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Casos de dengue sobem 214% em SP; cidade terá tendas para doentes

Dez mortes estão em investigação; estruturas serão montadas ao lado de unidades de saúde e atenderão 100 pacientes por dia

Fabiana Cambricoli e Paula Felix, O Estado de S. Paulo

26 Março 2015 | 16h48

Atualizada às 20h02

SÃO PAULO - Com alta de 214% no número de casos de dengue em relação ao ano passado, a cidade de São Paulo investiga dez mortes que podem ter sido causadas pela doença. Outras duas já haviam sido confirmadas. A partir da semana que vem, a capital ganhará três tendas emergenciais para atendimento de doentes. Elas serão montadas em espaços anexos a unidades de saúde municipais em três endereços da zona norte, região mais afetada pela dengue. 

Dados divulgados pela Secretaria Municipal da Saúde nesta quinta-feira, 25, mostram que nas dez primeiras semanas epidemiológicas de 2015, a capital confirmou 4.436 casos, ante 1.412 no mesmo período do ano passado.

A pasta informou ainda que, além das duas mortes por dengue já confirmadas, outras dez estão em investigação - entre elas a de um homem de 35 anos que foi confirmada pelo Instituto Adolfo Lutz na semana passada, mas que ainda é considerada suspeita pela Prefeitura. Já é certo que ele foi infectado pelo vírus da dengue, mas não se sabe se a doença foi a causa da morte, uma vez que ele sofria de outros problemas de saúde. 

Cada uma das tendas terá capacidade para atendimento de cem pacientes por dia. “Lá serão feitos exames e haverá poltronas para hidratação do doente”, explica Paulo Puccini, secretário adjunto municipal da Saúde. Os endereços ainda estão sendo definidos.

A montagem das tendas é considerada necessária pela Prefeitura por causa da superlotação de prontos-socorros e Assistências Médicas Ambulatoriais (AMAs) da zona norte. Conforme mostrado pelo Estado no dia 15, pacientes aguardavam até seis horas para conseguir atendimento em uma AMA do bairro do Limão.

Nesta quinta-feira, a situação não era diferente na AMA Vila Barbosa. Por volta do meio-dia, a sala de espera estava lotada. Com sintomas de dengue, a assistente de recursos humanos Caroline Benvindo, de 21 anos, foi à unidade, mas não aguentou esperar pelo atendimento. “Esta é a terceira AMA que eu venho e todas estão lotadas. Acho que está assim por causa da dengue, tem muita gente com sintomas. Mas não vou esperar, estou com muita dor.”

A doméstica Maria Antonia Ferreira da Silva, de 53 anos, foi diagnosticada com dengue na semana passada e voltou ao local para fazer exames. “Faz sete dias que estou tomando medicamentos e fiz outro exame para ver se melhorei. É a primeira vez que tenho dengue e não quero ter nunca mais. Tive muita fraqueza e dor no corpo.”

Parceria. As tendas terão profissionais e recursos de cinco hospitais particulares que entraram como parceiros no projeto: Sírio-Libanês, Samaritano, Albert Einstein, Oswaldo Cruz e Hospital do Coração (HCor).

A zona norte receberá as três tendas porque concentra 47% de todos os casos de dengue na cidade. Brasilândia é o distrito com a maior taxa de incidência: 202,6 casos por 100 mil habitantes - a partir de 300, o índice é considerado epidêmico. “Se necessário, mais tendas serão montadas em outras localidades”, disse Puccini.

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