para isso. Uma vez por semana, ela pode comprar o que quiser com o cartão. Não adianta proibir, a gente tem de ensinar", explica. O acordo parece funcionar. "Vi o cardápio na internet e pedi para minha mãe. Gosto do lanche. Tem um sanduíche, suco e uma fruta. E na sexta-feira tem várias coisas que quero experimentar", diz Marina. No caso do Lanchecard, há também um site com informações nutricionais, dicas de saúde, de atividade física e artigos médicos, todos com uma linguagem acessível. O School Cook também pode ser usado nos restaurantes de algumas praças de alimentação, como a do Mackenzie. "É um serviço que ajuda os pais de crianças pequenas a controlar a alimentação e evitar que andem com dinheiro. No caso de adolescentes e jovens, eles mesmos recarregam o cartão. E a escola trabalha a educação nutricional com os alunos", diz Liane Borella Piran, diretora da School Cook.

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