Janerik Henriksson/AP
Janerik Henriksson/AP

Catalisador para criação de moléculas orgânicas leva Nobel de Química

Reações que usam paládio como catalisador permitem a criação de moléculas complexas como as da natureza

Carlos Orsi, estadão.com.br

06 Outubro 2010 | 07h19

Os criadores de reações químicas que permitem a síntese de moléculas orgânicas complexas, com ampla aplicação na pesquisa científica, farmacologia, e indústria de plásticos e eletrônica dividirão o Prêmio Nobel de Química de 2010.

 

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O americano Richard Heck e o japonês Ei-chi Neguishi, que atuam ambos nos EUA, e o japonês Akira Suzuki, que trabalha no Japão, foram contemplados pela criação, de forma independente, de três reações que usam o metal paládio como catalisador para estabelecer ligações químicas entre átomos de carbono.

 

Heck tem 79 anos e atualmente trabalha na Universidade de Delaware (EUA); Neguishi tem 75 e atuan na Universidade Purdue (EUA); e SAuzuki tem 80 anos e atua na Universidade de Hokkaido (Japão). De acordo com a citação do comitê Nobel, as reações de Heck, Neguishi e Suzuki permitiram que cientistas criassem em laboratório moléculas orgânicas tão complexas quanto as que existem na natureza.

 

As reações tornaram possível, por exemplo, que substâncias naturais que só são encontradas em pequenas quantidades, no corpo de poucos seres vivos, fossem sintetizadas em grande quantidade e tivessem suas propriedades farmacológicas testadas. O uso das reações com paládio também permitiu o desenvolvimento de novos materiais, como plásticos, para a indústria.

 

Entre os exemplos citados pelo comitê Nobel, de substâncias naturais sintetizadas em laboratório com o uso das técnicas de catálise por paládio, está a molécula diazonamida A, encontrada originalmente num invertebrado marinho das Filipinas e que parece promissora no combate ao câncer de cólon.

 

As reações com paládio também são usadas para modificar e aperfeiçoar moléculas naturais. O exemplo dado pelo comitê é o da vancomicina, um antibiótico isolado originalmente nos anos 50. Com o uso das técnicas desenvolvidas pelo ganhadores do Nobel deste ano, novas versões do antibiótico foram criadas para atacar bactérias resistentes.

 

Segundo Claes Gustafsson, membro do comitê Nobel, há cálculos de que "pelo menos 25% de todas as reações químicas na indústria farmacêutica são baseadas nesses métodos".

 

Na indústria eletrônica, as reações com paládio são usadas na criação de LEDs orgânicos, ou OLEDs, utilizados na produção de telas extremamente delgadas.

 

Todas as três reações com paládio foram criadas entre o final dos anos 60 e na década de 70.

 

"A palavra-chave é versatilidade", disse Neguishi, via teleconferência, em entrevista coletiva concedida após o anúncio do Nobel. "Estou interessado em todas as moléculas orgânicas e na forma de sintetizá-las todas, da melhor forma possível".

 

O cientista disse que não existe patente da reação que leva seu nome. "Isso foi feto de forma mais ou menos intencional, para que mais pessoas tivessem acesso".

 

Nas três reações, o metal paládio entra como catalisador na ligação entre átomos de carbono -- isto é, ele facilita que dois átomos desse elemento se unam, mas ao término do processo acaba excluído da molécula e não toma parte no produto final. 

 

O Nobel Química foi o terceiro dos prêmios anunciados neste ano. O primeiro foi o de Medicina ou Fisiologia, na segunda-feira, concedido a Robert Edwards, um dos criadores do processo de inseminação artificial. Na terça foi anunciado o Nobel de Física, para a dupla Andre Geim e Konstantin Novoselov, por terem isolado e caracterizado o grafeno, uma forma de carbono extremamente flexível e resistente.

 

O prêmio de Literatura sai na quinta; Paz, na sexta e Economia, na segunda-feira, 11 de outubro.

 

Os prêmios foram criados pelo inventor e empresário sueco Alfred Nobel e entregues pela primeira vez em 1901, cinco anos após sua morte. Cada prêmio inclui cerca de 10 milhões de coroas suecas (cerca de US$ 1,5 milhão) um diploma e uma medalha de ouro.

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