Casos de aids entre gays elevam estatísticas no Brasil, diz secretário

Para Jarbas Barbosa, do Ministério da Saúde, problema também é enfrentado por outros países da Europa e pelos Estados Unidos

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

16 Julho 2014 | 19h45

BRASÍLIA - O secretário de Vigilância do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa, atribuiu o aumento de 11% nos casos de infecção pelo vírus HIV no Brasil ao crescimento do número de ocorrências entre homens jovens que fazem sexo com homens. A prevalência de pessoas com HIV entre esse grupo está entre 10%, enquanto na população em geral está em 0,4%. "A epidemia no Brasil tem várias faces. Em algumas regiões, como Sudeste, os números caem, algo que não ocorre nas regiões Norte e Sul", disse. Os números foram apresentados nesta quarta-feira, 16, no relatório da Unaids, programa da Organização das Nações Unidas voltada para HIV/Aids. 

De acordo com Barbosa, os dados retratam um problema enfrentado não apenas pelo Brasil, mas por países que convivem com um padrão de epidemia de aids concentrada. Estimativas publicadas no trabalho indicam que o País registrou entre 2005 e 2013 um aumento de 11% nos casos de aids, enquanto no mundo todo caíram 27,6%.

"Não estamos isolados. Estados Unidos e alguns países da Europa tiveram aumento de 8% no mesmo período - o que comprova a dificuldade, em locais onde a epidemia está concentrada, em reduzir esse patamar". O secretário argumentou que a queda mais significativa nos números de casos de aids ocorreu em países da África e da Ásia, locais onde até pouco tempo grande número de pessoas morria em decorrência da doença e que registravam altíssimas taxas de infecção. "Em países com essas características, a introdução de tratamento, por si só, já se encarrega de puxar para baixo as estatísticas."

Barbosa afirma que os números apresentados pela Unaids são condizentes com as estatísticas do Ministério da Saúde. "O organismo fez uma projeção, nós trabalhamos com casos novos diagnosticados. São dados que se complementam", disse. Para Barbosa, os resultados, embora esperados, estão longe de deixar o País numa situação confortável. "Mas não temos dúvida em dizer que todos os mecanismos existentes para prevenir novas transmissões estão sendo colocados em prática."

Tratamento. Ele cita como trunfo o início precoce do tratamento de pessoas com HIV e a ampliação no diagnóstico. As estimativas são de 400 mil pessoas no Brasil são portadoras do vírus e não saibam. "Nesse semestre, identificamos 35 mil casos novos", contou. Se o ritmo for mantido, calcula, até dezembro o número de diagnósticos novos pode chegar a 100 mil. "Em quatro anos, em tese, podemos chegar aos 400 mil, ofertar tratamento, o que reduz de forma significativa as transmissões", diz.

Estudos mostram que o início precoce no tratamento reduz os índices de HIV circulantes no organismo do portador, algo que pode ajudar a diminuir a possibilidade de contaminação do parceiro, em casos de relações sexuais desprotegidas.

Barbosa afirma que a oferta precoce de tratamento é feita em combinação com ações de prevenção, como distribuição de preservativos e campanhas voltadas para populações mais vulneráveis. Grupos ligados à prevenção de aids, no entanto, defendem ações inovadoras para atingir a população de maior risco para doença - homens jovens que fazem sexo com homens, prostitutas e usuários de drogas. "Todas as inovações foram e vão continuar sendo adotadas."

O Brasil registrou ainda alta no número de mortes provocados pela doença, de acordo com relatório. Para Barbosa, o aumento é esperado, porque leva em consideração o número acumulado de casos.

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