Fabiana Cambricoli/Estadão
Fabiana Cambricoli/Estadão

Cascavel vai monitorar febre de novos imigrantes por 21 dias

Diretoria Regional de Saúde fez treinamento com profissionais de albergues sobre como identificar a doença

Fabiana Cambricoli, O Estado de S. Paulo

13 Outubro 2014 | 21h53

 Todos os imigrantes africanos que chegarem a albergues e centros de acolhida de Cascavel a partir de agora terão a febre monitorada diariamente até completarem 21 dias no Brasil. A decisão foi anunciada em reunião realizada ontem entre representantes da Secretaria Estadual da Saúde do Paraná e funcionários dos albergues.

O encontro teve como objetivo capacitar os trabalhadores a identificar de forma mais rápida um caso suspeito de Ebola. “Nem sempre temos profissionais de saúde nessas unidades de assistência social, por isso realizamos a capacitação. Tivemos treinamento para os laboratórios da cidade também. Falamos sobre os cuidados que devem ser tomados na realização de exames”, disse Miroslau Bailak, diretor da 10.ª Regional de Saúde de Cascavel, órgão do governo do Estado.

No Albergue André Luiz, onde Bah morava até ser internado, o clima ontem foi de comemoração. O grupo de 11 imigrantes da Guiné que estão hospedados no local disse estar feliz e aliviado com a confirmação de que o colega não tem a doença. “Não dormi nesta noite de ansiedade pelo teste. Além da questão de saúde, estávamos sendo discriminados por causa dessa suspeita. Quem sabe agora conseguimos um emprego”, disse Mamadou Dian Balt, de 22 anos.

Alívio. Em toda a cidade, principalmente entre as 163 pessoas que eram monitoradas por possível contato direto ou indireto com o paciente, o clima foi de alívio após a divulgação do resultado do segundo teste.

“Ainda bem que foi só um alarme falso. Desde quinta-feira, ninguém da minha família chegava perto de mim por medo de eu ter sido contaminada”, disse a vendedora Maria de Fátima Hommerdinig, de 60 anos, que entrou na lista de monitorados porque acompanhava o sogro internado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Brasília II, onde Bah foi atendido.

“Acho que o episódio foi bom para ficarmos alertas, para já sabermos o que fazer se um dia o vírus realmente chegar aqui. E isso pode acontecer, afinal, ele está aí pelo mundo”, disse uma funcionária da UPA, que não quis ter seu nome divulgado.

O diretor da Regional de Saúde de Cascavel afirmou que, além de ter servido como lição, o caso mostrou que o Brasil está preparado para lidar com possíveis casos da doença. “A população se assustou, mas viu que estamos preparados. Se esse teste tivesse dado positivo, provavelmente não teríamos tido nenhuma outra pessoa contaminada porque seguimos todos os protocolos”, disse Bailak.

Ele afirmou ter recebido um telefonema do Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês) solicitando um relatório sobre o procedimento seguido no Brasil e elogiando a atuação dos órgãos do País. “O representante do CDC disse que nossa ação foi rápida e eficiente”, contou ele. 

Mais conteúdo sobre:
Ebola Cascavel Paraná

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.