WERTHER SANTANA/ESTADÃO
Funcionário usa máscara no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos WERTHER SANTANA/ESTADÃO

Casos suspeitos de coronavírus no Brasil chegam a 182, diz Ministério da Saúde

Dado foi atualizado nesta sexta. País segue com um caso confirmado, em São Paulo, onde um homem de 61 anos está em isolamento domiciliar. OMS diz que vírus está em 46 países

Daniel Weterman e Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2020 | 17h10
Atualizado 28 de fevereiro de 2020 | 19h33

BRASÍLIA - O número de casos suspeitos de infecção pelo novo coronavírus, o Covid-19, no Brasil aumentou de 132 para 182, de acordo com plataforma do Ministério da Saúde atualizada às 16h10 desta sexta-feira, 28. O País segue com um caso confirmado, o de um homem de 61 anos na capital paulista que está em isolamento domiciliar. Acompanhe as últimas notícias sobre o coronavírus em tempo real.

Das notificações suspeitas, 71 foram descartadas. A maioria dos casos suspeitos está em São Paulo (66), no Rio Grande do Sul (27) e em Minas Gerais (17).  O ministério destacou que os casos suspeitos do novo coronavírus só passarão a ser classificados dessa forma se a pessoa monitorada tiver febre, um sintoma a mais (como tosse e dificuldade respiratória) e ter viajado para um dos 16 países em alerta nos últimos 14 dias. 

Assista à entrevista concedida pelo Ministério da Saúde sobre o coronavírus nesta sexta

 

#AoVivo - Ministério da Saúde atualiza situação sobre o #coronavírus Publicado por Ministério da Saúde em  Sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

O Ministério da Saúde divulgou nesta sexta os primeiros vídeos da campanha de prevenção ao novo coronavírus. As peças divulgadas nas redes sociais dão dicas sobre formas de contágio, (como a transmissão por saliva, tosse, espirro e aperto de mãos) e orientações sobre ambientes (como evitar aglomerações e manter espaços ventilados). A propaganda também orienta sobre quando procurar uma unidade de saúde.

Os vídeos foram divulgados no canal do ministério no Youtube. O governo também divulgou na internet um terceiro vídeo, apenas para redes sociais, com etiquetas de higiene ao tossir e espirrar.

Assista ao vídeo do Ministério da Saúde sobre prevenção ao coronavírus

OMS aponta coronavírus em 46 países

O número de casos do novo coronavírus tem se estabilizado na China, epicentro da doença, mas se espalhado para mais regiões do mundo. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apresentados pelo Ministério da Saúde nesta sexta-feira, 28, apontam para 46 países com casos confirmados - 9 novos desde quinta-feira, 27.

O mundo registrou até o momento 2.804 mortes pelo novo vírus, sendo 42 óbitos entre quinta e sexta-feira. O índice de letalidade na média global é de 3,4% desde dezembro, sendo 1,6% fora da China. Pela primeira vez, a Coreia do Sul registrou mais casos novos (505) que a China (439), onde os primeiros registros da doença foram identificados.

"Temos uma tendência de estabilização de casos na China e aumento em outros países, principalmente a partir de Coreia do Sul e Itália", disse o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira, durante coletiva de imprensa. O Ministério da Saúde reiterou o pedido para a OMS atualizar a classificação do coronavírus como uma "pandemia" global.

"Esta mudança vai implicar numa redução de busca de relação com o local provável de infecção e vai nos permitir focar principalmente nos grupos etários mais vulneráveis, que são adultos com mais de 60 anos", afirmou Oliveira.

Edital será lançado para compra de leitos de UTI

O Ministério da Saúde anunciou que vai publicar ainda nesta sexta-feira, 28, um edital para compra de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Serão comprados blocos de dez leitos para serem instalados em hospitais de referência caso sejam necessárias internações. 

Pela licitação, de acordo com o secretário-executivo do ministério, João Gabbardo dos Reis, a empresa vencedora da licitação terá de ir aos hospitais e instalar os equipamentos de UTI em uma semana. Além disso, a mesma companhia será responsável pela manutenção dos aparelhos e terá prazos específicos para resolução de eventuais problemas. 

Além da licitação, municípios, Estados e hospitais poderão fazer parcerias com o Ministério da Saúde para instalação de outros leitos de tratamento intensivo, disse Gabbardo. A orientação a pacientes com casos suspeitos e confirmados de coronavírus tem sido isolamento em casa até o desaparecimento dos sintomas. 

