RAFAEL ARBEX/ESTADÃO
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Casos de microcefalia no Brasil sobem de 2.401 para 2.782 em uma semana

Neste grupo, incluem também os casos em que a relação com o vírus zika não foi comprovada

Gustavo Aguiar, O Estado de S.Paulo

22 Dezembro 2015 | 13h34

BRASÍLIA - O número de casos de microcefalia com suspeita de relação com o vírus zika no Brasil subiu para 2.782 casos, ante as 2.401 notificações registradas na semana passada. Neste montante estão incluídos os casos já confirmados, que na semana passada eram 134, e os casos ainda em investigação.

O dado foi divulgado no final da manhã desta terça-feira (22) pelo Ministério da Saúde. O órgão, porém, não informou se aumentou o número de casos confirmados. Até agora, 40 mortes foram decorrentes da má formação. 

O diretor do departamento de vigilância de doenças transmissíveis do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch, confirma que, embora haja outras causas de microcefalia, a maioria dos casos atualmente é decorrente do zika. “Nesse momento, com a grande elevação de casos que tivemos, a esmagadora maioria é relacionada ao vírus”. 

A situação mais alarmante continua se concentrando nos estados no Nordeste. A pior situação é em Pernambuco, com 1.031 casos registrados. Na Bahia, houve redução de notificações por causa de um erro de registro, mas o Estado é o que registra o segundo maior número, com 271 casos. Em seguida estão Paraíba, Rio Grande do Norte e Sergipe. 

Em São Paulo, o número de notificações permanece estável, com seis casos suspeitos. No Rio de Janeiro o número passou de 57 para 82, com registros em 18 municípios. No Distrito Federal, as notificações pularam de duas para onze.

Combate. O Ministério da Saúde informou ainda que tem como meta que agentes de saúde visitem 100% dos imóveis brasileiros até 31 de janeiro para identificar e combater os criadouros do mosquito. São 266 mil agentes espalhados em todo o território nacional, com meta individual de fazer 20 visitas por dia até o cumprimento do prazo. Os fiscais têm autorização judicial para entrar em imóveis que estiverem fechados.

“Esta é uma questão sanitária. Se hoje nós não temos vacina ou algo de concreto e efetivo diferente de tudo que tem sido feito no combate ao vetor, o mais efetivo é a eliminação de todo e qualquer recipiente que junte água parada e prolifere o mosquito”, defendeu Maierovitch.

Além da sala de comando de controle nacional instalada no Ministério da Saúde para acompanhar a epidemia da doença, outros 16 Estados já se equiparam para monitorar a situação de maneira permanente.  A pasta também enviou aos Estados no Nordeste e do Sudeste mais de 17,9 toneladas de larvicida para o combate do mosquito aedes aegypt, vetor da doença.

Por enquanto, no entanto, o ministério disse que não tem data para o reabastecimento dos estoques de repelente no País. O produto sumiu das prateleiras nas últimas semanas depois do alerta sobre o risco de que o vírus pode causar microcefalia em bebês. “A situação pegou os fabricantes de surpresa. Estamos procurando ver a composição de produtos para proteção das gestantes. mas esse estudo ainda não está completo”, disse Maierovitch.

Doação de sangue. O Ministério da Saúde também recomendou que os hemocentros brasileiros reforcem o protocolo para doação de sangue neste período do ano, a fim de evitar a contaminação do vírus zika por transfusão. Apesar do risco, avaliou o órgão, é preciso manter os bancos de sangue cheios por causa da alta demanda durante os meses de férias.

O alerta surgiu depois de que houve uma suspeita de contaminação de zika por transfusão registrada em Campinas. O Ministério da Saúde reforçou a necessidade de preenchimento do questionário clínico dos doadores de sangue antes do procedimento. “Não há motivo para a queda de doação”, afirmou o secretário em atenção em saúde do Ministério, Alberto Beltrame.

As pessoas que tiveram algum tipo de sintoma relacionado à doença nos últimos 30 dias deverão ser considerados inaptos a doar sangue por mais 30 dias. Caso os sintomas apareçam nos sete dias seguintes à doação, o doador deverá informar ao centro de coleta para que o eventual receptor seja acompanhado.

“Os mecanismos disponíveis para a identificação do Zika atualmente ainda são demorados. Mas temos um dos sistemas de transfusão mais seguros do mundo”, avaliou Beltrame.

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