Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Casos de H1N1 no Brasil sobem para 1.012, com 153 mortes no ano

Do total, 758 foram registrados no Sudeste, com 103 óbitos, do quais 91 foram em São Paulo; houve aumento em todas as regiões

Lígia Formenti, O Estado de S.Paulo

19 Abril 2016 | 12h09

BRASÍLIA - O número de mortes provocadas por H1N1 aumentou 50% em uma semana. Boletim do Ministério da Saúde, com dados até o dia 9, mostra que 153 pessoas foram vítimas de complicações provocadas pelo subtipo do vírus influenza neste ano. No balanço anterior, eram 102 óbitos. Os dados revelam também que 80% das vítimas fizeram uso de oseltamivir – o Tamiflu. No entanto, os pacientes passaram a usar o medicamento a partir do 5.º dia da infecção, em média. Em alguns casos, o início foi no 35.º dia, quando o recomendável é até 48 horas após a infecção. 

“Oseltamivir não é uma droga milagrosa. Essa média de cinco dias indica que o remédio está sendo usado de forma tardia”, afirma o coordenador de Controle de Doenças da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, Marcos Boulos. Não se sabe ao certo o motivo da prescrição tardia: se é porque pessoas demoram a procurar assistência ou se há resistência dos próprios profissionais em indicar a medicação. 

O oseltamivir é indicado para pessoas que apresentam quadro gripal e estejam em um grupo de risco para complicações – gestantes, crianças de até 5 anos, idosos e pessoas com doenças pré-existentes, como diabete ou problemas respiratórios. 

O diretor de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch, lembrou ainda que o remédio também é indicado para pessoas que não se encaixam nesse perfil, mas apresentam sinais de agravamento do quadro – como falta de ar. Por fim, a droga é indicada para pessoas do grupo de risco que estejam em contato com pacientes com H1N1. O remédio é dado para prevenir a doença. “O que não faz sentido é ver pessoas jovens, sem nenhum problema de imunidade, usando oseltamivir. São dois extremos incorretos: o uso tardio ou desnecessário do remédio”, diz Boulos. 

Casos. Além do aumento de mortes, o boletim divulgado pelo Ministério da Saúde aponta para um ritmo ainda alto de casos de influenza. Em uma semana, o registro de pacientes com a doença passou de 686 para 1.012, avanço de 47%.

E o aumento de casos foi identificado em todas as regiões do País. O Sudeste continua em primeiro lugar, com 758 casos notificados – aumento de 37% em relação ao boletim anterior. No Sul, foram identificados 133 casos, 95% a mais do que na semana passada, quando 68 infecções haviam sido relatadas. No Centro-Oeste há 71 casos e no Nordeste, 33. O Norte apresenta 16.

Das mortes registradas, 103 foram identificadas no Sudeste. Somente São Paulo responde por 91 óbitos. Esses números ainda não incluem duas mortes relatadas oficialmente só nesta semana – de um homem de 37 anos, em Caraguatatuba, e de uma mulher de 51 anos em Presidente Prudente.

Maierovitch afirmou que os números apresentados no boletim, embora assustem à primeira vista, seguem o perfil esperado para a epidemia. A tendência é de que o número de casos continue a aumentar. O fato de alguns Estados terem antecipado a vacinação contra influenza entre grupos de risco, avaliou, não é suficiente para interromper o ciclo da epidemia em um período tão curto. A vacina começa a ter efeitos protetores duas semanas depois da aplicação. 

Além disso, o principal objetivo da imunização é evitar casos graves, complicações e óbitos. O impacto, completou o diretor, começará a ser notado nas próximas semanas, quando a cobertura vacinal entre grupos mais vulneráveis aumentar.

Indício de queda. Boulos, porém, tem uma visão diferente de Maierovitch. Ele avaliou que São Paulo já começa a apresentar uma discreta tendência de redução de casos. “São indícios. Não temos ainda como garantir que a epidemia já atingiu seu auge e agora está em queda. Mas essa é uma impressão que começa a ser notada pela movimentação nos serviços de saúde.” / COLABOROU JOSÉ MARIA TOMAZELA

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