Uma edição extra do Diário Oficial da União será publicada nesta sexta-feira, anunciou o secretário. Além dos leitos da UTI, a pasta lançará editais para comprar  máscaras e aventais e vai publicar contratos para aquisição de outros 16 produtos já licitados, como álcool em gel. 

A demanda pode levar o Ministério da Saúde a demandar um reforço orçamentário no caixa. Para 2020, o orçamento do ministério é calculado em aproximadamente R$ 130 bilhões. 

O ministério estima que gastará R$ 140 milhões para compra dos insumos após o País começar a monitorar a doença, cujos primeiros registros ocorreram em dezembro na China. O valor pode variar pela quantidade de insumos comprados e pela pressão do mercado frente à alta demanda.

"As despesas para aquisição desses equipamentos de proteção individual e dos leitos estão dentro do nosso orçamento. Dependendo do tamanho que a epidemia tiver, da quantidade de internações necessárias e das áreas de UTI, nós vamos precisar de algum reforço orçamentário", afirmou o secretário-executivo do ministério, João Gabbardo dos Reis. 

A pasta está contabilizando os gastos com o coronavírus separadamente das demais despesas do ministério, detalhou Gabbardo. Caso seja necessário, o governo poderá encaminhar um projeto de lei ao Congresso Nacional para reforçar o orçamento da pasta ou, se considerar a situação como urgente, fazer o acréscimo por meio de medida provisória.

Sequenciamento genético

Em coletiva de imprensa, o Ministério da Saúde também noticiou que o Instituto Adolfo Lutz publicou o sequenciamento genético do novo coronavírus após a identificação de um paciente brasileiro com a doença.

"Isso ajuda no desenvolvimento de testes diagnósticos e de uma série de outros desenvolvimentos tecnológicos. Tem um peso muito grande", afirmou o secretário de Vigilância em Saúde da pasta, Wanderson Oliveira.

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'Ainda é cedo para falar em cura', diz médico que lidera estudos de combate ao coronavírus

O gaúcho André Kalil diz que o mais importante é encontrar uma medicação que resolva os sintomas clínicos do vírus rapidamente

Gonçalo Júnior, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2020 | 16h28

O médico gaúcho André Kalil lidera um ensaio clínico na Universidade de Nebraska, nos Estados Unidos, para testar o remédio que é considerado o mais promissor na tentativa de combate à doença respiratória Covid-19. O infectologista de 53 anos afirmou ao Estado que a droga chamada remdesivir foi apontada pelos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) americanos como a de maior potencial em relação aos outros medicamentos. O remédio já apresentou efeitos contra doenças semelhantes, como a Sars, por exemplo, em animais e no ambiente laboratorial (in vitro).

O projeto, financiado pelo Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID), parte dos Institutos Nacionais de Saúde, pretende envolver mais 50 centros de pesquisa, dentro e fora dos Estados Unidos. O hospital da Universidade do Nebraska é especializado em contenção biológica e se tornou uma das poucas unidades do mundo a receber pacientes de ebola, por exemplo. De acordo com a universidade, este é o primeiro ensaio clínico nos Estados Unidos a avaliar um tratamento experimental.

Kalil revela que, na primeira fase da pesquisa, 200 pessoas infectadas vão receber doses do remdesivir; outras 200 serão tratadas com placebo. Visualmente, o placebo é idêntico ao remédio, mas sem efeito. “Quando chegarem os resultados dos primeiros cem pacientes, vamos tentar entender se há efeito. Em caso positivo, vamos trabalhar em cima dele. Se não, colocamos uma medicação nova”, afirma o médico formado pela Universidade Federal de Pelotas (RS), com residência na Universidade de Miami e que trabalha nos Estados Unidos há 20 anos.

Como são feitos os testes em busca de um remédio para o novo coronavírus?

O estudo envolve 400 pacientes. Duzentos pacientes vão receber um remédio chamado remdesivir e outros 200 vão receber placebo. Estamos ainda no início, mas a ideia é envolver 50 centros hospitalares, dentro e fora dos Estados Unidos. O estudo será conduzido de maneira rápida. Quando você limita o número de centros, a velocidade do estudo fica mais lenta. A ideia é tentar achar a melhor terapia o mais rapidamente possível. Começamos com o remdesivir, mas vamos começar a planejar outras medicações. Trata-se de um estudo adaptativo.

