Célula-tronco ajuda na espera por fígado novo

Um estudo que será feito em vários centros ao mesmo tempo vai implantar células-tronco adultas em cerca de 300 doentes crônicos do fígado (cirrose hepática) que estão na fila de transplantes do órgão em São Paulo, Estado do Rio, Rio Grande do Sul e Bahia. As primeiras infusões começam em maio, no hospital da Universidade Federal do Rio de Janeiro e no Instituto de Moléstias Cardiovasculares de São José do Rio Preto (SP). O objetivo é dar uma sobrevida maior aos pacientes obrigados a ficar dois ou três anos na fila de espera do transplante e, muitas vezes, não resistem e morrem antes de ele ser feito. Por isso, serão escolhidos os últimos pacientes da fila. Eles vão receber células-tronco adultas retiradas deles próprios. Cada hospital deverá escolher entre 140 e 150 pacientes. Apenas metade receberá as células-tronco num prazo de um ano e terá conhecimento da realização da terapia. No segundo ano, os pacientes passarão por avaliações que vão acompanhar a evolução do tratamento. "Dentro de dois anos, poderemos saber quais os resultados do estudo", diz o coordenador da pesquisa, Ricardo Ribeiro Santos, da Fiocruz e do Hospital São Rafael de Salvador. O estudo terá a parte clínica subvencionada pelo São Rafael e a de pesquisas, pela Fiocruz. A expectativa é de que cada paciente tenha um custo clínico de R$ 15 mil. As pesquisas são feitas sem custo pela Fiocruz. Participam das pesquisas também o Hospital das Clínicas da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Porto Alegre e o Hospital São Rafael, de Salvador, que vai centralizar o estudo. Suportar a Espera - Será a primeira vez que este tipo de terapia acontecerá fora de Salvador. O Hospital beneficente São Rafael é um dos pioneiros do mundo neste tipo de tratamento. Desde novembro, já foram feitos 22 procedimentos. Segundo Santos, a idéia do estudo multicêntrico surgiu depois que os médicos descobriram que, dos mais de 160 pacientes que aguardam o transplante da fila na Bahia, apenas 6 receberam o órgão no ano passado. "O objetivo não é retirar o paciente da fila, mas dar a ele qualidade de vida para suportar a espera", informa Santos. Segundo ele, nenhum dos pacientes receptores das células-tronco no São Rafael teve o estado de saúde piorado depois de receber a infusão celular. De 10 submetidos ao tratamento nos últimos 3 meses, 3 tiveram melhora no quadro clínico. "Mas ainda é cedo para avaliar. O que nós sabemos é que a terapia celular pode melhorar e nunca prejudicar o paciente", afirma. Centro de Terapia Celular - Um convênio entre o Hospital São Rafael, de Salvador, e o São Rafael, de Milão (Itália), vai possibilitar a instalação do mais moderno centro de terapia celular do País. Os italianos estão investindo 4 milhões (R$ 10,3 milhões) na construção do prédio; os brasileiros, R$ 5 milhões em equipamentos. De acordo com Ricardo Ribeiros dos Santos, do São Rafael, o Centro de Terapia Celular da Bahia coordenará pesquisas e procedimentos clínicos nesse tipo de terapia. O local é um dos pioneiros no mundo a tratar doentes crônicos do fígado com terapia celular. Segundo Santos, o interesse dos italianos surgiu exatamente por causa das dificuldades de transplante de fígado naquele país, e a cooperação científica com o Brasil pode reduzir, por exemplo, os custos clínicos da terapia. A pedra fundamental do centro deve ser lançada em maio e a expectativa é que o centro esteja pronto em dois anos.

Agencia Estado,

18 de abril de 2006 | 09h05

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