TV Estadão | 19.05.2015
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Casos de dengue no País diminuem em maio

No mês passado, foram identificados 111,1 mil pacientes com a doença, contra 348,2 mil em abril; no ano, 378 pessoas morreram

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

10 Junho 2015 | 10h51

Atualizado às 15h40

BRASÍLIA - Boletim divulgado na manhã desta quarta-feira, 10, pelo Ministério da Saúde mostra uma queda de 68% dos casos de dengue entre abril e maio. No mês passado, foram identificados 111,1 mil pacientes com a infecção. Em abril, haviam sido contabilizados 348,2 mil casos. Neste ano, foram comunicados 1 milhão de casos prováveis da doença, 148% a mais do que foi registrado em 2014. Quase metade dos casos está concentrada no Estado de São Paulo, com 496 mil infecções.

Em maio, a maior incidência de casos  de dengue ocorreu na Região Centro-Oeste, com 789,9 por 100 mil habitantes, seguida pelo Sudeste,  com 775,3 infecções por 100 mil, e Nordeste, com 288,4 casos por 100 mil. Na Região Sul, o índice foi de 187,7 por 100 mil e, no Norte, 142,9 por 100 mil.

Em 2015, foram identificados 378 óbitos pela doença - a maioria também em São Paulo: 256, o equivalente a 68%.

O ministro da Saúde, Arthur Chico, apresentou os dados no Senado, durante audiência pública para falar sobre a epidemia que afeta o País.  De acordo com ele, a tendência é haver uma redução do número de casos

Epidemias. A incidência da dengue em São Paulo é a segunda maior do Brasil: foram registrados neste ano 1.125,8 casos a cada 100 mil habitantes.  Quase quatro vezes mais do que a marca necessária para a doença ser declarada epidêmica: 300 casos a cada 100 mil. O número de casos no Estado subiu 163% em relação a 2014. 

A situação mais grave foi registrada em Goiás, onde a incidência alcançou 1.365 casos por 100 mil. Ao todo, foram 89.076 infecções. 

De acordo com dados divulgados por Chioro,  além de São Paulo e Goiás, oito Estados apresentaram epidemia: Acre, Tocantins, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco,  Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso do Sul.

Vacina. Chioro afirmou que não se sente animado a incorporar a vacina contra dengue desenvolvida pela Sanofi Pasteur. "Não me sinto estimulado. Ela não tem boa capacidade de resposta ao surto", disse.

A produtora da vacina ingressou com pedido de registro do produto em abril. O relatório apontou que ela apresenta uma capacidade de imunização de 62% e de redução de casos graves de 83% depois de três doses de aplicação.

Chioro observou que, além na demora na resposta, o imunizante não é indicado para duas populações consideradas mais vulneráveis para casos graves: idosos e crianças.  

Diante dos resultados, ele afirma que outras duas  vacinas que estão em desenvolvimento - do Instituto Butantã e da Fundação Osvaldo Cruz - seriam mais promissoras.

"Mas não há capacidade de produção a curto prazo. São absolutamente infundadas as afirmações de que haveria possibilidade de se fabricar o imunizante para o próximo verão", alertou ministro. "Isso só desarma a capacidade de mobilização da população e do poder público", completou. 

O ministro da Saúde,  Arthur Chico, afirmou que a vacina contra dengue, no cenário mais otimista,  somente estará a disposição para uso em 2018. "Há ainda uma série de etapas a cumprir,  incluindo a construção de uma área específica para produção", disse, referindo-se ao imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantã em parceria com National Institutes of Health dos Estados Unidos.

Chioro salientou que sua opinião sobre a vacina da Sanofi não é a decisão de governo. "Essa é a minha avaliação técnica. Essa vacina tem uma limitação", disse. Ele lembrou que a análise será feita, no primeiro momento pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e, concedido o registro, pela comissão do ministério que avalia a incorporação de produtos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a Conitec. 

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