Como assim?

Se o remdesivir mostrar eficácia logo, ele será transferido para o grupo de controle de pacientes e trazemos uma droga nova para o grupo de intervenção. Se ele não funcionar, a gente utiliza uma droga nova. Vamos testar várias medicações novas no mesmo estudo. Por isso, a importância do termo “adaptativo”. Nós vamos nos adaptando. É um estudo dinâmico. A ideia não é testar uma só droga, mas quantas forem necessárias.

Por que esse remédio foi escolhido?

Nós avaliamos várias medicações que têm alguma atividade contra o vírus. De acordo com os dados científicos, o remdesivir se mostrou com a maior probabilidade de inibir o coronavírus. Esse foi o motivo pelo qual decidimos começar com o remdesivir. Mas, como se trata de uma atividade in vitro e também em animais, a gente precisa continuar com inúmeros testes para saber se ele tem atividade em seres humanos.

Como será a expansão para os outros centros médicos?

Planejamos envolver 50 centros inicialmente, talvez mais. A ideia é começar a expandir nos Estados Unidos e tentar envolver outros países.

Ainda é cedo para falar em cura da doença?

Sim. Ainda é cedo para falar em cura. Gostaríamos de encontrar uma medicação que tivesse a propriedade de curar, mas o objetivo mais importante do ensaio clínico é que as pessoas resolvam os sintomas clínicos rapidamente. É importante que elas saiam dos hospitais rapidamente e possam sobreviver à infecção. É um objetivo clínico que as pessoas melhorem e possam voltar às suas atividades normais. A questão de cura é relativa. Ela vai depender da medicação e da resposta de cada indivíduo.

Existem prazos definidos para esse estudo?

Não temos um prazo definido. O estudo foi planejado para três anos. A ideia é encontrar o mais rápido possível as drogas que funcionam e as drogas que não funcionam. Dependendo da evolução dos pacientes, nós podemos começar a identificar o que funciona e o que não funciona em poucos meses. Mas vai depender obviamente da progressão da situação atual.

O índice de letalidade preocupa?

O índice de letalidade hoje é de 2,5% e 3%. Certamente, o índice é mais baixo que a Sars, que era de 10%. Dos coronavírus, o atual é o que apresenta menor índice de letalidade. Por outro lado, nós temos de nos preocupar. Nos Estados Unidos, o índice de letalidade do influenza, nossa gripe forte, é em torno de 0,2% e 0,3%. Já tivemos entre 15 mil e 16 mil mortes só por influenza nesta estação. Aparentemente, o número parece baixo (2% a 3%), mas significa um número enorme de mortos. Temos de ver dos dois lados.

Uma situação como essa cria certa ansiedade e expectativa nas pessoas em relação à descoberta de medicamentos. Como conciliar a urgência com o rigor científico?

Em uma situação dessas, o pânico não ajuda em nada. O pânico faz com as pessoas deixem de fazer o que tem de ser feito, como lavar as mãos, por exemplo. Ela não ajuda nem no nível individual e também não ajuda no rigor da ciência. Não há nada de positivo. É preciso trabalhar de maneira racional mesmo em situações difíceis como essa. Em situações assim, o rigor científico tem de ser ainda mais observado. Em situações como o ebola e o H1N1, por exemplo, nós observamos oportunistas que querem oferecer terapias que não funcionam e podem causar até mortes. A ciência é a única maneira de descobrir o que funciona e aquilo que não funciona contra a epidemia. É muito importante fazer a ciência correta em um momento como esse. 

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OMS eleva para 'muito alto' risco do coronavírus

O vírus que surgiu na China no fim do ano passado já chegou a 50 países e soma 2.858 mortes mortes e mais de 83 mil infectados, de acordo com a OMS

Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2020 | 12h37
Atualizado 29 de fevereiro de 2020 | 14h07

SÃO PAULO - A ocorrência do coronavírus já em mais de 50 países, em todos os continentes, e o aumento de nações que registram transmissão local da doença levou a Organização Mundial de Saúde (OMS) a elevar o nível de alerta no mundo. O risco de dispersão e de impacto do Covid-19 foi de alto para muito alto. 

