MSC Cruzeiros/Divulgação
MSC Cruzeiros/Divulgação

Surto de sarampo põe transatlântico em alerta; 10 mil serão vacinados

Seaview é um dos maiores navios de cruzeiro a operar na costa brasileira e hoje está em Santa Catarina; doença é considerada extremamente contagiosa

Lígia Formenti, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2019 | 19h14

BRASÍLIA - Um surto de sarampo em um transantlântico com capacidade para quase 7 mil passageiros e tripulantes levou a uma ação de emergência contra a doença, extremamente contagiosa. O Instituto Adolfo Lutz já confirmou 18 infectados. A embarcação deve retornar hoje a Santos, no litoral paulista, para imunizar quem estava a bordo. O cantor Wesley Safadão fez um show durante a viagem e está no navio. 

Inicialmente, a suspeita era de que fosse rubéola, mas exames descartaram a doença. O Ministério da Saúde afirmou que o surto provavelmente é de sarampo. A confirmação da doença foi feita por meio de seis testes do Adolfo Lutz. 

No primeiro momento, serão vacinados cerca de 5 mil passageiros que estão no navio. Só depois de imunizados deixarão o transatlântico. Uma vez concluída a operação, passageiros que vão embarcar no navio para outro trecho de viagem também serão imunizados. No total, devem passar por vacinação aproximadamente 10 mil pessoas no Porto de Santos. 

A MSC Cruzeiros, responsável pela viagem, não confirmou se o músico permanece a bordo, mas o Estado apurou que ele ainda está no navio. Diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde paulista, Regiane de Paula disse que a operação tem como objetivo bloquear os riscos de transmissão da doença. “Todas as ações preconizadas foram adotadas”, disse. 

O Seaview é um dos maiores navios de cruzeiro a operar na costa brasileira. A embarcação tem 22 andares, além de subpiso, e capacidade para 5,4 mil passageiros e 1,5 mil tripulantes. 

Histórico

Os primeiros casos foram reportados no dia 16, quando o navio, que havia feito uma viagem para Búzios e Ilha Grande (RJ), Salvador e Ilhéus (BA) chegou a Santos. Na ocasião, 14 tripulantes reportaram febre baixa, nódulos e irritações nos olhos. Passageiros que desembarcaram foram alertados que, em caso de sintomas, deveriam procurar um médico e avisar às autoridades sanitárias. “Foram cerca de 5 mil passageiros. Até o momento, não houve nenhum comunicado”, disse Regiane.

Um dos tripulantes que havia desembarcado em Santos começou a apresentar sintomas e foi internado na Casa de Saúde. Outros quatro trabalhadores que também haviam desembarcado foram isolados. Todos estão em um hotel em São Vicente (SP), para evitar contato com pessoas da cidade.

O navio seguiu viagem no dia 16 e foi para Santa Catarina. Tripulantes com suspeita da doença foram mantidos em quarentena. Depois, mais quatro pessoas apresentaram sintomas – todos tripulantes. Uma vacinação de bloqueio já foi feita, mas restrita a quem teve contato com os trabalhadores. Foi usada a vacina tríplice, contra sarampo, rubéola e caxumba. 

Questionada se não teria sido melhor interromper a viagem na semana passada, quando os primeiros casos foram relatados, Regiane foi cuidadosa. “Há regras específicas para embarcações. A decisão é tomada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Todas as medidas preventivas foram adotadas.” Entre os tripulantes em quarentena, há três brasileiros, além de trabalhadores da Índia e da África do Sul. O País está prestes a perder o certificado de eliminação da doença, obtido há três anos. 

Liberação 

Em nota, a MSC Cruzeiros informou que "um pequeno número de tripulantes do MSC Seaview apresentou possíveis sinais de rubéola ou sarampo". A empresa disse que trabalhou em estreita colaboração com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). "Depois de concluir todos os procedimentos de inspeção padrão, o navio recebeu a liberação da Anvisa para continuar sua viagem, seguindo o seu itinerário, e não houve impacto para os hóspedes."

Segundo a MSC, como medida de prevenção, toda a tripulação do navio foi vacinada. "Esta medida foi tomada para garantir a imunidade a bordo dos nossos navios e garantir viagens seguras para os nossos hóspedes e tripulação", informou. "Também alertamos proativamente todos os hóspedes a ficarem atentos a quaisquer sinais específicos de doença", disse a MSC.

A empresa informou ainda que nenhum hóspede apresentou sintomas de doença contagiosa e as operações do navio continuam funcionando normalmente. 

Desinfecção

A Anvisa informou que vai coordenar ações sanitárias no navio. "Os profissionais da Anvisa atuarão em duas equipes, com foco no controle da doença e na desinfecção de ambientes", informou o órgão em nota no site, A agência vai verificar condições da embarcação, analisar a quantidade de atendimentos realizados no navio e as condições de saúde dos passageiros que passaram por consultas no local. A agência também vai acompanhar o plano de desinfecção das cabines.

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