InfoGripe/Fiocruz
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Casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave entre crianças continuam com crescimento expressivo

De 5 a 11 anos foi registrado aumento de aproximadamente 309% na média móvel entre a 1ª semana de fevereiro e última de março, enquanto que entre 0 e 4 anos a alta foi de cerca de 110% 

Renata Okumura, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2022 | 18h49

SÃO PAULO - Apesar do cenário de queda nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em todas as faixas etárias da população adulta, as crianças permanecem com crescimento expressivo. Na faixa etária de 5 a 11 anos, foi registrado aumento de aproximadamente 309% na média móvel entre a primeira semana de fevereiro e a última semana de março, aponta boletim do InfoGripe, emitido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado nesta quinta-feira, 31. Entre o grupo de 0 a 4 anos, os dados indicam um aumento de cerca de 110%. 

Em termos de média móvel, os números passaram de aproximadamente 970 casos entre 0 e 4 anos, na primeira semana de fevereiro, para 2.040 na última semana de março. Já na faixa etária entre 5 e 11 anos, a elevação foi de 143 para 586 no mesmo período. Os números atuais mostram que nessas duas faixas etárias os casos já superam os picos de 2021 e do começo de 2022.

Na última sexta-feira, 25, a média móvel de novos casos semanais de SRAG, que compreende tanto quadros de covid-19 quanto de outras doenças, já havia sinalizado alta entre o público infantil com 216% (entre 5 e 11 anos) e 77% (entre 0 e 4 anos).

Referente à semana epidemiológica 12, que compreende o período de 20 a 26 de março de 2022, a nova análise tem como base os dados inseridos no Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe) até 28 de março.

A incidência de síndrome respiratória em crianças na faixa etária entre 0 e 4 anos permanece relacionada a um aumento nos casos associados ao Vírus Sincicial Respiratório (VSR). Conforme mostrou o Estadão anteriormente, dados laboratoriais coletados pela Fiocruz alertaram para aumento nos casos associados ao vírus sincicial respiratório na faixa etária de 0 a 4 anos, o que reforça a necessidade de cuidados, sobretudo no retorno às aulas. O VSR, que pertence ao gênero pneumovírus, é um dos principais agentes de infecção aguda nas vias respiratórias em crianças pequenas, que pode afetar os brônquios e os pulmões.

Entre crianças de 5 a 11 anos, os números mostram interrupção de queda nos resultados positivos para covid-19 em fevereiro e aumento na detecção de outros vírus respiratórios em março. “Nessas duas faixas etárias, o início do crescimento, que se mantém até o presente boletim, coincide com o início do ano letivo”, acrescentou o pesquisador Marcelo Gomes, coordenador do InfoGripe. 

Sobre a alta expressiva de casos de Srag registrados, a Fiocruz avalia que, além da taxa de crianças entre 5 e 11 anos que ainda não foram imunizadas contra a covid-19, outros fatores também interferem para o aumento de ocorrências entre as crianças. "A vacinação contra a covid-19 é um ingrediente adicional, mas não exclusivo, pois os dados laboratoriais sugerem que esse aumento também está relacionado não apenas com a covid-19, mas também com outros vírus respiratórios que voltaram a circular com facilidade por conta da combinação volta às aulas e abandono do uso de máscaras", disse, em nota.

Desde janeiro, maiores de 5 anos podem ser imunizados contra a covid-19, proteção que auxilia na redução de risco de o quadro clínico evoluir para uma síndrome respiratória grave. No entanto, até semana passada, pouco mais de 50% das crianças nesta faixa etária tinham recebido ao menos uma dose contra o novo coronavírus. Em relação à segunda dose pediátrica, o índice era de 12,06%. Além da vacinação contra a covid-19 para quem já pode ser imunizado, também são importantes as demais vacinas do calendário infantil.

Estados e capitais

Os dados atuais mostram ainda que sete das 27 unidades 27 unidades federativas apresentam sinal de crescimento na tendência de longo prazo (últimas 6 semanas): Amapá, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Paraíba, Roraima e Sergipe. Por outro lado, Acre, Distrito Federal, Pernambuco, Piauí e Tocantins sinalizam para estabilidade na tendência de longo prazo, enquanto as demais apresentam sinal de queda. 

No entanto, três unidades federativas apresentam sinal de crescimento apenas na tendência de curto prazo (últimas 3 semanas): Acre, Piauí e São Paulo.

Doze das 27 capitais brasileiras apresentam sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Aracaju (SE), Boa Vista (RR), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Florianópolis (SC), Fortaleza (CE), João Pessoa (PB), Macapá (AP), Maceió (AL), Recife (PE), São Paulo (SP) e Vitória (ES). Em outras quatro, nota-se sinal de crescimento somente na tendência de curto prazo: Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS), Rio Branco (AC) e Teresina (PI).

Estabilidade entre a população adulta

Entre a população adulta, o estudo observa uma desaceleração gradual na taxa de queda, indicando entrada em regime de estabilidade, com exceção da população acima de 70 anos, que apresenta queda semanal expressiva, em razão de ter sofrido maior impacto durante o pico da doença no início do ano. 

"Em casos associados a outros vírus respiratórios, os dados referentes aos resultados laboratoriais por faixa etária seguem apontando para o amplo predomínio do vírus Sars-CoV-2 na população adulta, com positividade expressiva em relação ao total de casos semanais de SRAG, embora mantendo sinal de queda. Apesar do patamar atual dos casos de SRAG no País ser o menor desde o início da pandemia da covid-19, ainda está acima de dois casos por 100 mil habitantes", disse Gomes.

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