O anúncio foi feito nesta sexta-feira, 28, pelo diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, que afirmou que o contínuo crescimento do número de casos e países afetados é claramente motivo de preocupação. Ele continua defendendo, porém, que ainda é possível trabalhar para tentar conter essa expansão e exortou os países a se prepararem, ficarem alertas e agir rapidamente. 

Na quinta-feira, ele já tinha dito que “todo país deve estar pronto para seu primeiro caso, seu primeiro cluster, a primeira evidência de transmissão comunitária e para lidar com a transmissão comunitária sustentada. E deve estar se preparando para todos esses cenários ao mesmo tempo”.

Mas a organização continua evitando usar a palavra pandemia, o que é defendido por alguns especialistas. O Brasil, no entanto, tem discordado.

Nesta sexta, o Ministério da Saúde reiterou o pedido para a OMS atualizar a classificação do coronavírus. “Esta mudança (para pandemia) vai implicar numa redução de busca de relação com o local provável de infecção e vai nos permitir focar principalmente nos grupos etários mais vulneráveis, que são adultos com mais de 60 anos”, afirmou o secretário de Vigilância da Saúde do ministério, Wanderson Kleber de Oliveira.

Ghebreyesus defende que ainda há margem para atuar em contenção de casos. “O que temos visto no momento são epidemias de Covid-19 em vários países, mas a maioria dos casos ainda pode ser rastreada a contatos conhecidos ou a clusters de casos. Não temos evidências, ainda, de que o vírus está se espalhando livremente nas comunidades”, afirmou nesta sexta. 

“Enquanto for este o caso, ainda temos a chance de conter o coronavírus se ações robustas forem tomadas para detectar os casos rapidamente, isolar e cuidar dos pacientes e rastrear os seus contatos”, disse. 

Para Entender

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Doença está deixando vítimas na Ásia e já foi diagnosticada em outros continentes; Organização Mundial da Saúde está em alerta para evitar epidemia

O vírus que surgiu na China no fim do ano passado já chegou, de acordo com a OMS, até sexta, a 51 países, além da China. Foram cinco novos desde quinta: Dinamarca, Estônia, Lituânia, Holanda e Nigéria (o primeiro país da África sub-saariana). 

Após a checagem da organização, o México também informou que registrou seu primeiro caso. 

Segundo a OMS, havia 78.961 casos confirmados na China e 4.691 em 51 países. O número de mortes total chegou a 2.858 mortes (67 delas fora da China). Em 24 horas, a China havia reportado 331 novos casos – o valor baixo em um mês de epidemia. Já os novos casos no resto do mundo foram de 1.027

Dos novos registros, 24 casos foram exportados da Itália para 14 países e 97 casos foram exportados do Irã para 11 países desde quinta. No Brasil, o Ministério da Saúde informou que investiga 182 casos suspeitos, mas continua com apenas um confirmado até o momento.

Pandemia ou não?

Especialistas ouvidos pelo Estado defendem que ainda não ter declarado uma pandemia faz sentido. “A partir do momento que isso for feito, significa que há transmissão sustentada em tantos lugares que já não faz mais sentido tentar conter os casos. Se declara pandemia, a China pode não mais se sentir impelida a controlar os 100 milhões de pessoas que estão sob confinamento. Os países que têm transmissão sustentada perdem ou acham que perdem a obrigação de conter. Se virou pandemia, por que vou gastar esforço político e de recursos de fazer cordão sanitário?”, comenta o epidemiologista Eduardo Massad, da Faculdade de Medicina da USP.

“Mas se a China e os outros países não tivessem feito isso, haveria muito mais casos pelo mundo”, diz. 

Para o também epidemiologista Eliseu Alves Waldman, da Faculdade de Saúde Pública da USP, deve ser apenas uma questão de tempo para virar de fato epidemia, mas ainda há que se tentar amortizar esse processo. “Numa doença de transmissão respiratória, não existem medidas para pará-la. A expectativa é que o vírus vai mesmo se espalhar. Mas é importante ao máximo retardar o processo, para que a evolução se dê de maneira gradual. Porque quanto mais rápido for, com certeza, mesmo em países desenvolvidos, as estruturas dos sistemas de saúde poderão entrar em colapso.”

Ele apon­ta ain­da que, ao de­cla­rar pan­de­mia, a OMS tem de en­vi­ar re­cur­sos hu­ma­nos e financei­ros pa­ra apoi­ar paí­ses mais po­bres a li­dar coma do­en­ça, o que au­men­ta cus­tos e dificuldades. “Existem motivos para tomarmos todas as providências necessárias e possíveis para evitar o pior – como ter um aumento muito rápido da doença em um número muito grande de países.”

