HST/Nasa-ESA/Divulgação
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Cassini mergulha pela primeira vez na aurora de Saturno

Cassini encontrou a região da aurora a uma distância de 247 milhões de quilômetros do alto das nuvens

estadão.com.br, estadão.com.br

24 Setembro 2010 | 14h44

A sonda Cassini fez as primeiras observações já realizadas do interior da aurora de rádio de outro planeta que não a Terra. As medições, que foram tomadas durante o mergulho da nave pela região de aurora ativa de 2008, mostram semelhanças e contrastes entre as emissões geradas em Saturno e em nosso planeta.

 

Os resultados foram apresentados pelo pesquisador Laurent Lamy  no Congresso Europeu de Ciência Planetária, realizado em Roma, e publicados no periódico Geophysical Research Letters.

 

"Até agora, trata-se de um evento inédito", disse Lamy, do Observatório de Paris, por meio de nota. "Enquanto a região de origem da aurora de rádio da Terra já foi estudada por muitas missões, esta é nossa primeira oportunidade de observar a região equivalente em Saturno, por dentro".

 

Cassini encontrou a região da aurora a uma distância de 247 milhões de quilômetros do alto das nuvens do planeta, ou quatro vezes o raio do planeta.

Bem acima do espetáculo da aurora em luz visível, as emissões de aurora ocorrem longe do planeta no comprimento das ondas de rádio.

 

Elas são geradas pelo movimento rápido de elétrons que espiralam pelas linhas do campo magnético do planeta.

 

Em 17 de outubro de 2008, os instrumentos MEG (magnetômetro) , RPWS (rádio) e CAPS (elétrons) da Cassini detectaram três camadas sucessivas de auroras ativas. Uma equipe internacional de pesquisadores agora combinou as três famílias de observações para construir um quadro das propriedades da fonte de rádio, além de identificar as linhas de força por onde a aurora flui.

 

A Terra também produz emissões de aurora, e os novos resultados indicam que os processos que geram as auroras de rádio parecem ser os mesmos em ambos os planetas. Mas existem diferenças. Por exemplo, as auroras da Terra apresentam uma cavidade no plasma - a camada de matéria ionizada - que existe sobre a área da aurora, algo que em Saturno não é observado. 

 

Segundo os pesquisadores, as diferenças entre os campos magnéticos dos dois planetas são refletidas nessas discrepâncias.

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