Cascavel mantém alerta, após exame

Cascavel mantém alerta, após exame

Ao todo, 163 pessoas são monitoradas, entre elas hóspedes de albergue onde morava o primeiro paciente com suspeita de Ebola

Fabiana Cambricoli, enviada especial/Cascavel, O Estado de S. Paulo

12 Outubro 2014 | 17h50

CASCAVEL - Dos 23 hóspedes do Albergue André Luiz, em Cascavel, no Paraná, 11 são da Guiné e todos eles conheciam Souleymane Bah, de 47 anos. Eles estão entre as 163 pessoas que são monitoradas na cidade, apesar do resultado negativo do primeiro exame de Bah - o grupo inicial era de 68 pessoas. A cidade ontem ficou mais tranquila com a notícia sobre o quadro de saúde do primeiro suspeito de ter Ebola no Brasil.

Uma equipe da Secretaria Estadual da Saúde esteve na noite de ontem no albergue em busca de informações sobre os três compatriotas de Bah que viajaram com para o Brasil no dia 19 de setembro e que estiveram em contato com o suspeito de ter Ebola. A visita, acompanhada pelo Estado, teve ainda como objetivo monitorar outros cidadãos do país africano hospedados no local.

 

Os técnicos fizeram uma série de perguntas para o grupo de hóspedes. Questionaram os africanos se eles haviam apresentado febre e se tiveram contato com pessoas infectadas pelo Ebola em seu país de origem. Todos negaram qualquer sinal da doença e disseram não conheciam ninguém que tenha ficado doente na Guiné.

Os três homens que viajaram com Bah não estavam no local. A equipe da secretaria apurou que dois deles se mudaram no dia 7 para Toledo, a cerca de 40 quilômetros de Cascavel, onde encontraram emprego. O outro colega de Bah não apareceu no albergue também desde o mesmo dia, mas os seus compatriotas não souberam informar onde ele está vivendo.

Para conseguir se comunicar com o grupo, que só fala francês, as duas técnicas da secretaria tiveram a ajuda de um médico haitiano que participa do programa Mais Médicos. Ao final das perguntas da equipe, foi reiterada a informação para que todos os hóspedes verifiquem a temperatura diariamente pelos próximos 21 dias.

Tranquilidade. No albergue, a notícia de que o primeiro teste de Bah deu negativo tranquilizou os demais imigrantes vindos da Guiné. “A gente ficou muito assustado com essa possibilidade. Acho que, com esse resultado, é quase certo que deve ser outra doença”, disse o comerciante Sow Abdoul, de 35 anos, um dos compatriotas de Bah hospedado no local.

As autoridades locais também receberam com otimismo o exame. “O resultado negativo dá mais tranquilidade para os profissionais de saúde e também para a população que andava apreensiva com relação ao Ebola no município. Agora é esperar a divulgação do segundo exame”, afirmou o chefe da 10.ª Regional de Saúde de Cascavel, Miroslau Bailak.

A orientação das autoridades de saúde é para que as pessoas monitoradas fiquem em casa. “No entanto, a possibilidade de contágio é considerada muito baixa, pois o Ebola não é transmissível pelo ar, mas pelo contato com o sangue, fluidos corporais do paciente ou então por objetos infectados”, explicou a médica infectologista da 10.ª Regional de Saúde, Lilimar Mori.

Segundo o secretário de Saúde Cascavel, Reginaldo Andrade, entre todos que ficaram isolados na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Brasília II onde Bah foi atendido, havia 30 funcionários, 24 pacientes e 14 acompanhantes. Só que fomos rastreando todas as pessoas que podem ter tido contato com pessoas que passaram pela UPA antes de a unidade ser fechada. Entraram na lista familiares, amigos, pessoas que tiveram contato com quem esteve no local, por isso o número cresceu”, explica o secretário.

Busca. As autoridades devem continuar a busca pelos três colegas de Bah. Também estão apurando quem seriam os dois homens que teriam levado o paciente até a UPA. Os três compatriotas foram identificados pela Secretaria Municipal da Saúde porque fizeram cadastro no mesmo dia que Bah em um centro de acolhida para população de rua na cidade.

Os quatro colegas procuraram o albergue no dia 24 de setembro, tomaram banho, almoçaram e receberam orientações sobre a emissão de documentos. Os frequentadores e funcionários do local, conhecido como Centro Pop, não entraram no grupo de monitoramento porque Bah esteve lá no dia 24 de setembro, muito antes de apresentar qualquer sintoma.

Bah e um dos colegas não voltaram mais ao local e foram para o albergue, que oferece pernoite. Os outros dois passaram pelo centro de acolhida mais vezes, mas não estavam frequentando mais o local na última semana. “Já temos os nomes e já sabemos que eles estiveram no albergue na noite passada. Vamos tentar conversar com eles agora”, diz o secretário. As duas pessoas que teriam levado Bah até a UPA ainda não foram identificadas./COLABOROU MIGUEL PORTELA, ESPECIAL PARA O ESTADO

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