O diretor-executivo do programa de emergências da OMS, Michael Ryan, explicou que a elevação de risco de alto para muito alto reflete o fato de que a doença está surgindo em muitos países e o fato de que alguns estão sofrendo para conter a propagação. E que serve principalmente como mensagem para que os países que têm os primeiros registros ajam rapidamente para tentar conter a propagação. “É um chamado para acordar e ficarem prontos. O alerta é para dizer que podemos conter isso”, afirmou.

Confira as notificações feitas por cada país:

  • China: 2.788 mortes entre 78.824 casos
  • Hong Kong: 94 casos, 2 mortes 
  • Macau: 10 casos 
  • Coreia do Sul: 2.337 casos, 16 mortes 
  • Japão: 931 casos, incluindo 705 do navio de cruzeiro Diamond Princess, 11 mortes 
  • Itália: 650 casos, 15 mortes 
  • Irã: 388 casos, 34 mortes 
  • Cingapura: 98 
  • Estados Unidos: 60 
  • Alemanha: 53 
  • Kuwait: 45 
  • Tailândia: 41 
  • França: 38 casos, 2 mortes 
  • Bahrain: 36 
  • Taiwan: 34 casos, 1 morte 
  • Espanha: 32 
  • Malásia: 25
  • Austrália: 23 
  • Emirados Árabes Unidos: 19 
  • Reino Unido: 19 
  • Vietnã: 16 
  • Canadá: 14 
  • Suécia: 7 
  • Iraque: 6 
  • Omã: 6 
  • Rússia: 5 
  • Croácia: 5 
  • Suíça: 5 
  • Israel: 4 
  • Grécia: 4 
  • Filipinas: 3 casos, 1 morte 
  • Índia: 3 
  • Líbano: 3 
  • Romênia: 3 
  • Paquistão: 2 
  • Finlândia: 2 
  • Áustria: 2 
  • Holanda: 2 
  • Geórgia: 2 
  • México: 2 
  • Egito: 1 
  • Argélia: 1 
  • Afeganistão: 1 
  • Macedônia do Norte: 1 
  • Estônia: 1 
  • Lituânia: 1 
  • Bélgica: 1
  • Bielorrússia : 1 
  • Nepal: 1 
  • Sri Lanka: 1 
  • Camboja: 1 
  • Noruega: 1 
  • Dinamarca: 1 
  • Brasil: 1
  • Nova Zelândia: 1 
  • Nigéria: 1 
  • Azerbaijão: 1

 

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Morre primeiro britânico por coronavírus que estava em cruzeiro

Vítima estava no Japão, onde embarcação foi posta em quarentena; no Reino Unido, foram confirmados outros três casos de pessoas afetadas pelo vírus

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2020 | 16h05

Um britânico que estava a bordo do navio de cruzeiro Diamond Princess, retido no Japão por causa do coronavírus, morreu no país asiático, tornando-se a primeira pessoa do Reino Unido a vir a óbito devido à infecção. A informação foi divulgada por fontes do governo japonês nesta sexta-feira, 28, e a identidade da vítima não foi divulgada.

A morte foi anunciada no mesmo dia em que foram confirmados, também no Reino Unido, outros três casos de pessoas afetadas pelo vírus respiratório Covid-19, o que eleva o número de diagnosticados no país para 19.

As autoridades japonesas indicaram que o britânico é a sexta pessoa do cruzeiro, posto em quarentena, a morrer devido ao novo vírus. Outros cinco passageiros da embarcação, todos japoneses, também morreram e mais de 700 foram infectados.

No Reino Unido, entre os novos casos positivos registrados, figuram o primeiro afetado em Gales, que foi infectado durante passagem pela Itália, e outras duas pessoas na Inglaterra que contraíram a doença no Irã, segundo confirmaram hoje o ministro da saúde britânico. O ministro de relações exteriores indicou que está investigando as circunstâncias que cercam a morte da primeira vítima do país.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, deve presidir, na próxima segunda-feira, 2, uma reunião do comitê de emergência a fim de dar resposta ao crescente número de casos positivos detectados na Europa. /EFE

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Folião deve evitar bloco de rua por causa do novo coronavírus?

