Ricardo Stuckert/Instituto Lula
Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Causa de morte de neto de Lula, meningite é letal em 20% dos casos e pode deixar sequelas

Tipo C é o mais frequente no País e vacina tem eficácia superior a 90%

Paula Felix, O Estado de S.Paulo

01 de março de 2019 | 18h07
Atualizado 01 de março de 2019 | 19h45

A notícia do falecimento nesta sexta-feira, 1, do neto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Arthur Araújo Lula da Silva, de sete anos, voltou a atenção para uma doença silenciosa e agressiva, que pode ser evitada através da vacinação.

Causada por vírus, bactérias ou outros agentes infecciosos, a meningite é uma doença grave que pode deixar sequelas, como danos neurológicos, e até levar à morte. A forma bacteriana é a que costuma resultar em mais complicações para os pacientes. No Brasil, o tipo mais comum é o C, cuja vacina é oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

"Entre as bactérias, o meningococo é a causa número um de meningite bacteriana no País. É a que tem com maior frequência. A letalidade da doença é de 20% e ela é muito agressiva. Em poucas horas, a pessoa vai do estado normal para a morte. É uma doença imprevisível", explica Marco Aurélio Sáfadi, professor de infectologia da faculdade de Medicina da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.

A doença é transmitida pelo ar e causa inflamação nas meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Entre os sintomas, estão febre, mal-estar, dor de cabeça e rigidez no pescoço.

Segundo Sáfadi, que também é presidente do Departamento de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, no caso de meningite bacteriana, o tratamento é feito com antibióticos e pacientes que sobrevivem podem ter sequelas.

"Normalmente, eles têm sequelas neurológicas, cegueira, surdez e perda de membros por necrose. As complicações atingem de 10% a 20% dos pacientes que sobrevivem."

Os pacientes também podem ter um quadro de meningococemia, quando há uma infecção na corrente sanguínea, como aconteceu com o neto do ex-presidente. "Ocorre uma proliferação da bactéria, que chega no sangue e promove uma resposta inflamatória muito forte. A resposta é tão intensa que pode promover um choque com queda significativa da pressão. O paciente acaba sucumbindo", explica Jean Gorinchteyn, infectologista do Instituto de Infectologia Emílio Ribas.

A vacina é a forma mais eficaz de evitar a doença, segundo os especialistas. O imunizante contra o tipo C, que é o mais frequente no Brasil, está disponível na rede pública gratuitamente. Na rede privada, existe a vacina contra os tipos A, B, C, W e Y.

"As crianças imunizadas com esses perfis vacinais estão protegidas, porque a eficácia da vacina é superior a 90%. Mesmo os que não tiveram produção alta de anticorpos vão ter uma forma mais branda da doença", diz Gorinchteyn.

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