Twitter/OMS
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Casos de coronavírus no mundo passam dos 90 mil, diz OMS

O número de mortes chegou a 3.110; segundo a entidade, 12 novos países reportaram os primeiros casos

Ludimila Honorato, O Estado de S.Paulo

03 de março de 2020 | 14h18

SÃO PAULO - A Organização Mundial da Saúde anunciou nesta terça-feira, 3, que já foram registrados 90.893 casos de coronavírus no mundo, com 3.110 mortes. A entidade afirmou que 12 novos países reportaram os primeiros casos e 21 têm apenas um caso confirmado.

"As ações que esses países recém-afetados adotam hoje serão a diferença entre um punhado de casos e um cluster maior", disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Na China, os números continuam caindo, o que anima a organização. O país registrou nas últimas 24 horas 129 casos, o menor número desde 20 de janeiro. Fora da nação asiática, a OMS registrou 1.848 casos de Covid-19 em 48 países, sendo que 80% deles vêm da Coreia do Sul, Itália e Irã.

Segundo a entidade, a regressão da doença na China é estável. "O que temos visto na China é um declínio desde janeiro, não só nas províncias fora de Hubei, mas dentro também, em especial em Wuhan. Acreditamos que essa queda é real por causa da extensão do caso, rastreamento de contatos e testes que estão em andamneto na China", disse Maria Van Kerkhove, líder técnica do programa de emergências da entidade.

"Esse vírus não é Sars, não é Mers, não é influenza. É um novo vírus com características únicas", destacou Ghebreyesus, que diferenciou que o Covid-19 não tem uma transmissão tão eficiente quanto o vírus da gripe, embora ambos sejam doenças respiratórias e "se espalhem do mesmo jeito".

"Enquanto muitas pessoas já desenvolveram imunidade [contra influenza], Covid-19 é um novo vírus que ninguém tem imunidade e isso significa que muitas pessoas são suscetívies à infecção", acrescentou o diretor-geral da OMS. Globalmente, ele disse que cerca de 3,4% dos casos relatados de Covid-19 morreram enquanto a gripe sazonal geralmente mata muito menos que 1% das pessoas infectadas.

Ghebreyesus recomenda que os países onde há poucos casos de coronavírus se empenhem em conter a doença. "Cada país está em uma situação diferente. É preciso ter uma abordagem compreensiva [da doença]." Ele deu como exemplo alguns países das Américas, como Equador, com 7 casos registrados, Méximo com 5 e Brasil com 2.

Sobre os Jogos Olímpicos de Tóquio, o diretor-geral da OMS disse que o Japão está fazendo o que pode para conter o surto. "Tenho confiança de que o Japão terá progresso." Ao mesmo tempo, a entidade está conversando com o comitê olímpico e ambos concordam que o melhor agora é monitorar a situação.

Michael Ryan, diretor executivo do programa de emergências da organização, acrescentou que "cada país tem de tomar uma decisão baseado na situação que vive". "Em determinadas áreas, deve-se criar uma distância social, garantir ter o menor risco e contato das pessoas onde o vírus pode ter transmissão. Se não tem transmissão, não tem por que manter distância social". Ele reforçou que cada país deve entender sua epidemia para definir qual seria essa distância social a ser implementada.

Falando acerca das restrições de viagens, Ghebreyesus orientou que as medidas devem ser proporcionais ao risco público do coronavírus. Ryan disse que a entidade tem evidências científicas para orientar os países, mas não pode punir aqueles que ultrapassam as recomendações.

A OMS, mais uma vez, insistiu na possibilidade de contenção do vírus, principalmente devido aos casos que tiveram sucesso e da ciência, que tem conseguido sequenciar o genoma do vírus e rastrear a doença. Ghebreyesus reforçou que é preciso a união de forças para trabalhar no caso. "Isso não pode ser resolvido somente pela OMS ou por apenas um setor. Isso exige que todos nós trabalhemos juntos para garantir que todos os países possam proteger as pessoas que protegem o resto de nós."

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