Médica vê chance maior de propagação de doenças já conhecidas, como a gripe; Prefeitura de SP terá tendas de atendimento médico

Isaac de Oliveira, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2020 | 12h00

SÃO PAULO - Em muitas cidades do País, o fim de semana ainda é de carnaval e de blocos nas ruas. Mas, com a confirmação do primeiro caso do novo coronavírus no Brasil, surgiu o receio: é preciso evitar aglomerações ou dá para curtir a folia? Especialistas afirmam que a transmissão da doença vinda da China é possível, com a chegada de viajantes de áreas onde já existe surto, mas a chance maior é de contrair outros vírus respiratórios mais comuns, como a influenza. Por enquanto, as autoridades de saúde pública não vetaram a realização de eventos ou deram recomendações expressas de evitar a festa. Em regiões onde já existe epidemia da nova doença, eventos foram cancelados, como ocorreu com o tradicional carnaval de Veneza, na Itália.

Aqui no Brasil, o secretário executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo dos Reis, disse que a pasta não recomenda o cancelamento de eventos, como jogos esportivos ou blocos de pré-carnaval. Mas, segundo ele, deve prevalecer o "bom senso" e as pessoas que têm sinal de doença respiratória devem evitar locais com aglomeração.

Professora de Infectologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Nancy Bellei afirma que a disseminação da influenza, já conhecida pelos brasileiros, deve aumentar nas próximas semanas. Para quem vai para a rua, cuidados devem ser tomados, como se afastar de quem tosse ou espirra, pois mesmo no estágio de incubação pode haver transmissão. “Em ambientes abertos, como blocos, a questão é mais o contato próximo. Com gotícula, secreção, o contágio é mais difícil do que em ambientes fechados”, diz ela, também consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia.

O virologista Pedro Vasconcelos também avalia risco maior de contrair outras doenças, como a própria influenza e o sarampo. “Este é o período sazonal da gripe e ela tende a um aumento. A concentração num determinado espaço físico, como é o caso do carnaval, em que as pessoas estão em blocos ou agrupadas em arquibancadas, cria a tendência de que aumente o risco de transmissão de doenças com transmissão respiratória”, diz Vasconcelos, do Instituto Evandro Chagas.

Para Entender

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Por causa da identificação do novo coronavírus no Brasil, o governo federal decidiu antecipar a campanha de imunização contra gripe, que vai começar em 23 de março. O imunizante não previne contra a nova doença, mas vai facilitar a identificação dos casos do coronavírus chinês pelos profissionais de saúde. Nos últimos anos, autoridades de saúde pública também têm alertado para a queda nas taxas de vacinação contra sarampo, que também pode levar à morte e tem um potencial de contaminação bem mais alto. Um infectado pelo Covid-19, o novo coronavírus, costuma infectar, em média, outras duas ou três pessoas. Já em relação ao sarampo, essa taxa sobe para 18.

Prefeitura de SP vai montar tendas de atendimento durante o pós-carnaval

A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal da Saúde, informou que durante o pré-carnaval terá postos médicos montados e disponíveis para a população nos locais de grande concentração durante os desfiles. No domingo, 1º, haverá dois megablocos - da funkeira Anitta e da cantora de axé Daniela Mercury. Segundo a pasta, as tendas serão abertas duas horas antes dos eventos e fechadas quando a Polícia Militar encerrar a programação do local.

Cada posto contará com profissionais da saúde, médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, que estarão à disposição da população para atendimentos pontuais e  a indicação de unidades de saúde específicas, caso seja necessário atendimento. Além disso,  conforme o Município, os profissionais de saúde também foram capacitados para orientar o folião sobre os cuidados e a prevenção quanto ao novo coronavírus. No fim de semana, também haverá no Anhembi, na zona norte da capital paulista, o desfile das escolas de samba vencedoras do carnaval 2020. / COLABOROU FELIPE RESK

 

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Hong Kong isola cachorro após teste positivo de coronavírus

Autoridades locais disseram ainda não ter evidências suficientes que comprovem se a transmissão pode ocorrer também por animais

Reuters, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2020 | 11h51

HONG KONG - As autoridades de saúde de Hong Kong decidiram isolar um cachorro, que pertencia a um paciente diagnosticado com coronavírus, após testes feitos em suas cavidades nasal e oral terem detectado a presença do vírus no animal. Ele destacaram, no entanto, ainda não ter evidência de que a transmissão possa ocorrer para animais. O cachorrro não tinha nenhum sintoma da doença. 

