Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Casos de Síndrome Respiratória Grave crescem e Fiocruz alerta para relaxamento de quarentenas

Em nota, órgão afirma que suspender regras da quarentena pode gerar 'demanda hospitalar acima da capacidade de atendimento'

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2020 | 13h22

Dados coletados pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) apontam que houve uma tendência no crescimento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em várias regiões do País, entre 17 e 23 de maio. As informações do relatório semanal do Infogripe.

Em nota, a Fiocruz observa que o distanciamento seria a melhor medida “para evitar demanda hospitalar acima da capacidade de atendimento” e reforça que os índices podem afetar a taxa de crescimento dos casos notificados nas próximas semanas. Apenas nas últimas semanas, estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Bahia e Goiás já apresentaram planos de flexibilização em quarentenas. Levantamento feito pelo Estadão mostrou nesta terça-feira, 3, que um em cada três novos casos de covid-19 são registrados em cidades do interior.

O panorama de novos casos da SARS sugere que as regiões Centro-Oeste e Sul mantiveram tendência de crescimento acelerado, enquanto a região Sudeste apresenta sinal de desaceleração. Marcelo Gomes, coordenador do Infogripe, destaca ainda que considerando todas as hospitalizações e óbitos inseridas no sistema (não apenas de síndrome respiratória aguda grave), a situação do Nordeste sugere manutenção do crescimento, embora em desaceleração.


"Em relação à região Norte, mantemos a recomendação de consulta aos gestores locais para avaliação das filas de espera em relação aos leitos hospitalares, a fim de avaliar se a redução no número de casos semanais é de fato consequência da redução no número de casos na população ou reflexo da incapacidade de internar novos pacientes", afirmou.

Quanto aos números, o coordenador do InfoGripe ressalta que, durante a epidemia de Influenza H1N1, foram registrados 90.465 casos ao longo de todo o ano de 2009 no Brasil, atendendo os critérios de sintomas de SRAG. Sem levar em conta a presença de febre, foram 100.477 casos. Sem a aplicação de nenhum filtro de sintomas sobre os registros daquele ano inseridos no sistema de notificação, foram 202.529 casos. Em 2020, as estimativas de SARS já superaram todos os recortes observados anteriormente.

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