Casados têm mais chances de sobreviver a câncer, diz estudo

Pesquisa nos EUA sugere que estresse da separação afeta a imunidade de paciente e aumenta vulnerabilidade

BBC Brasil, BBC

25 Agosto 2009 | 05h18

Pessoas casadas têm mais chances de sobreviver ao câncer do que as que estão se separando no período em que são diagnosticadas, segundo um estudo americano.

Pesquisadores da Indiana University analisaram dados de 3,8 milhões de pessoas diagnosticadas com câncer entre 1973 e 2004.

Eles constataram que entre os participantes casados, as chances de viver pelo menos cinco anos após o diagnóstico foram de 63%. Entre os que haviam se separado recentemente, as chances caíram para 45%.

A equipe concluiu que o estresse provocado pela separação afeta a imunidade do paciente, tornando-o mais vulnerável à doença.

Casamento

O impacto do casamento sobre a saúde já foi alvo de estudos anteriores e os especialistas acreditam que o amor e o apoio do parceiro sejam essenciais na luta contra a doença.

O novo estudo, que será publicado na edição de novembro da revista científica Cancer, da American Cancer Society, parece confirmar essa teoria.

A equipe analisou índices de sobrevivência ao câncer durante cinco e dez anos entre casados, nunca casados, divorciados, viúvos e recém-separados.

Depois dos casados, o grupo dos participantes que nunca foram casados apresentou os melhores resultados, seguido pelo grupo dos divorciados e, depois, pelos viúvos.

"Pacientes que estão se separando na época do diagnóstico podem ser um grupo particularmente vulnerável", disse Gwen Sprehn, principal autora do estudo.

"A identificação de estresse associado a relacionamentos no período do diagnóstico poderia levar, logo cedo, a intervenções que poderiam ter um impacto favorável na sobrevivência (do paciente)", sugeriu Sprehn.

Entre as possíveis intervenções mencionadas pelos especialistas estariam, por exemplo, tratamentos psicológicos.

A pesquisadora acrescentou, no entanto, que são necessárias mais pesquisas sobre o assunto principalmente para identificar a razão desses padrões de sobrevivência.

Martin Ledwich, da ONG Cancer Research UK, que trabalha na pesquisa da doença, o estudo "não é conclusivo de forma alguma".

"Pode haver muitas razoes para explicar porque aqueles que estão separados têm menos chances de sobreviver ao câncer nesse estudo", disse.

"Os fatores mais importantes, que aumentariam as chances de um paciente sobreviver à doença, são estar ciente sobre os sintomas, se apresentar ao médico o mais cedo possível e fazer o tratamento contra a doença", afirmou a especialista. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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