O Departamento de Agricultura, Pescados e Conservação (AFDC, na sigla em inglês) de Hong Kong disse que vai conduzir novos testes para confirmar se o cachorro foi infectado com o vírus ou se as amostras foram positivas apenas por contaminação pelo ambiente. "No momento, o AFDC ainda não tem evidências de que animais de estimação possam ser infectados ou de que eles possam ser uma fonte de transmissão para pessoas", disse o órgão. 

O cachorro vai ficar em quarentena por duas semanas. A Organização Mundial da Saúde afirma em seu site oficial que ainda não há evidências de que animais de estimação possam ser infectados com o coronavírus. 

Até esta sexta-feira, Hong Kong já havia confirmado 93 casos de infecção do coronavírus, com duas mortes. 

 

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Novo coronavírus é incluído em triagem para doação de sangue, define Anvisa

Outras variações de coronavírus, como Sars e Mers, também foram incluídas; dengue, chikungunya e zika já fazem parte de processo

Paula Felix, O Estado de S. Paulo

28 de fevereiro de 2020 | 10h12

SÃO PAULO - O novo coronavírus, o Covid-19, foi incluído nos critérios de triagem para doação de sangue pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo Ministério da Saúde. A análise - que já avalia a presença dos vírus da dengue, chikungunya e zika - também vai verificar a presença de outras variações de coronavírus, como a Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars) e Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers).

A nova orientação também determina que pessoas que estiveram em países com transmissão local dos vírus só poderão doar sangue 30 dias após o retorno dessas regiões. A mesma regra vale para quem teve contato com casos suspeitos ou confirmados da doença. O Brasil tem, até o momento, um caso confirmado de infecção pela doença

Para quem teve o novo coronavírus, Sars ou Mers, a agência informa que será necessário esperar um prazo de 90 dias após a completa recuperação para que a pessoa possa fazer a doação.

"Já os candidatos que tiveram resfriado comum ou infecções de vias respiratórias causadas eventualmente por coronavírus, mas sem histórico de viagem para regiões endêmicas ou contato com pessoas provenientes destas áreas, não deverão ser considerados de risco para a infecção desses novos vírus. A Anvisa e o Ministério da Saúde informam que não existe evidência, até o presente momento, de transmissão transfusional dos coronavírus e que, por este motivo, a ação é realmente preventiva", informa nota da agência.

Para Entender

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Segundo a agência, a medida se baseia na legislação de saúde brasileira, que prevê atualizações nos critérios de seleção de doadores de sangue em situações de emergências e surtos epidêmicos.

Regras para dengue, chikungunya e zika

Para dengue e chikungunya, o prazo de inaptidão é de 30 dias. Se o paciente teve dengue hemorrágica, o prazo será de seis meses após a completa recuperação. No caso de infecção por zika, a restrição é por 120 dias.

Para essas doenças, há ainda regras para casos de contato sexual com pacientes infectados. Para dengue e chikungunya, quem teve relações sexuais com pessoa que teve a doença nos últimos 30 dias, deve esperar um mês para doar. 

"Candidatos à doação de sangue que tiveram contato sexual com pessoas que apresentaram diagnóstico clínico e/ou laboratorial de zika nos últimos 90 dias, deverão ser considerados inaptos pelo período de 30 dias após o último contato sexual com essas pessoas", informa a nota técnica da Anvisa e do Ministério da Saúde.

Quem pode doar sangue?

Segundo a Fundação Pró-Sangue, instituição ligada à Secretaria de Estado da Saúde, pessoas de 16 a 69 anos com boas condições de saúde e que pesam mais de 50 kg podem doar sangue. A triagem verifica impedimentos temporários e definitivos para doação.

