Casos de paranóia no mundo estão aumentando, dizem estudos

Paranóia é definida como um medo exagerado, ou infundado, de que os outros estão tentando feri-lo

AP,

12 de novembro de 2008 | 18h04

Se você acha que eles estão tentando te pegar, você não está sozinho. A paranóia, ou mania de perseguição, que antes era vista como um problema exclusivo de pessoas esquizofrênicas, pode ser muito mais comum do que se imaginava.   De acordo com o psicólogo britânico Daniel Freeman, quase um quarto dos moradores de Londres têm pensamentos paranóicos freqüentes. Freeman é um especialista em paranóia do Instituto de Psiquiatria do King's College e autor de um livro sobre o assunto.   Especialistas dizem que existe um amplo espectro de paranóia, dos delírios que levam alguns esquizofrênicos a reagir de modo violento aos medos irracionais que muitas pessoas experimentam diariamente.   "Estamos começando a descobrir que a loucura é humana, e que precisamos estudar as pessoas normais para entendê-la", disse o psiquiatra Jim van Os, da Universidade de Maastricht, que não participou dos estudos de Freeman.   Paranóia é definida como um medo exagerado, ou infundado, de que os outros estão tentando feri-lo. Isso inclui pensamentos de que outras pessoas estão se esforçando para irritar ou perturbar, por exemplo, olhando fixamente, rindo ou fazendo gestos inamistosos.   Pesquisas feitas com milhares de pessoas no Reino Unido, Estados Unidos e outras partes do mundo determinaram que as taxas de paranóia vêm aumentando lentamente, embora as estimativas dos especialistas quanto ao número de pessoas que tem pensamentos paranóicos varie de 5% a 50%. Uma pesquisa britânica de mais de 8,5 mil adultos descobriu que 21% das pessoas pensava ter passado por situações onde outras haviam tentado prejudicá-las. Outra pesquisa, com mil adultos de Nova York, determinou que 11% acreditavam que estavam sendo seguidas ou espionadas.   O psicólogo Dennis Combs, da Universidade do Texas, estuda paranóia há dez anos. Quando começou a pesquisar o fenômeno, principalmente entre estudantes universitários, descobriu que cerca de 5% deles tinham pensamentos paranóicos. Nos anos recentes a taxa triplicou, chegando a 15%.   Alguns especialistas atribuem o aumento ao clima de terror criado após os atentado de 11 de setembro de 2001. Mas nem todo tipo de delírio é perigoso.   Van Os recorda o caso de uma mulher que acrediatava que o cantor francês Charles Aznavour estava apaixonado por ela e sussurrava em seu ouvido toda nopite, na hora de dormr. "Você pode chamar isso de uma experiência psicótica, mas ela estava muito feliz", disse.   Combs, por sua vez, diz que o mundo está mais perigoso, e portanto uma percepção maior de risco pode não ser uma coisa totalmente ruim. "Nem todo mundo está tentando pegar você, mas alguém pode estar", pondera.

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