Células do ouvido podem se regenerar

As células sensoriais do ouvido interno de mamíferos podem ter a capacidade de se regenerar. A conclusão é de um estudo publicado na semana passada pela revista britânica Nature. Essa capacidade permitiria a reversão de alguns tipos de surdez, como as adquiridas por barulhos estridentes ou pelo uso de certas drogas. "Na pesquisa que realizamos não observamos a regeneração nos próprios animais, apenas em culturas de laboratório", explica Andrew Groves, do Instituto House Ear de Los Angeles, EUA, um dos responsáveis pela pesquisa. A pesquisa sobre regeneração de células do cóclea, área responsável pela audição anterior ao labirinto (ou ouvido interno), começou em 2000. Outras equipes, porém, se debruçam sobre o tema há mais de 20 anos. "Já foi comprovado por outros cientistas que os pássaros podem regenerar suas células do ouvido interno após ficarem surdos", diz Groves. Isso ocorre porque as células chamadas de apoio se dividem e se transformam em novas células sensoriais após o dano. "Assim, um pássaro que antes era surdo poderá ouvir normalmente após três ou quatro semanas." Os estudos com ratos recém-nascidos ajudaram a entender o procedimento de regeneração de células sensoriais. "Quando agrupamos células purificadas e deixamos elas crescerem em uma cultura, descobrimos que 50% conseguiam se dividir e, algumas delas, se transformar em células sensoriais", conta Groves. No entanto, quando repetiram o experimento com ratos mais velhos, descobriram que as células de apoio não mais conseguiam se dividir. "As células de ratos mais velhos não se dividem porque não têm a capacidade de desativar um gene chamado p27, que tem como função não deixar que as células se dividam", explica. "Já as células mais jovens conseguem desativar o p27 e se dividir, uma vez colocadas em cultura." Os pesquisadores ainda não descobriram quais são os motivos responsáveis pela incapacidade de células mais velhas de desativar o gene. O objetivo da pesquisa é encontrar maneiras de superar esses percalços, entre eles, o de fazer com que células envelhecidas consigam se regenerar, para assim poder ajudar humanos a recuperar a audição sem uso de aparelho.

Agencia Estado,

27 de junho de 2006 | 11h00

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