Requisitos básicos

  • Estar em boas condições de saúde
  • Ter entre 16 e 69 anos, desde que a primeira doação tenha sido feita até 60 anos (menores de 18 anos têm de preencher um formulário de autorização)
  • Pesar no mínimo 50kg
  • Estar descansado (ter dormido pelo menos seis horas nas últimas 24 horas)
  • Estar alimentado (evitar alimentação gordurosa nas quatro horas que antecedem a doação)
  • Apresentar documento original com foto recente

Intervalos para doação

  • Homens: 60 dias (máximo de quatro doações nos últimos 12 meses)
  • Mulheres: 90 dias (máximo de três doações nos últimos 12 meses)

Impedimentos temporários

  • Resfriado: aguardar sete dias após desaparecimento dos sintomas
  • Gravidez
  • Parto: 90 dias após parto normal e 180 dias após cesariana
  • Amamentação: se o parto ocorreu há menos de 12 meses
  • Ingestão de bebida alcoólica nas 12 horas que antecedem a doação
  • Tatuagem/maquiagem definitiva nos últimos 12 meses
  • Situações nas quais há maior risco de adquirir doenças sexualmente transmissíveis: aguardar 12 meses
  • Qualquer procedimento endoscópico (endoscopia digestiva alta, colonoscopia, rinoscopia): aguardar seis meses
  • Extração dentária (verificar uso de medicação) ou tratamento de canal (verificar medicação): por sete dias
  • Cirurgia odontológica com anestesia geral: por quatro semanas
  • Acupuntura: se realizada com material descartável: 24 horas; se realizada com laser ou sementes: apto; se realizada com material sem condições de avaliação: aguardar 12 meses
  • Vacina contra gripe: por 48 horas
  • Herpes labial ou genital: apto após desaparecimento total das lesões
  • Herpes Zoster: apto após seis meses da cura (vírus Varicella Zoster)
  • Brasil: Estados como Acre, Amapá, Amazonas, Rondônia, Roraima, Maranhão, Mato Grosso, Pará e Tocantins são locais onde há alta prevalência de malária. Quem esteve nesses Estados deve aguardar 12 meses para doar, após o retorno
  • EUA: quem esteve nesse país deve aguardar 30 dias para doar, após o retorno
  • Europa: quem morou na Europa após 1980, verificar aptidão para doação no (11) 4573-7800
  • Malária: quem esteve em países com alta prevalência de malária deve aguardar 12 meses após o retorno para doar (critério semelhante ao dos Estados brasileiros com prevalência elevada de malária)
  • Febre Amarela: quem esteve em região onde há surto da doença deve aguardar 30 dias para doar, após o retorno; se tomou a vacina, deve aguardar quatro semanas; se contraiu a doença, deve aguardar seis meses após recuperação completa (clínica e laboratorial)

Quem não pode doar sangue?

  • Hepatite após os 11 anos de idade
  • Evidência clínica ou laboratorial das seguintes doenças infecciosas transmissíveis pelo sangue: Hepatites B e C, AIDS (vírus HIV), doenças associadas aos vírus HTLV I e II e Doença de Chagas.
  • Uso de drogas ilícitas injetáveis.
  • Malária

A lista completa dos impedimentos definitivos pode ser lida aqui.

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Morre primeiro britânico por coronavírus que estava em cruzeiro

Vítima estava no Japão, onde embarcação foi posta em quarentena; no Reino Unido, foram confirmados outros três casos de pessoas afetadas pelo vírus

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2020 | 16h05

Um britânico que estava a bordo do navio de cruzeiro Diamond Princess, retido no Japão por causa do coronavírus, morreu no país asiático, tornando-se a primeira pessoa do Reino Unido a vir a óbito devido à infecção. A informação foi divulgada por fontes do governo japonês nesta sexta-feira, 28, e a identidade da vítima não foi divulgada.

A morte foi anunciada no mesmo dia em que foram confirmados, também no Reino Unido, outros três casos de pessoas afetadas pelo vírus respiratório Covid-19, o que eleva o número de diagnosticados no país para 19.

As autoridades japonesas indicaram que o britânico é a sexta pessoa do cruzeiro, posto em quarentena, a morrer devido ao novo vírus. Outros cinco passageiros da embarcação, todos japoneses, também morreram e mais de 700 foram infectados.

No Reino Unido, entre os novos casos positivos registrados, figuram o primeiro afetado em Gales, que foi infectado durante passagem pela Itália, e outras duas pessoas na Inglaterra que contraíram a doença no Irã, segundo confirmaram hoje o ministro da saúde britânico. O ministro de relações exteriores indicou que está investigando as circunstâncias que cercam a morte da primeira vítima do país.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, deve presidir, na próxima segunda-feira, 2, uma reunião do comitê de emergência a fim de dar resposta ao crescente número de casos positivos detectados na Europa. /EFE

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